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Publicado em 13/07/2025 - 07:57 / Clipado em 13/07/2025 - 07:57

Segunda dose contra sarampo no ABC fica em 78% e preocupa infectologista


Henrique Araújo 

 

Apesar da ausência de casos confirmados de sarampo no ABC em 2024 e 2025, a baixa adesão à segunda dose da vacina acende alerta entre autoridades de saúde, que totaliza 78% na região. A cobertura vacinal abaixo dos 95% recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) compromete a chamada “imunidade de rebanho” e aumenta o risco de reintrodução do vírus, mesmo em regiões sem circulação atual da doença.

São Caetano apresenta o menor índice de cobertura da segunda dose, com apenas 63,7% do público-alvo vacinado. Rio Grande da Serra registra 73,07%, Ribeirão Pires 73%, e Santo André alcança 74,75%. Apenas Diadema (91,2%) e Mauá (96,7%) superam os 90% de cobertura na dose de reforço, a meta do Ministério da Saúde.

Para o infectologista Gabriel Zorello Laporta, pesquisador do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), a baixa adesão à segunda dose da vacina contra o sarampo preocupa, especialmente em um contexto de mobilidade populacional e circulação internacional de pessoas. “Mesmo sem casos confirmados na região, a baixa cobertura vacinal da segunda dose indica vulnerabilidade. O sarampo é altamente contagioso, e a imunidade coletiva depende de altas taxas de vacinação”, diz.

A falta de adesão, segundo o médico, facilita a reintrodução do vírus e coloca em risco a população, especialmente crianças e indivíduos imunocomprometidos. “É essencial intensificar as campanhas de vacinação, esclarecer a população sobre a importância da segunda dose e garantir que todos tenham acesso facilitado às unidades de saúde. A prevenção evita surtos e protege a comunidade”, ressalta Laporta.

Cidades investem em estratégias

Em levantamento feito pelo RD, todas as cidades informaram a disponibilidade da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) nas UBSs (unidades básicas de saúde), sem registro de desabastecimento até o momento. Ainda assim, a adesão incompleta preocupa, e os municípios adotam estratégias diversas para ampliar o alcance da imunização.

Santo André realiza busca ativa por usuários faltosos com agentes comunitários de saúde, promove ações em escolas por meio do Programa Saúde na Escola e encaminha o público elegível à vacinação já durante a operação matrícula. A cidade investigou nove casos suspeitos em 2024 e quatro em 2025, todos descartados. Diadema ampliou o acesso à imunização com o “Vacimóvel”, que percorre feiras livres, e ações em escolas da rede municipal. A cidade apresenta a maior taxa de cobertura no ABC, com 99,1% na primeira dose e 91,2% na segunda.

Rio Grande da Serra obtém êxito

Rio Grande da Serra passou a abrir as UBSs no último sábado de cada mês e estendeu o horário de atendimento. Além disso, reorganizou a aplicação da vacina por dias específicos em cada unidade, para reduzir a perda de doses e manter a oferta diária. A cobertura na cidade chega a 92% na primeira dose e 73% na segunda.

Já São Caetano intensificou a divulgação sobre os riscos de reintrodução do vírus, com foco na aplicação da “dose zero” — destinada a crianças de seis a 11 meses. A vacinação ocorre nas UBSs e no Centro de Imunização, com campanhas em escolas.

Mauá aposta em campanhas escolares, ações aos finais de semana e no tradicional Dia D de vacinação. A cidade também segue a orientação do Ministério da Saúde para aplicação da “dose zero”, medida de precaução diante da circulação do vírus em países vizinhos.

Em São Bernardo, a Secretaria de Saúde intensificou a vacinação conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. A vacina está disponível em todas as UBSs para crianças a partir dos seis meses. A cobertura vacinal, entre crianças com 1 ano e 3 meses, é de 79,22%.

Ribeirão Pires reforçou a vacinação com a aplicação da dose D0 para bebês a partir dos seis meses. A imunização está disponível nas 10 unidades de saúde da cidade. A cobertura chega a 92% na primeira dose e 73% na segunda.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3667464/segunda-dose-contra-sarampo-no-abc-fica-em-78-e-preocupa-infectologista/

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Seção: Cidades