Publicado em 10/07/2025 - 08:05 / Clipado em 10/07/2025 - 08:05
ABC segue tendência em que mulheres optam por ter filhos mais tarde
George Garcia
Levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que as mulheres resolveram esperar mais tempo para ter filhos. Estudo, carreira e estabilidade financeira vêm primeiro na cronologia. Mas socióloga, ouvida pelo RD, aponta que essa é a realidade somente das famílias de classe média, pois entre as jovens mais pobres a tendência de engravidar cedo ainda prevalece.
Com exceção de Rio Grande da Serra que aumentou o número de nascidos de mães com idades entre 15 e 24 anos, nas demais cidades do ABC o número de crianças que nasceram é maior entre as mulheres com idades acima dos 35 anos. Essa realidade era diferente uma década atrás. O IBGE pesquisou os filhos nascidos até 12 meses antes dos Censos de 2010 e 2022 e as idades das mães.
Se olhar o ABC como um todo, a queda foi de 51,88% de nascimentos com mães entre 15 e 19 anos de idade, entre os dois Censos. Caiu 29%, com mães de 29 a 24 anos; 30,79 % de 25 a 29 anos; e o número de bebês nascidos de mulheres entre 30 e 34 anos de idade diminuiu 14,60%.
A taxa de nascimentos começa a subir conforme a faixa etária das mães; entre 35 e 39 anos, há mais nascimentos nos 12 meses que precederam o Censo de 2022 do que no de 2010. A alta é de 30,92%. Na faixa de 40 a 44 anos a alta foi de 67,15% e de 56,60% para idade acima de 45 anos. (veja quadro).

Para a socióloga Silmara Conchão, professora da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) as mudanças sociais dos últimos anos, com a mulher a priorizar a carreira, estudo, e até pensando melhor em um planejamento familiar, a fizeram deixar a gravidez para mais tarde. “As mulheres buscam cada vez mais a sua independência, a estabilidade. Elas estudam mais, disputam o mercado de trabalho e, com isso, vem também a busca por tomar decisões sobre suas vidas e a questão de ter filho não é um projeto prioritário. A mulher já ocupa mais espaços na vida pública, conquistou mais autonomia, ou seja, houve uma mudança muito grande no que é ser mulher no século 21”, sustenta.
A realidade, no entanto, muda se considerada a condição socioeconômica. Segundo a professora da FMABC, nas camadas mais pobres da população as mulheres ainda engravidam cedo. “O problema é que as oportunidades não atingem igualmente todas as mulheres, se a gente for fazer um recorte racial e de classe aí a gente vai para as favelas, onde vive grande parte da população pobre e marginalizada, onde o projeto de vida muitas vezes é ter filhos ainda na adolescência”, aponta. “Isso serve para uma classe média, que tem a oportunidade de estudar, de morar, de acessar os bens materiais, sua cidadania, onde essa busca pela autonomia é real, mas se fizer esse recorte de raça e de classe a gente vê outra realidade”, continua.
Silmara Conchão conta que conhece bem a realidade de famílias de baixa renda que acompanha em trabalhos de pesquisa. “A gente conhece as pessoas e vê que, às vezes, constituir uma família é o único projeto de vida de uma adolescente, formar uma outra família diferente daquela que ela mora. A gravidez indesejada nessa fase passa a ser muito comum. É pouco provável que uma aluna minha da medicina tenha a gravidez como projeto de vida antes de entrar na faculdade. Já lá na favela a gente vê que isso é uma realidade na vida das meninas”, completa.
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Seção: Cidades