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 Site Repórter Diário - Santo André/SP

Publicado em 05/08/2025 - 18:12 / Clipado em 05/08/2025 - 18:12

Ônibus elétricos vendem mais, mas frota do ABC não reflete esse crescimento


POR REDAÇÃO

 

Dados divulgados nesta terça-feira (05/08) pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) mostram que em julho a venda de ônibus elétricos no país cresceu mais de 1.000% em um ano, no entanto a frota de ônibus elétricos em circulação no ABC cresceu bem pouco se comparada com o último levantamento feito pelo RD em junho do ano passado. A frota total circulante na região inclusive diminuiu. Em 2024 a região tinha 15 coletivos elétricos em operação nas linhas municipais, com a compra de 11 veículos pela prefeitura de São Bernardo, o número subiu para 26, com isso a participação do elétricos nas linhas municipais passou de 1,25% há um ano para 2,25%.

De acordo com a ABVE a venda de ônibus elétricos bateu recorde com a marca de 160 veículos comercializados em julho, alta de 370,6% em relação ao mês anterior, quando foram vendidas 34 unidades, consolidando o maior volume mensal já observado no país para este segmento. Na comparação com julho de 2024, quando apenas 13 unidades haviam sido comercializadas, o avanço é ainda mais expressivo, alcançando a marca de 1.130,8%.

Em junho de 2024, segundo o informe das prefeituras eram 15 veículos elétricos que representavam 1,25% do total de 1.195 coletivos em funcionamento na época. Passado mais de um ano o número total de ônibus em operação nas linhas municipais caiu. As prefeituras de São Bernardo, Ribeirão Pires e Mauá, não responderam, mas considerando que a frota esteja igual à do ano passado, percebemos uma diminuição para 1.155, ou seja, uma queda de 4,18% na frota total. Considerando os elétricos, que seriam 26 veículos, o percentual de participação deste tipo de veículo no total da frota subiu apenas um ponto percentual.

O professor do IMT (Instituto Mauá de Tecnologia) e especializado em mobilidade elétrica, Fabio Delatore, considera que indiscutíveis as vantagens do uso do ônibus elétrico, seja para o meio ambiente, seja para a qualidade da prestação de serviço e até pela economia com manutenção, porém os custos para aquisição destes veículos elétricos, em média três vezes mais caros que outro à diesel e a pequena infraestrutura necessária para sua operação ainda são impeditivos.

“Continuamos com as mesmas dificuldades, principalmente em questões de infraestrutura. A capacitação dos profissionais nesta área, principalmente aqui pela Mauá, é algo que tem crescido, portanto a busca dessa especialização é o que por um lado, pode ser um bom sinal”, aponta o professor da Mauá. Para Delatore, o produto ainda está caro para ser atraente para as empresas de ônibus. “Continuamos com um alto valor agregado ao produto ainda, apesar das vantagens indiscutíveis permanecerem as mesmas”.

Para o especialista em mobilidade elétrica, as cidades e as operadoras de energia não oferecem ainda uma infraestrutura suficiente para que toda uma frota de ônibus seja substituída por elétricos. Um ônibus à diesel, com o tanque cheio roda mais do que a autonomia das baterias consegue oferecer, além disso uma recarga de bateria demora de 2 a 3 horas, por isso, para Delatore, ainda não é possível que se tenha uma frota totalmente elétrica. Uma solução que pode ser adotada é a criação de pontos de recarga ao longo da linha com veículos que tenham braços pantográficos que alcancem uma rede elétrica, como já acontece com os trólebus, porém essa conexão com a linha aérea seria por alguns períodos ou trechos da linha para manter a autonomia do ônibus. “É uma solução bem adequada para minimizar os grandes investimentos na centralização da energia em um único ponto, com a garagem, por exemplo. Distribuir os pontos de recarga ao longo da linha é algo já adotado em outros mercados”, destaca.

Ter um fabricante instalado na região, caso da Eletra, em São Bernardo, para o professor da Mauá, pode ser um facilitador para que a região avance no sentido da eletrificação do transporte público, mas não é fator decisivo. “Facilita sob o aspecto de prover manutenção ou serviços em garantia, atrelado a uma possível adequação do produto ao local de uso ou aplicação, apesar desse aspecto ser pouco influente no desenvolvimento do produto”, completa o especialista.

A cidade do ABC com maior número de ônibus elétricos na sua frota é São Bernardo, segundo o levantamento da ABVE. São 11 veículos nas linhas municipais (em junho do ano passado apenas um operava na cidade, segundo informava a prefeitura). São Bernardo é também a segunda cidade no Estado, depois da Capital, em volume de ônibus elétricos.

Diadema, que tem sete coletivos, o mesmo número há mais de um ano, dentro de um total de 125 ônibus que operam as linhas municipais (em junho de 2024 eram 138), que hoje transportam cerca de 60 mil passageiros. Em nota a prefeitura diz que tem estudos para aumentar o número de ônibus elétricos.

Em Santo André, dos 290 ônibus que transportam 150 mil passageiros por dia, há apenas um veículo 100% elétrico e outro híbrido, os mesmos do ano passado. A frota total de ônibus nas cidades caiu também, em junho de 2024 eram 309 coletivos.

Em São Caetano são 55 veículos que fazem as linhas municipais e todos são à diesel, transportando cerca de 80 mil passageiros por dia. A prefeitura, no entanto, pondera que todos são menos poluentes pois já estão na geração de motores Euro6. A prefeitura planeja que adotar a tecnologia de eletrificação nos coletivos. “Foram realizados testes reais com todos os fabricantes de ônibus elétricos nas linhas municipais para avaliação técnica de desempenho e viabilidade. Em avaliação informal durante os testes, a população aprovou os veículos elétricos em relação ao conforto durante as viagens. Depois dos testes realizados estamos em fase de estudos de viabilidade junto à empresa concessionária do transporte público”, informa nota da prefeitura.

A prefeitura de Rio Grande da Serra diz que circulam na cidade 12 ônibus e outros seis ficam de reserva. O sistema municipal transporta diariamente 7,5 mil pessoas. Nenhum dos coletivos é elétrico e a prefeitura diz apenas que tem estudos para implantação.

Os demais municípios não responderam.

 

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Seção: Cidades