Publicado em 25/07/2025 - 19:28 / Clipado em 25/07/2025 - 19:28
Dívida de São Caetano é de R$ 1,15 bilhão, diz Tite Campanella
Prefeito desconfia de que antecessor, José Auricchio Júnior, agiu de má-fé para prejudicar sua administração: ‘Não pode ser sem querer’
Wilson Guardia
O prefeito de São Caetano, Tite Campanella (PL), chegou ao valor final do débito herdado da gestão José Auricchio Júnior (PSD), que deixou o cargo em 31 de dezembro: R$ 1,15 bilhão. Uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) investiga o endividamento do município. O atual chefe do Executivo disse desconfiar de ação deliberada do antecessor, de quem foi aliado, para prejudicar sua administração.
“Não acredito em coincidências. Acho que aconteceu isso em 2012 e está acontecendo novamente. Agora, não pode ser sem querer que isso aconteça”, declarou Tite na tarde desta quinta-feira (24) em visita à sede do Diário, em Santo André. Auricchio também deixou dívida considerável quando passou o mandato para Paulo Pinheiro (2013-2016).
Quatro anos depois, Auricchio se recandidatou ao Paço e derrotou Pinheiro, que buscava a reeleição. Ao ser questionado sobre se acredita em um modus operandi do antecessor, para que a população sinta saudade dele, Tite concordou, dizendo que se trata de afronta “não ao prefeito, mas à sociedade”: “(Isso) mostra para mim, muito claramente, um desamor com a cidade”.
Documentos que comprovam as dívidas de São Caetano, identificadas pela equipe da Secretaria da Fazenda, já foram disponibilizados para a CPI que investiga o endividamento do município na gestão Auricchio. Tite garantiu que é a última vez que ele trata do tema, argumentando que o caso agora passa a ser responsabilidade dos vereadores.
“Não vou ficar remoendo esse assunto. A dívida que herdei da administração anterior está muito aquém da realidade do número que foi me apresentado durante o ano passado”, disse o chefe do Executivo, afirmando que sua obrigação, a partir de agora, é encontrar maneiras de fazer a cidade continuar funcionando, de modo a não prejudicar a qualidade de vida da população.
As dívidas de São Caetano são de duas naturezas. Uma que precisa ser liquidada com rapidez e outra a longo prazo. Esta, de R$ 824,9 milhões, é chamada de estruturada. “Sei quanto devo, para quem devo, de que forma vou pagar, quanto vou fazer de aportes para pagamento. É uma dívida, vamos considerar assim, boa, porque é de longo prazo”, detalhou o prefeito.
Os débitos que mais preocupam Tite são os chamados restos a pagar, que não têm lastro. Neste caso, a dívida chega a R$ 327,5 milhões. Ela é formada por notas que deveriam ter sido quitadas pela gestão Auricchio, mas não foram – estão em aberto, segundo o chefe do Executivo, boletos vencidos em agosto de 2024.
“O grande problema é que nós temos os restos a pagar, que foram as contas da administração anterior não honradas”, disse Tite. O prefeito reconheceu que estava mal informado sobre a situação contábil do governo, mas alegou que foi “induzido ao erro de achar que as contas estavam equalizadas”.
O liberal revelou que, se soubesse desde o início de seu governo do tamanho do rombo orçamentário, não teria, por exemplo, realizado a Festa da Páscoa, que distribuiu chocolates às famílias pobres e custou R$ 3 milhões aos cofres públicos, em abril. “Pediria desculpas à população e cancelaria”, assegurou.
Nos primeiros meses da administração de Tite, o secretário da Fazenda, Paulo José Rossi, ainda planilhava os números e contava com apoio da secretária do Governo e ex-responsável pelas finanças na gestão Auricchio, Stefânia Wludarski – que foi exonerada do governo assim que as primeiras inconsistências contábeis começaram a surgir.
Na noite desta quinta-feira (24), durante sessão solene na Câmara, em homenagem aos 148 anos de São Caetano, a serem completados na segunda-feira, Tite voltou a falar das dívidas e que seguirá governando a cidade, “doa a quem doer”.
O Diário procurou Auricchio para que comentasse as declarações de Tite, mas o ex-prefeito disse que não se manifestaria pelo telefone.
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: Política