Publicado em 23/07/2025 - 18:35 / Clipado em 23/07/2025 - 18:35
Estado antecipa R$ 7,1 milhões para a saúde do ABC; distribuição é desigual
George Garcia
As cidades do ABC receberam R$ 7.149.301,67 para aplicação na atenção básica, o valor viria só em setembro, mas foi antecipado pelo governo do Estado. A verba é do IGM-SUS (Incentivo à Gestão Municipal- Sistema Único de Saúde) Paulista e é distribuído aos municípios com base no cumprimento de metas de vacinação, de consultas de pré-natal, de prevenção e tratamento do diabetes e hipertensão. Por conta dessa divisão, municípios com pouca infraestrutura de saúde, caso de Rio Grande da Serra, recebem menos, já que seu score é menor, mas mesmo municípios com saúde bem estruturada, caso de São Caetano tiraram nota baixa e recebem, por isso, uma fatia menor do IGM-SUS Paulista.
Para o professor de Saúde Coletiva e coordenador do Internato de Saúde Primária da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Homero Nepomuceno, o critério de atribuir uma pontuação, ou score, por cumprimento de metas é interessante e melhor do que os critérios anteriores que consideravam o número de habitantes somente, porém ele precisa de aperfeiçoamento, segundo o especialista em saúde pública. “Esse sistema de metas ficou bom, pois incentiva a cidade a cumprir determinadas tarefas, como a cobertura vacinal que praticamente todo o ABC cumpriu, talvez o papanicolau e a mortalidade infantil não teve metas alcançadas por todas as cidades. Temos cidade com score mais baixo, como Rio Grande da Serra (39,50), por causa da infraestrutura menor que a cidade tem. Penso que o Estado deve olhar o score não só do lado punitivo, senão o município que fez pouco tende a fazer menos ainda. As metas são importantes mas quando se notar um desvio muito grande é preciso criar um plano de melhorias”, aponta.

Para o professor da FMABC, cidades com boa infraestrutura, como São Caetano também não tiveram nota alta e foram penalizadas e alguns pontos na distribuição da verba do IGM-SUS. “Mas não dá para comparar São Caetano, com Rio Grande da Serra, o tratamento tem que ser individualizado. Em Rio Grande não são necessários investimentos muito pesados para se aproximarem das metas, basta contratar pessoal e ter uma mínima estrutura para exames. Já São Caetano que tem tudo, é preciso fazer um diagnóstico, pois a cidade não pode alegar invasão de moradores de outras cidades porque esse dinheiro não é para pronto socorro, ou alta complexidade, é para a atenção básica, que tem pouca invasão”, analisa.
O IGM-SUS serve para custeio da saúde e está na mira dos gestores municipais, que procuram verba. “Esse não é um dinheiro novo, esse repasse já foi feito de outras formas, como por exemplo o repasse para o combate à dengue, que já é feito há muitos anos. Os secretários de saúde no ABC se mostraram descontentes, recentemente diante do que consideram uma pequena participação do governo paulista. Isso é verdade, valores devem ser revistos, mas o Estado investe indiretamente com seus equipamentos na região como os hospitais Mário Covas (Santo André) e Serraria (Diadema), com a Rede Lucy Montoro de Reabilitação, com os AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) de Santo André e Mauá, com o Hospital Heliópolis que fica colado na região e outros hospitais na Capital, como o Hospital das Clínicas, isso acaba sendo, de alguma forma recurso para a região. Então, para sermos justos tem que pontuar essa participação do Estado na saúde do ABC, mas sim, essa verba de custeio é pequena, os municípios arcam com 60% a 70% da conta, o governo federal com 25% a 30% e o Estado entra com uma parcela mínima”, completa.
No caso de Rio Grande da Serra, com o menor score do ABC, isso se deve ao não cumprimento de metas no ano de 2024 em comparação com 2023. A cidade não alcançou a meta de vacinação na Tríplice nem na Penta Valente, também não atingiu a meta mínima de atendimento em pré-natal nem na prevenção de diabetes. O índice de mortalidade infantil, que deveria ter ficado abaixo de 8 ficou em 8,53.
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Seção: Cidades