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Publicado em 22/07/2025 - 08:05 / Clipado em 22/07/2025 - 08:05

Consulta com ortopedista na região pode demorar de um a seis meses


George Garcia 

 

A especialidade médica de ortopedia, não é de hoje, é a mais demandada nos serviços públicos de saúde e quem precisa de um atendimento com esse tipo de profissional vai sofrer com a espera. O RD apurou a espera pode levar de um mês a meio ano para se conseguir fechar um diagnóstico e iniciar o tratamento acompanhado pelo especialista.

Ao falar em rede social sobre a saúde, o prefeito de São Caetano Tite Campanella (PL) narrou a redução de recursos para a pasta da saúde e a dificuldade para atender os munícipes e pessoas de outras cidades que procuram por atendimento. A rede social foi permeada por comentários de pessoas que reclamavam da demora no atendimento, sobretudo para a especialidade de ortopedia. O morador da cidade, Lucas Cândido da Paz, de 27 anos, relata que desde fevereiro está aguardando uma consulta com especialista para ver qual será o tratamento para um problema no joelho direito que está limitando suas atividades diárias.

“Eu tenho 27 anos e sempre pratiquei atividades físicas, mas agora não posso fazer porque tenho dor e inchaço”, diz o morador. O jovem passou com atendimento médico clínico geral em janeiro, depois em abril realizou uma ultrassonografia em abril e retornou em maio com o clínico, que fez o encaminhamento para o ortopedista. Desde então ele aguarda que a prefeitura marque a consulta. “Demorou quatro meses para me retornarem e me colocaram na fila do agendamento. Não me ligaram, não falaram nada. Pelo que todo mundo fala, realmente demora, já estou há dois meses com o encaminhamento e não resolveram nada”, relata.

Os exames de Lucas da Paz apontam para tendinopatia e bursite patelar profunda. Mas sem apresentar o resultado a um especialista, ele não sabe como proceder para tratar o problema. “Eu faço academia e pratico voleibol, mas qualquer movimento que faço o joelho incha e isso me impede de continuar e dói. Já se sabe o que eu tenho, mas estou na espera, não sei como será a abordagem. Isso me atrapalha muito porque sempre fui de praticar esporte e isso atualmente me limita”.

As prefeituras relatam que, para o atendimento emergencial, todos são atendidos de imediato, mas para consultas eletivas para investigação de problemas e dores, a espera é grande. No caso da prefeitura de São Caetano, para casos urgentes o atendimento eletivo deve ocorrer em 30 dias. A prefeitura não informa quantas pessoas estão aguardando para passar com o especialista. “Atualmente, São Caetano conta com 23 médicos ortopedistas. O tempo de espera depende da prioridade clínica do caso, seguindo o princípio do SUS da equidade, que organiza o acesso conforme a gravidade e a necessidade do paciente. Para casos com prioridade clínica, o agendamento é feito em até 30 dias. A prefeitura tem trabalhado continuamente para reduzir o tempo de espera para consultas em ortopedia, realizando estudos técnicos sobre oferta, demanda e necessidade, ampliação do número de vagas em consultas e procedimentos, reorganizando os fluxos de acesso para priorizar os casos mais graves e promovendo a busca ativa de pacientes para reduzir faltas e garantir o comparecimento às consultas”, diz o município, em nota.

O paço sancaetanense também diz que os maiores tempos de espera estão relacionados aos encaminhamentos para serviços de alta complexidade ortopédica, que dependem das vagas disponibilizadas pela regulação estadual. A cidade tem unidades de referência para atendimento em ortopedia: o Atende Fácil Saúde e o Ambulatório do Complexo Hospitalar Municipal. “O acesso a esses serviços é feito por meio de encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e de outros serviços de saúde. Essas unidades não são de porta aberta, pois o encaminhamento é necessário para organizar o fluxo e garantir prioridade aos casos mais urgentes. Para os casos de urgência e emergência, o atendimento ortopédico é realizado por porta aberta na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e no Hospital Municipal de Emergências Albert Sabin”, completa a prefeitura.

Em Diadema a prefeitura admite a dificuldade de dar um atendimento mais rápido para quem espera por consulta com ortopedista. A cidade tem seis especialistas que atendem no Centro de Especialidades Quarteirão da Saúde e no serviço de urgência do Hospital Municipal. “O tempo para consulta varia conforme o tipo de atendimento necessário. A ortopedia na rede pública municipal tem duas portas de entrada: os casos de urgência, como traumas e acidentes, são atendidos diretamente no Pronto Atendimento do Hospital Municipal de Diadema. Já os atendimentos eletivos, como dores crônicas ou encaminhamentos ambulatoriais, seguem um fluxo regulado e, por conta da alta demanda e da oferta limitada de especialistas, podem apresentar um tempo de espera mais prolongado”, diz a prefeitura que estuda ampliar convênio com OSS para reduzir a espera.

Diadema não estimou o tempo médio de espera ou quantas pessoas estão aguardando para serem atendidas. “Atualmente, há um volume significativo de solicitações em ortopedia eletiva, o que reflete a alta procura por essa especialidade. A fila é centralizada inicialmente para avaliação com o ortopedista geral, e somente após essa primeira consulta é possível identificar a necessidade de encaminhamento para subespecialidades, o que pode influenciar no tempo de atendimento”, completa a nota da prefeitura.

Mesmo com uma força tarefa, montada para resolver a fila de pessoas que aguardavam para passar com um ortopedista e que no início do ano beirava as 8 mil pessoas, a prefeitura de São Bernardo ainda tem uma espera considerável de dois meses para consultas eletivas. “A rede municipal tem previsão de realização de concurso público e parcerias via OS (organização de Saúde) para ampliar a oferta de consultas com ortopedistas. Em 1º de janeiro, quando a atual gestão assumiu, havia mais de 7.900 consultas aguardando para serem realizadas. Todas foram solucionadas e hoje o prazo para que um paciente passe em primeira consulta com ortopedista é de até 60 dias, em média. Os atendimentos de urgência são feitos pelas UPAs, que podem referenciar para o HU ou para o HC, ou diretamente no HU. Em casos de alta complexidade, o paciente pode ser referenciado para atendimento via Cross, pelo governo do Estado de São Paulo”, relata o município.

As demais prefeituras da região não responderam aos questionamentos do RD.

 

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Seção: Saúde