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Publicado em 08/08/2025 - 19:30 / Clipado em 08/08/2025 - 19:30

Auricchio nega que aumento da dívida de São Caetano foi feita de propósito


Carlos Carvalho

 

Alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga o aumento das dívidas da Prefeitura de São Caetano entre o final de 2023 e o final de 2024, o ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD) nega que tal cenário foi causado de maneira proposital para prejudicar o seu sucessor, Tite Campanella. Em entrevista exclusiva ao RDtv desta sexta-feira (08/08), o médico não negou que foi surpreendido com a Comissão, mas afirma está tranquilo com o processo.

O pedido sobre a CPI da Dívida Pública aponta que houve um aumento da dívida consolidada na cidade, que passou de R$ 429 milhões no final de 2023 para R$ 824,9 milhões para o final de 2024. Nas últimas semanas, Campanella confirmou a estimativa de que o valor teria passado de R$ 1 bilhão, conta que é realizada com a soma da dívida consolidada e dos restos a pagar que somam outros R$ 327,5 milhões, segundo o prefeito.

Questionado se teria propositalmente aumentado a dívida, Auricchio negou. “Chega a ser pueril uma fala dessa. Chega a ser absolutamente… Não dá nem para a gente botar no contexto de uma discussão séria isso.”.

Sobre o aumento da dívida consolidada, Auricchio primeiro reforça que o valor R$ 824,9 milhões compromete 34% do orçamento, o que seria o menor índice da região, segundo o levantamento feito pelo ex-prefeito. A principal causa está com o aumento de precatórios.

 

 


Auricchio afirma que está tranquilo caso seja convocado pela CPI, mas criticou a utilização de dinheiro público para uma avaliação externa sobre os dados, pois considera que o Município conta com pessoas aptas para o trabalho (Foto: Reprodução/RDtv)

 

“Só de precatórios alimentares nós aumentamos 200 milhões. Isso são demandas que vêm lá de 20, 30 anos atrás, discussões judiciais, que a Prefeitura chega na sua última distância na Justiça e tem que pagar.”, iniciou.

“De não alimentares, que são demandas de empresas contra a Prefeitura, contratos executados, também discussões de duas, três décadas, nós tivemos um aumento de R$ 236 milhões. Só aqui nós temos R$ 400 milhões, que é um problema que todas as grandes cidades estão enfrentando.”, continuou.

Em relação aos restos a pagar, Auricchio afirma que deixou inscrito R$ 156 milhões e que tal número foi confirmado pela atual gestão da Secretaria da Fazenda, em audiência pública. “Então não sou eu que estou falando desse número, assinado por ele em balanço junto com o prefeito atual, assinando em balanço esse valor, está certo? Esse valor de Restos a Pagar está sobre um orçamento de R$ 2,6 bilhões que a cidade de São Caetano do Sul tem. Só quero fazer um comparativo.”, começou.

“Eu recebi em 2017 e não faço aqui crítica a quem me antecedeu, porque isso é próprio de quem está lá na hora, no local. Eu recebi com mais de R$ 200 milhões de Restos a Pagar, com um orçamento à época de R$ 900 milhões. A proporção era outra.”, continuou.

Falas políticas

José Auricchio Júnior contou que soube sobre a CPI através da imprensa e se surpreendeu com a rapidez com que foi protocolado e aprovado o pedido, em algumas horas. “Acho que é recorde. Se o Guinness tratar isso de alguma maneira, isso é um recorde. Pelo menos na região e do que a gente acompanha na política, nunca vi um prazo tão exíguo como esse para se discutir um tema.”.

“Mas, de qualquer maneira, você (repórter) falou aí da base de aliados que eram aliados nossos. Eu acho que a lealdade e a gratidão fazem parte do caráter das pessoas. Então, quando você tem esses dois valores embutidos, isso deixa claro o tipo de caráter que essas pessoas têm. Mas, de qualquer maneira, eu acho que é muito importante que a gente entenda do desarrazoado que é essa comissão. Não estou aqui julgando, muito menos tirando a legitimidade do poder legislativo, que é da sua constituição enquanto Estado democrático. Mas você tem que ter, de fato, aí um objeto muito claro, que não existe.”, comentou.

Questionado sobre uma conversa com Tite sobre o assunto, Auricchio afirmou que teve uma conversa sobre o assunto em junho, poucos dias após a aprovação da CPI. No encontro foram tratados vários assuntos, mas sobre a Comissão Tite teria falado para o ex-prefeito que não se preocupasse, “que isso aí seria resolvido”.

Ainda sobre Campanella, o médico considera que Tite foi mal orientado a assumir uma narrativa sobre o aumento da dívida ao somar o valor consolidado com os restos a pagar. Além disso, negou que tenha rompido politicamente com o atual líder do Palácio da Cerâmica, mas afirmou que a relação está distante devido ao ritmo de trabalho de seu sucessor. “Então acaba tendo uma distância natural.”.

 

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Seção: Política