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Publicado em 27/07/2025 - 08:05 / Clipado em 27/07/2025 - 08:05

Maioria das novas empresas da região é MEI, mas falha de gestão mata metade


George Garcia 

 

O número de empresas abertas no ABC, de grandes a MEIs (Microempreendedores Individuais), cresceu 11,5% no ABC. Para para cada 10 ativas este ano uma nova surgiu. Mas a taxa mortalidade de empresas, no entanto, impede crescimento maior, mais da metade (55%) do que foi aberto encerrou as atividades no mesmo período. Se olhar para os MEIs a variação é parecida, entre abertura e fechamento de novos negócios individuais foi de 47,5%.

Segundo o Mapa das Empresas do Ministério do Empreendedorismo, Micro Empresa e das Empresas de Pequeno Porte, o ABC tinha ativas, até junho, 375.574 empresas, de todos os portes. Do total, 207.785 são MEIs, ou seja, mais da metade (55,3%) são empresas constituídas por profissionais liberais que geram bem poucos postos de trabalho. Somente nos primeiros seis meses deste ano, 43.045 empresas surgiram no ABC, outras 23.681 encerraram as atividades no período, um saldo de 19.364 CPFs (Cadastros de Pessoas Físicas).

No destaque dos MEIs até junho deste ano eram 207.785 graças a entrada de 33.738 novas empresas, porém 17.704 fecharam e anularam praticamente metade do crescimento. O saldo foi de 16.034 empresas, e a variação entre abertura e fechamento ficou em 47,5%.

Quanto ao porte os MEIs cresceram mais, uma alta de 7,71% considerado o saldo entre abertas e fechadas sobre o total de empresas ativas. O ABC tem 207.785 microempreendedores individuais, segundo o ministério até junho. No primeiro semestre deste ano foram 33.725 empresas deste formato, mas 17.704 fecharam no período, um saldo de 16.021 firmas.

Já as microempresas são 328.177 na região do ABC e ficaram em segundo, quanto ao saldo de crescimento sobre o total de empresas ativas. Neste ano se somaram ao total 40.846, porém outras 22.669 fecharam, mesmo assim ficou um salto positivo de 18.177 CNPJs ativos de saldo, uma alta de 5,54%.
Quadro 2

As empresas de pequeno porte cresceram 3,64% e somam atualmente 25.549. As empresas de outros portes cresceram 1,2% e os empreendedores que não se classificam como MEI cresceram 1,98%.

Falhas de gestão

Para Volney Gouveia, gestor do curso de Ciências Econômicas e gestor adjunto da Escola de Gestão e Negócios, da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) a falta de uma gestão mais preparada para os desafios da empresa é a principal razão para a “morte” da mesma em pouco tempo de atividade.

O Sebrae aponta que mais da metade das empresas abertas encerram suas atividades em menos de cinco anos. “Isto é histórico e reflete problemas de gestão. Via de regra, há gestão equivocada, que mistura finanças pessoais do dono com as finanças da empresa. Este conflito de interesse compromete o fluxo de caixa. Associado a isto, há problemas de planejamento. Não se apoia as ações em planejamento estratégico e tático. O que funciona é a estratégia ‘go horse’ (vai de qualquer jeito, em tradução livre). O abre e fecha de empresas depende muitas vezes destes dois fatores, e nem tanto das condições econômicas do País”, aponta.

O economista diz que a opção por um trabalho como MEI no lugar do emprego com carteira assinada é feita pensando em uma crescimento profissional, mas sem levar em conta que essa atividade demanda mais conhecimento e gerenciamento para dar certo. “O povo brasileiro é empreendedor por natureza. Pode-se empreender por meio de MEI ou mesmo sendo CLT. A questão é que falta preparo adequado para se fazer uma gestão mais eficaz”, afirma Gouveia.

Para o professor da USCS, há uma certa ilusão de que, sendo autônomo, haverá mais liberdade e, por consequência, sucesso no empreendimento. “Não é bem assim. Sendo autônomo, o desafio é muito maior, porque necessita de visão estratégica e ação múltipla de gestão. O Brasil hoje tem a menor taxa de desemprego da série histórica, indica que há muitas oportunidades de trabalho. O problema é que muitos dos trabalhos são de baixa remuneração, o que estimula seguir a trajetória de MEI”, completa Gouveia.

Atividades

Quanto a segmentação por atividade econômica, é possível ver que as pessoas jurídicas mais numerosas no ABC são aquelas compostas por pequenos negócios, como bares, restaurantes, salões de cabeleireiros e lojas de roupas. Há também prestadores de serviços de transporte e na área da construção civil.

Com poucas variações entre as cidades, a atividade de cabeleireiro responde quase sempre pela liderança ou está entre as três primeiras posições no ranking de atividade econômica. (Veja nos quadros por cidade abaixo)

 

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3675230/maioria-das-novas-empresas-da-regiao-e-mei-mas-falha-de-gestao-mata-metade/

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Seção: Cidades