Publicado em 20/06/2025 - 17:11 / Clipado em 20/06/2025 - 17:11
Coluna Bastidores do Poder
Marcelo Lima e Tite Campanella se esquecem do verão passado
Se há um sentimento que é muito valioso no meio político, seja qual for a esfera, é a gratidão. Mas, pelo menos nessa nova safra de prefeitos do Grande ABC, dois deles parecem ter abandonado essa lição de ouro. Ou se esqueceram completamente do que fizeram no verão passado. Durante a campanha eleitoral, no ano passado, o atual prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos), fez tudo que pôde para associar sua imagem à gestão do antecessor Orlando Morando (sem partido), ainda que o ex-tucano tivesse escolhido sua sobrinha como candidata. Marcelo chegou a dizer que era a “gestão dele”. Mas, agora, faz inúmeras críticas ao governo do prefeito que ele sempre diz que esteve do lado. Dessa forma, é possível concluir que Marcelo também tem responsabilidade na inexplicável decisão da administração anterior em gastar muito dinheiro em uma alça ineficiente do km 16 da Anchieta? Agora, a missão do político do Podemos é esquecer que já foi aliado de Morando e que um dia pertenceu ao seu governo. Mas não é só em São Bernardo que a falta de memória está em curso.
Estava do lado do antecessor. Mas ficou quietinho
Quem vê hoje as ações do prefeito de São Caetano, Tite Campanella (PL), poderia acreditar que ele foi eleito, na eleição do ano passado, pela oposição à então administração. Só que não. Tite foi indicado pelo antecessor, José Auricchio Júnior (PSD), para encabeçar a chapa, com Regina Maura (PSD) como vice. No mandato anterior, Tite foi prefeito interino, enquanto Auricchio travava disputa na Justiça para assumir o cargo. Foi Auricchio quem o indicou para presidente da Cãmara, e consequentemente, comandar a cidade enquanto isso. Assim que assumiu o seu próprio mandato, em 2025, Tite então tratou de dizer que Auricchio tinha gastado uma montanha de dinheiro para entregar um pronto-socorro cárdio sem que estivesse em condições. Teve até uma sindicância interna, com relatório forte sobre a gestão da saúde que, curiosamente, tinha Regina Maura como secretária.
Uma CPI para investigar o governo que era dele também?
Agora, a Câmara de São Caetano aprovou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis irregularidades de Auricchio. E por vereadores que fizeram parte da base do antecessor, alguns até como secretários. E Tite finge que não tem nada a ver com isso. Tanto Tito quanto Marcelo Lima precisam entender que, aqueles que batem nas costas hoje, amanhã podem virar adversários, e fazer exatamente o que estão fazendo com seus antecessores. Se Auricchio e Morando foram bons prefeitos ou não, é outra questão. Isso a história vai dizer. O que é difícil de engolir é ver agora Tite e Marcelo como paladinos da Justiça e defensores de uma gestão correta. Mas por qual razão não fizeram isso quando estavam do lado de seus antecessores?
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Seção: Política