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Publicado em 17/07/2025 - 08:25 / Clipado em 17/07/2025 - 08:25

Homem é preso em SCS acusado de roubo; crimes preocupam comerciantes


George Garcia 

 

Os assaltos a estabelecimentos comerciais estão tirando o sono de comerciantes. Depois de uma série de ataques a farmácias por criminosos em busca dos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, delitos que resultaram em prisões em junho, em São Caetano, agora mais um homem é preso, na mesma cidade, acusado de roubar, sob a ameaça com uso de uma faca uma loja que vende chocolates na avenida Goiás. A polícia conseguiu identificar o criminoso por imagens de câmeras de segurança e o prendeu na terça-feira (15/07), em sua casa, na Capital.

Usando uma moto de entregas alugada e uma bolsa térmica de transporte de alimentos, Alessandro Lima, de 41 anos, foi, segundo a polícia o responsável pelo assalto a uma loja da Kopenhagen, na avenida Goiás. O crime foi cometido no dia 13 de junho. As imagens das câmeras de segurança do local mostram o criminoso mostrando uma faca para a funcionária que estava no caixa e exigiu todo o dinheiro da registradora. Com a faca o tempo todo apontada para a funcionária, o acusado ainda perguntou se havia mais dinheiro nos fundos da loja, já que do caixa ele conseguiu apenas R$ 350. Acuada, a colaboradora da loja disse que não havia mais dinheiro visto que a maioria das vendas são feitas por meios eletrônicos. O acusado então foi embora. A GCM (Guarda Civil Municipal) foi acionada, mas quando chegaram o homem há tinha fugido em uma moto preta.

As investigações da equipe da Delegacia Sede de São Caetano levaram até Lima. Com mandado de prisão temporária concedido pela justiça, os investigadores detiveram o criminoso em casa, que fica na Zona Leste da Capital. Lá os policiais encontraram a moto preta, um capacete e a bolsa térmica, também conhecida como bag, que o acusado teria usado no dia do crime. Os objetos foram apreendidos.

Crimes

Os crimes de roubo à comércios já foram mais frequentes, hoje são menos numerosos porque os meios de pagamento digitais diminuíram a quantidade de dinheiro em espécie nos caixas dos estabelecimentos, mas não é por isso que os crimes que acontecem são menos violentos. Para o presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo do Campo), Valter Moura Júnior, diz que os bandidos estão mais audaciosos e lembrou do caso de segunda-feira (14/07) em que um homem de 60 anos e sua filha de 24, foram rendidos no estacionamento do Shopping ABC, em Santo André e ficaram em poder dos criminosos por tempo suficiente para fazerem transferências de R$ 82 mil. “O comércio vem sendo afetado por furtos e roubos, infelizmente situações que têm se tornado comuns nos estabelecimentos. Os criminosos acabam se aproveitando de falhas na segurança, especialmente em locais como shopping centers. Tivemos recentemente, por exemplo, um caso de sequestro no Shopping ABC. E não é só isso — eles se aproveitam de falhas naturais na segurança, principalmente em estabelecimentos com grandes estacionamentos, onde têm ocorrido atos criminosos”, cita.

Moura Júnior diz que a associação tem canal com o Conseg  (Conselho de Segurança Comunitária) e sedia reuniões na sua própria sede. “Isso nos permite colaborar diretamente com a Polícia Militar e propor ações para minimizar essas ocorrências. É claro que o envolvimento da sociedade é fundamental para que qualquer medida tenha sucesso. Os estabelecimentos comerciais, por sua vez, sofrem prejuízos, pois o policiamento é geral, não individualizado. Por isso, os comerciantes muitas vezes precisam investir em segurança particular para se proteger. Mesmo assim, isso nem sempre é suficiente. O papel da associação comercial é esse: intermediar, buscar soluções, ouvir os comerciantes. Mas, de fato, a resolução desse cenário envolve uma série de fatores. É necessário um debate amplo com a sociedade civil organizada, com a polícia, com os responsáveis pela segurança pública — secretários, delegados, comandantes. Tem que haver uma ação conjunta para minimizar os impactos. Mas, sem dúvida, é uma situação complexa”, completa o presidente da Acisbec.

O presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do ABC), Beto Moreira, diz que esse tipo de crime na região já foi muito mais frequente, ainda assim ele diz que, quando acontecem, deixam traumas em comerciantes e funcionários, que tentam se cercar de cuidados investindo em equipamentos de segurança. “Armado ou não, a atuação do ladrão impacta em vários fatores, na contratação de mão de obra, no preço dos produtos, no investimento em segurança, até no horário de funcionamento das lojas. Esses crimes têm acontecido com mais frequência na periferia, onde o dinheiro em espécie circula mais. Os estabelecimentos que são mais atacados são as adegas, onde os criminosos visam as bebidas mais caras. O dinheiro do caixa não é mais o problema, já tivemos 70% de transações em dinheiro e 30% cartão, no passado, depois isso se inverteu e agora o cenário é ainda mais diferente, cerca de 10% das vendas são feitas em dinheiro”, conta.

Moreira diz que um funcionário que tem uma arma apontada para si, pode não ter mais condições psicológicas de continuar naquele emprego. “A gente perde funcionários bons por isso, porque um roubo causa muito medo e traumas. Até mesmo furtos, por arrombamentos, preocupam os comerciantes”, completa.

No ABC, segundo os números oficiais da Secretaria de Segurança Pública, os roubos foram 5.727 entre janeiro e maio deste ano. O número representa uma queda de 15,95% em relação ao mesmo período do ano passado. Porém os números são maiores, já que muitos comerciantes não registram o crime, por causa dos valores que não são muito altos e que eles preferem manter o estabelecimento funcionando para tentar recuperar parte do prejuízo. Já quanto aos furtos eles se praticamente se mantiveram; foram quase 11 mil furtos em cinco meses deste ano, alta de 1% sobre os registros do mesmo período do ano passado.

 

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Seção: Cidades