Publicado em 13/07/2025 - 08:15 / Clipado em 13/07/2025 - 08:15
Cotia ignora dívidas de São Caetano e mantém Stefânia Wludarski
Possível alvo de CPI na Câmara por passivo que beira a R$ 1 bilhão, ex-secretária da Fazenda ocupa cadeira de adjunta na gestão cotiana
Bruno Coelho
Cerca de 45 quilômetros separam São Caetano de Cotia, como também a ex-secretária da Fazenda Stefânia Wludarski da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instaurada na Câmara da cidade do Grande ABC, que investiga as dívidas consolidadas que somam quase R$ 1 bilhão, após o montante praticamente dobrar entre 2023 e 2024, no governo do ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD). Hoje, a administradora pública é secretária adjunta da Pasta da Fazenda e Planejamento, na gestão cotiana do prefeito Welington Formiga (PDT), que a defende, citando que ela é vítima de um conflito político.
Stefânia comandou as finanças do Palácio da Cerâmica em meio ao aumento considerável das dívidas consolidadas, que são compromissos de longo prazo, ou seja, superiores a 12 meses. Conforme noticiou o Diário em fevereiro, São Caetano contabilizava R$ 429 milhões atingidos até 31 de dezembro de 2023. Entretanto, segundo o governo do prefeito Tite Campanella (PL), um ano depois, o passivo saltou para R$ 893,5 milhões, crescimento de 108,3% do comprometimento de caixa.
Relator da CPI da Dívida na Câmara de São Caetano, o vereador Edison Parra (Podemos) não descarta a possibilidade de uma convocação de Stefânia. “Essa possibilidade existe. Como titular da Secretaria da Fazenda na gestão anterior, a ex-secretária tem conhecimento direto sobre a evolução da dívida pública de São Caetano e dos atos contábeis praticados. No entanto, qualquer decisão sobre essa convocação será tomada com base na análise dos documentos fiscais e contábeis já solicitados pela comissão”, ponderou.
A ex-secretária da gestão Auricchio permaneceu no primeiro escalão de Tite, no comando da Secretaria de Governo. Entretanto, sua permanência no Palácio da Cerâmica foi ficando cada vez mais minada, na medida em que as críticas do prefeito sobre o passivo herdado reverberavam pela cidade. Outra situação foi referente aos restos a pagar, incluídos nas dívidas flutuantes, compromissos de curto prazo, inferiores a 12 meses. O atual governo assumiu o caixa com R$ 153,8 milhões a pagar aos fornecedores.
Pelos corredores da Prefeitura de São Caetano, comenta-se que a insatisfação sobre a ex-secretária da Fazenda se tornou crescente, visto que Tite teria agido com surpresa ao constatar o tamanho dos passivos adquiridos pela gestão anterior. Na análise de pessoas próximas ao prefeito, não houve a reportação da verdadeira dimensão das cifras a pagar. Diante disso, a permanência de Stefânia na gestão do liberal passou a ficar insustentável, resultando no seu desligamento da Secretaria de Governo em março.
Em Cotia, Stefânia recebe o apoio de Welington Formiga, que defendeu a sua contratação como secretária adjunta da Fazenda e Planejamento. “A nomeação foi baseada na sua graduação, competência e experiência em administração pública. Não há nada em sua vida pregressa que macule do ponto de vista ético, da probidade, da honestidade. Trata-se de uma pessoa que nunca respondeu processos jurídicos por malversação de recursos ou desperdício do erário público, e teve todas as contas anuais aprovadas pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado)”, escreveu o prefeito.
Por fim, Welington Formiga classificou o cenário em São Caetano como um “conflito político” entre a gestão Tite e Auricchio. “Entendo que o endividamento da Prefeitura de São Caetano faz parte de decisões de governo, e não da secretária. Mas cumpre informar que a evolução da dívida se deu por meio dos empréstimos, financiamentos para investimentos na cidade que foram aprovados pela Câmara que hoje a acusa”, afirmou o prefeito de Cotia.
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: Política