Publicado em 15/07/2025 - 18:34 / Clipado em 15/07/2025 - 18:34
Casos de hepatite A somam 100 no ABC entre 2024 e 2025; sete mortes foram confirmadas
Jessica Fernandes
As sete cidades do ABC registraram, entre 2024 e 2025, um total de 100 casos confirmados de hepatite A. Os dados foram fornecidos pelas prefeituras de Diadema, Mauá, Santo André, São Bernardo, São Caetano e Rio Grande da Serra. No mesmo período, sete mortes em decorrência da doença foram contabilizadas na região.
A maior parte dos diagnósticos ocorreu em 2024, com 72 registros. Em 2025, até o início de julho, foram confirmados mais 28 casos.
Diadema concentra o maior número de ocorrências: 55 casos em 2024 e 11 neste ano, além de quatro óbitos no ano passado e três em 2025. Santo André notificou 10 casos em 2024 e 11 em 2025. São Caetano registrou seis e cinco casos, respectivamente. Mauá contabilizou um caso em cada ano. Nenhum desses três municípios teve mortes relacionadas à doença.
São Bernardo não detalhou o número de casos, mas afirmou que não houve óbitos por hepatite A nos dois anos. Já Rio Grande da Serra informou não ter registrado casos nem mortes no período. Até o fechamento da reportagem, Ribeirão Pires não havia respondido aos questionamentos enviados.
Sintomas, transmissão e prevenção
Ao RD, o hepatologista Evandro de Oliveira Souza, coordenador de hepatologia dos hospitais Brasil Mauá e Ribeirão Pires, da Rede D’Or, explica que a hepatite A é uma infecção aguda do fígado, causada pelo vírus HAV. Na maioria dos casos, é uma doença benigna, autolimitada e com recuperação completa, sem deixar sequelas. O período de incubação varia de 15 a 50 dias.
Quando sintomática, a hepatite A provoca febre, mal-estar, fadiga, náuseas, vômitos, dor abdominal e icterícia — coloração amarelada da pele e dos olhos. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de pessoas infectadas. O contato direto com pacientes também pode resultar em contaminação.
Em crianças, a infecção costuma ser assintomática. Já nos adultos, os sintomas tendem a ser mais intensos e podem incluir cansaço extremo, tontura, urina escura e fezes esbranquiçadas. “A gravidade dos sintomas e o risco de complicações aumentam com a idade”, destaca o hepatologista.
O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames laboratoriais. “Diante de qualquer sinal da doença, o paciente deve procurar atendimento médico”, reforça o especialista.
Embora rara, a hepatite A pode evoluir para quadros graves. “Menos de 1% dos casos evoluem para hepatite fulminante, que pode exigir transplante de fígado”, alerta Evandro. Pessoas com outras doenças hepáticas ou com imunidade comprometida apresentam maior risco de agravamento.
Não há tratamento antiviral específico. O cuidado é sintomático: repouso, hidratação e controle de sintomas como náuseas e vômitos, sempre com orientação médica. A automedicação deve ser evitada.
Pessoas que já tiveram hepatite A desenvolvem imunidade permanente, confirmada por exames que detectam o anticorpo anti-HAV IgG.
Vacinação e medidas de prevenção
A principal forma de prevenção é a vacinação, oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da região, por meio do SUS. Indicada especialmente para crianças, a vacina é segura, eficaz e protege contra a doença por muitos anos. A imunização é essencial para reduzir a circulação do vírus e evitar surtos.
Outras medidas preventivas incluem acesso a saneamento básico, água potável, e adoção de bons hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência, higienizar frutas e verduras e cozinhar bem os alimentos.
Segundo o médico, o aumento de casos está relacionado à baixa cobertura vacinal entre adultos, deficiências no saneamento e, mais recentemente, ao crescimento da transmissão por via sexual, especialmente entre homens que fazem sexo com homens (HSH), grupo considerado mais vulnerável à infecção.
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário
Seção: Cidades