Publicado em 23/07/2025 - 19:30 / Clipado em 23/07/2025 - 19:30
Vereadores de CPI afirmam que Regina se equivoca sobre dívidas
Parlamentares que integram a comissão avaliam que vice-prefeita errou ao dizer que passivos herdados por Tite eram de conhecimento do Legislativo
Bruno Coelho
Cada vez mais isolada dentro do governo, a vice-prefeita de São Caetano, Regina Maura (PSD), foi alvo de críticas de vereadores que compõem a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Dívida, instaurada na Câmara para investigar passivos deixados pela gestão do ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD) a seu sucessor, Tite Campanella (PL). Segundo os parlamentares, a pessedista se equivocou ao declarar que o Legislativo tinha consciência das cifras a pagar e que a investigação não faria sentido.
A origem da insatisfação dos vereadores vem das declarações de Regina ao Diário no mês passado, logo após a instauração da CPI, que tem como epicentro Auricchio, seu padrinho político. De acordo com a vice-prefeita, a comissão não fazia sentido, uma vez que o Parlamento aprovou as operações de crédito, movimentações lançadas no Portal da Transparência. “A Câmara é um poder independente, mas a decisão deles é de estranhar. Aprovaram os projetos, as operações de crédito e destinos. Nada é desconhecido”, avaliou na ocasião.
O atrito entre a vice-prefeita e os vereadores possivelmente vem de uma confusão sobre qual, de fato, é o objeto de investigação da CPI, visto que os integrantes afirmam que o foco se concentra sobre os restos a pagar, que são dívidas de curto prazo, que devem ser quitadas em até 12 meses, dentro de um exercício fiscal. Nesse quesito, a gestão Auricchio deixou de herança para Tite Campanella R$ 153,8 milhões a pagar junto a fornecedores, sob denúncias de que deveriam procurar a nova gestão para receber os devidos valores.
“O Auricchio disse em rede social e a Regina Maura comentou no jornal que os vereadores tinham ciência de tudo. Isso é verdade na questão dos empréstimos, porque nós votamos. Eu, como oposição, votei contra e tinha conhecimento. Eles (governistas) votaram a favor e tinham ciência. Mas nós não tínhamos noção do resto a pagar, porque você não consegue ter essa noção em tempo algum do mandato”, disse o relator da CPI, Edison Parra (Podemos).
Os integrantes da CPI pontuaram que não se encontram no escopo dos trabalhos as dívidas consolidadas – débitos de longo prazo, acima de 12 meses–, que podem ser contraídas via financiamentos e empréstimos junto a instituições financeiras nacionais ou internacionais, mediante o crivo do Legislativo. No caso de São Caetano, os débitos dessa modalidade somavam R$ 893,5 milhões, cifras que agora estão atualizadas em R$ 926,2 milhões.
Líder de governo e presidente da CPI, César Oliva (PSD) ressaltou que os vereadores acompanham os editais e licitações. Porém, a mesma fiscalização não tem trânsito livre quanto aos pagamentos do dia a dia a fornecedores. “Então, realmente acho muito infeliz dizer que os vereadores aprovaram tudo ou sabiam de tudo, e que agora querem fazer essa CPI, indo por um viés totalmente político de des-construção, quando estamos, de uma forma responsável, querendo levantar tecnicamente o que foi feito”, afirmou o pessedista.
Ao Diário anteriormente, Auricchio confirmou que deixou R$ 893,5 milhões de dívidas consolidadas, destrinchadas entre financiamentos junto à Caixa Econômica Federal e ao CAF (Corporação Andina de Fomento), este voltado a obras de combate a enchentes, a ser pago até 2040, além de pre-catórios. Quanto aos restos a pagar, o ex-prefeito disse que “o caixa da Prefeitura é mais do que o suficiente para sanar isso”.
Por sua vez, Regina não retornou aos questionamentos da reportagem.
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: Política