Publicado em 17/08/2025 - 08:05 / Clipado em 17/08/2025 - 08:05
Sem UTI cardiológica nos hospitais estaduais, ABC fica a mercê da rede particular
Henrique Araújo
Enquanto hospitais privados do ABC mantêm UTIs cardiológicas para atender emergências cardíacas, os dois hospitais estaduais da região não oferecem essa estrutura. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, e a ausência do recurso no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, e o Hospital Estadual de Diadema, expõe a desigualdade no acesso a tratamentos decisivos para salvar vidas.
O cardiologista e professor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Adriano Menegjini, afirma que as unidades coronarianas são determinantes no cuidado intensivo de pacientes em situação de risco. “Esses serviços permitem tratamento rápido, monitoramento contínuo e suporte especializado, o que aumenta as chances de recuperação e reduz complicações”, diz.
Menegjini reforça que, além de salvar vidas, esse modelo de atendimento encurta o tempo de internação e diminui os custos hospitalares após o evento agudo.
Doenças mais incidentes e impacto na rede
As doenças cardiovasculares que mais afetam a população incluem a doença arterial coronariana, que pode causar angina ou infarto, a insuficiência cardíaca, as arritmias e as doenças das válvulas cardíacas. A elevada incidência dessas enfermidades, associada ao risco de morte em casos agudos, justifica a necessidade de expansão das UTIs cardiológicas, afirma o médico.
Para o cardiologista, pacientes com indicação de internação em unidades coronarianas não deveriam enfrentar filas, já que se trata de um perfil de alto risco. “Na prática, o número de leitos é insuficiente e a prioridade acaba sendo dada aos casos mais graves e com maior possibilidade de recuperação”, comenta Menegjini. Além disso, acrescenta que essa situação não é exclusiva do ABC, já que praticamente em nenhum lugar do mundo a quantidade de leitos supre a demanda, devido à alta incidência das doenças cardiovasculares.
Rede pública sem cobertura
Na rede privada do ABC, hospitais como o Hospital e Maternidade Brasil e o Hospital Bartira, em Santo André, e o Hospital São Bernardo, oferecem unidades coronarianas dedicadas ao tratamento intensivo de pacientes cardíacos. Enquanto isso, o Hospital Estadual de Diadema e o Hospital Estadual Mário Covas, ambos administrados pelo governo paulista, não contam oficialmente com UTI cardiológica.
Sem dar mais informações, a Secretaria de Estado da Saúde confirmou que os dois hospitais estaduais localizados na região não possuem esse recurso.
Mesmo diante da carência, Menegjini afirma que os hospitais de ensino ligados à FMABC conseguem atender os pacientes a duras custas, com taxas de resolutividade e de mortalidade compatíveis com centros de alta complexidade. “Mas a mpliação de leitos especializados é fundamental para reduzir a mortalidade e garantir atendimento adequado à população do ABC”, diz.
Atendimento especializado para mulheres
Em março de 2025, além das UTIs cardiológicas, o Centro Universitário FMABC passou a oferecer o Ambulatório de Cardiologia da Mulher, criado em novembro de 2024 para atender necessidades específicas do público feminino. O serviço oferece atendimento individualizado e contínuo, aborda todos os fatores de risco cardiovasculares nas mulheres, desde infartos sem obstrução arterial até complicações relacionadas à gestação, menopausa precoce, doenças autoimunes até efeitos de tratamentos oncológicos.
O ambulatório reforça a importância de atenção especializada e preventiva, já que as doenças cardiovasculares matam cerca de 170 mil mulheres por ano no Brasil. A iniciativa da FMABC demonstra como a medicina preventiva e direcionada a grupos de risco complementa a rede hospitalar e salva vidas, destaca a necessidade de expansão de leitos especializados para todos os pacientes, independentemente do gênero.
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Seção: Saúde