Publicado em 21/07/2025 - 19:36 / Clipado em 21/07/2025 - 19:36
Relator da CPI calcula que endividamento de S.Caetano pode passar de R$ 1 bilhão
George Garcia
Em entrevista ao RDTv, o vereador Edison Parra (Podemos) estimou que a dívida acumulada deixada pela gestão José Auricchio Júnior, pode ultrapassar R$ 1 bilhão. A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi instalada por vereadores governistas com o objetivo de apurar porque o endividamento da cidade cresceu. A CPI também vai investigar se a gestão Auricchio orientou fornecedores a não emitirem notas no ano passado para o fazerem somente este ano. Parra diz que a Câmara vai contratar empresa especializada para analisar os contratos da gestão anterior e ele não descarta convocar o próprio Auricchio a depor na comissão.
Cidade estava chegando a um grau de endividamento muito grande, não só por empréstimos aprovados pela Câmara, não só nacionais como também empréstimos internacionais, acumulando uma dívida recorde na história da cidade, fora isso os precatórios que a justiça vinha decretando chegaram a um volume altíssimo. Tem muitas brechas trabalhistas e os funcionários estão recorrendo à justiça e ganhando. Algo tem que ser feito para parar de gerar tanto precatório”, iniciou Parra.
O relator da CPI aponta que além dos empréstimos e dos precatórios outra dívida preocupante é com a Sabesp. Segundo o vereador a prefeitura ficou muitos meses sem pagar a conta pelo fornecimento de água e tratamento de esgoto do município. “A Sabesp ficou um tempão sem receber, dois anos, aí fizeram um acordo pagar o atrasado, ma gestão anterior pagou alguns meses e deixou muitos de dívida”, aponta. Parra disse que o mesmo aconteceu com o recolhimento do INSS. “Fora tudo isso tem os restos a pagar, que é um volume altíssimo, na casa dos R$ 300 milhões, então, quando soma tudo isso, estamos falando de mais de R$ 1 bilhão, é muita coisa para São Caetano, uma cidade que sempre teve um conforto financeiro, sempre teve um equilíbrio”, calcula o relator da CPI.
“O que vemos agora é muito pior do que nós vimos no início do governo do ex-prefeito Paulo Pinheiro. É o mesmo modus operandi, no final do oitavo ano se joga para o ano seguinte um verdadeiro buraco financeiro”, diz o vereador do Podemos. Parra vai mais longe e sugere que a gestão Auricchio teria promovido pedaladas fiscais, orientando fornecedores a emitirem notas fiscais somente neste ano. “Nos bastidores da prefeitura se fala que empresários foram orientados para não entregarem as notas no ano passado, para entregar este ano, isso aí é uma pedalada e a CPI está aí para isso, para confirmar se isso aconteceu. Tem vários detalhes contábeis gravíssimos que ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não tem como ver o que foi feito o dinheiro, o que foi gasto nas obras e se estava de acordo com o contrato. O que nós podemos fazer e que é mais palpável é ver se a Lei de Responsabilidade Fiscal foi atingida”, adianta o parlamentar sobre o caminho da CPI.
Parra diz que pode a CPI pode convocar chefe da pasta da Fazenda e o próprio ex-prefeito para depor. (Foto: Reprodução RDTv)
Saúde perde R$ 111 milhões
O prefeito Tite Campanella (PL) já falou sobre um rombo na área da saúde que ele tenta contornar. A prefeitura anunciou que o orçamento para a Saúde neste ano é R$ 111 milhões menor do que o do ano passado, sem nenhuma redução de custos prevista. Esse é outro ponto que a CPI quer atacar. “Tem que fazer tudo que foi feito no ano passado com R$ 111 milhões a menos. A LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) diz que não se pode deixar um orçamento que se sabe que não dá para pagar. em muita coisa que a gente vai descobrir. Tem muita coisa que foi feita fora da cartilha”, diz o relator da CPI.
A comissão de investigação já solicitou dezenas de documentos, principalmente contratos e todos os empenhos relativos a eles. “Tem processos que foram anulados os pagamentos, então temos que ver se o serviço foi prestado, ou se o material foi entregue e se tem justificativa para o não pagamento. A Câmera estava numerando as páginas, montando pastas. Depois que conseguir planilhar tudo vai ser mais fácil enxergar”, diz Parra.
Contratação
Mas para chegar a conclusões e interpretar corretamente os números que serão apresentados a Câmara terá que contratar uma consultoria contábil especializada em contas públicas e que, segundo Parra, não pode ter nenhum vínculo político. “Vamos precisar de uma empresa especializada em gestão pública porque a estrutura da Câmara não tem como olhar tudo isso, vamos deliberar isso nesta terça-feira (22/07) e decidir quem vamos contratar, tem que ser empresa grande e técnica”, avalia.
Convocações
A CPI deve chamar a ex-secretária da Fazenda da gestão anterior, Stefânia Wludarski, e até o próprio ex-prefeito José Auricchio Júnior. “À medida que forem surgindo dúvidas já posso fazer convites e convocações, precisamos de alguns dias para analisar. A primeira que vem à nossa mente é a ex-secretária de finanças Stefânia e porque não o próprio ex-prefeito Auricchio”, completa.
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Seção: Política