Publicado em 01/08/2025 - 19:30 / Clipado em 01/08/2025 - 19:30
Matheus Gianello é acusado de dar calote em cabos eleitorais
Vereador de São Caetano não teria cumprido acordo verbal e deixado de pagar serviços prestados na campanha de 2024
Wilson Guardia
O vereador de São Caetano Matheus Gianello (PL) é ponto central de uma denúncia. Cabos eleitorais o acusam de dar calote e não pagar serviços prestados durante a campanha de 2024. Os acordos seriam informais, ou seja, sem lançamentos na prestação de contas. O famoso ‘por fora’, se confirmado, será considerado crime e o liberal poderá ser punido com a cassação do mandato ou inelegibilidade por oito anos, entre outras medidas.
“Fui cabo eleitoral dele. Consegui mais de 400 votos na Vila São José”, afirma Roberto Sousa, conhecido como Gardenal. O ex-apoiador diz que Gianello está lhe devendo dois meses de serviços prestados. Seriam R$ 2 mil em aberto, mas que o parlamentar se recusa a pagar. “Ele não olha na minha cara. Isso é falta de caráter”, disse o denunciante em vídeo gravado durante uma sessão na Câmara.
O Diário teve acesso a prints de conversas atribuídos a um assessor de Gianello pelo WhatsApp. Nos conteúdos, Gardenal diz que chegou a propor um acordo para cessar a dívida, mas que não avançou.
Em outra conversa supostamente atribuída a Gianello, o cabo eleitoral envia a seguinte mensagem: “Não prometa, faça. Cansei. Promessas não enchem barriga”. Em outra captura de tela, o cabo eleitoral é indagado por uma pessoa não identificada. “Gardenal, o que você quer? Você quer dinheiro? Fala o valor.”
Além do diálogo, vídeo gravado na Câmara e outro de campanha do vereador foram enviados com mensagens de cobrança.
A equipe do Diário identificou outro homem que teria levado calote de Gianello. Contratado para trabalhar na divulgação do então candidato em 2024, o denunciante, que pediu para não divulgar o nome, disse por telefone que atuou por dois meses nas ações de rua, mas que não recebeu pelos serviços.
Ao todo o parlamentar estaria lhe devendo R$ 4 mil. A contratação e valores foram tratados informalmente. “Fizemos acordo de boca”, disse.
Caso as denúncias de contratação de colaboradores para campanha eleitoral sem o devido lançamento na prestação de contas sejam confirmadas, a prática de abuso de poder econômico fica configurada em crime. Entre as sanções políticas, a perda de mandato ou inelegibilidade por oito anos.
Procurado, Gianello negou o calote.
Leia a nota do vereador na integra:
"Todas as pessoas contratadas diretamente pela minha campanha foram devidamente pagas. Toda a movimentação financeira foi declarada à Justiça Eleitoral. Não tenho vínculo com pessoas que atuaram em outras frentes ou campanhas paralelas. Sou responsável apenas por quem trabalhou sob minha coordenação direta. Houve compartilhamento de estrutura com a campanha majoritária, do mesmo partido. Pela grandeza dessa campanha, é possível que algumas pessoas tenham se confundido sobre para quem estavam prestando serviço. A pessoa que me acusa tem um histórico pessoal perturbado, e tomarei as medidas legais cabíveis diante dessa calúnia.
Reafirmo meu compromisso com a legalidade e sigo à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Matheus Lothaller Gianello
Vereador de São Caetano do Sul – PL."
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: Política