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Publicado em 04/08/2025 - 21:15 / Clipado em 04/08/2025 - 21:15

Pacientes relatam recusa de exames no Hospital de Emergências de São Caetano do Sul


Relatos indicam que exames de imagem têm sido negados com frequência; médicos relatam pressão por produtividade e atendimentos em 15 minutos.


Por Karen Lemos — São Paulo

 

 


Hospital Albert Sabin, em São Caetano do Sul — Foto: Karen Lemos/CBN

 

 

Pacientes do Hospital Municipal de Emergências Albert Sabin, em São Caetano do Sul, reclamam de exames de imagem que têm sido negados com frequência na unidade este ano. A reportagem da CBN visitou a unidade de saúde, uma das únicas de portas abertas do município, e encontramos relatos de exames sendo negados.

Uma paciente que não quis se identificar chegou no pronto-socorro após sofrer uma queda e com o ombro machucado. Ela foi a uma UPA próxima de casa e foi orientada a procurar o hospital de emergências para realizar exames de imagem. A suspeita é que ela tenha rompido algum ligamento ou tendão do ombro.

Mas, chegando no hospital, não conseguiu fazer o exame, e recebeu a orientação de agendar consulta com um especialista, algo que pacientes já relataram que pode demorar até seis meses na unidade. Ela voltou para casa sem imobilizar o ombro e com a receita de um relaxante muscular.


"Aí eu saí sem imobilizar o ombro, sem nada. Mas achei que iriam fazer pelo menos o exame para saber. Porque se eu tiver com o tendão rompido, como é que eu vou descobrir? Até marcar uma consulta vai demorar, entendeu?"


Outro paciente, que há anos sofre com uma condição intestinal e já precisou de cirurgia no passado, procurou atendimento com fortes dores abdominais.

A médica que o atendeu precisou se ausentar porque teve que pedir a liberação de um exame de tomografia para a chefia do hospital -- algo que já soou estranho pra ele. Para sua surpresa, ao retornar, a médica informou que o exame havia sido negado, passou antibióticos e aconselhou ele a procurar outro lugar para ser atendido.


"Não fiz esse exame. Ela me passou a medicação, agora eu vou terminar de tomar a medicação, encerrar esse ciclo e vou procurar um atendimento particular. Eu não tenho plano de saúde, mas eu tenho, com sacrifício, obviamente, a possibilidade de fazer o exame pelo particular."


De forma anônima, um funcionário do hospital falou com a reportagem da CBN e confirmou as reclamações dos pacientes. Ele disse ainda que a equipe médica está sendo pressionada a realizar os atendimentos o mais rápido possível, mesmo que isso prejudique o paciente. Ele acrescentou que, para o hospital, o mais importante é a produtividade.

Segundo esse funcionário, a diretoria também tem pressionado para que os médicos atendam, no mínimo, cinquenta pacientes por plantão -- o que dá em torno de quinze minutos por atendimento.

Procurado pela CBN, o hospital -- de responsabilidade da prefeitura da cidade -- disse que está passando por alterações de fluxo e otimização de atendimento, o que inclui a implementação de um protocolo para classificação de risco de cada paciente, de acordo com a gravidade de quadro clínico, atribuindo cores que indicam a prioridade e o tipo de atendimento mais adequado.

E acrescentou que os médicos têm prerrogativa e liberdade para solicitar todos os exames e procedimentos que considerar necessários para o diagnóstico e o tratamento dos pacientes.

https://cbn.globo.com/saude/noticia/2025/08/04/pacientes-relatam-recusa-de-exames-no-hospital-de-emergencias-de-sao-caetano-do-sul.ghtml

 

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Seção: Saúde