Publicado em 22/06/2025 - 08:06 / Clipado em 22/06/2025 - 08:06
Só 3,6% das escolas estaduais têm ar-condicionado; nas municipais só ventiladores
George Garcia
Num momento em que as previsões indicam eventos climáticos cada vez mais extremos, como dias muito quentes ou muito frios, a climatização nas escolas do ABC segue a passos lentos. O governo paulista anunciou um pacote de intervenções com a instalação de aparelhos para minimizar o calor e tornar a temperatura nas salas de aula mais amena, porém contemplou só 11 escolas na região. Nas escolas municipais as prefeituras dizem que só há ventiladores.
Em nota, o governo do Estado diz que pretende chegar a mil escolas com climatização de um total de quase seis mil escolas. No ABC o governo informa que fez reformas, mas poucas unidades têm ar-condicionado. “No ABC, foram entregues 249 obras em 164 unidades de ensino, em um investimento de R$ 189 milhões. Destas escolas, 11 receberam a climatização”, diz o comunicado.
O ABC tem 308 escolas estaduais e 102 funcionam em período integral. Mas apenas 3,6% das escolas os alunos terão maior conforto térmico. A Secretaria Estadual da Educação não informou quais são as 11 unidades já com ar-condicionado, nem a previsão para que as demais escolas sejam atendidas.
Ventiladores
Já nas redes municipais, nem se fala em ar-condicionado, as prefeituras só trabalham mesmo com ventiladores. A Prefeitura de São Caetano, diz que todos os colégios da sua rede têm ventiladores. “Todas as escolas possuem climatização por ventiladores dentro das salas de aula, com manutenção periódica, reparação e troca dos equipamentos, quando necessário”, diz a nota.
As 33 escolas de Ribeirão Pires, onde estudam 7 mil alunos, também só usam ventiladores, mas a Prefeitura diz estudar formas de melhorar o conforto térmico. “A Prefeitura informa que realiza estudos com o objetivo de garantir ambientes mais adequados e confortáveis para os alunos e profissionais da educação. Diante dos eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos, a administração tem considerado alternativas que possam amenizar o desconforto térmico nas salas de aula. Atualmente, as escolas municipais, em sua maioria, contam com ventiladores instalados nas salas, como forma de mitigar os efeitos das altas temperaturas”, diz comunicado do município.
Rio Grande da Serra diz que também estuda colocar climatizadores, mas, por enquanto, todas as salas de aula das 12 escolas municipais contam só com ventiladores. A cidade tem 1.950 matriculados na rede municipal.
Diadema também destaca que há estudos para colocar ar-condicionado nas 61 escolas municipais que abrigam 28 mil alunos, mas diz que o processo pode levar tempo diante de dificuldades técnicas. “Reconhecemos a importância de um ambiente escolar confortável e adequado para o aprendizado, e estamos cientes de que as condições térmicas influenciam diretamente no bem-estar e desempenho de alunos e professores. Por isso, já iniciamos a elaboração de um projeto para climatização mais eficiente e adequada dos espaços escolares”, diz o Paço.
Santo André tem 120 escolas entre Emeiefs (Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental), Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil), creches e Centros Públicos de Educação Profissional, com cerca de 42 mil alunos em toda a rede. Nenhuma tem ar-condicionado. A Prefeitura diz que mudar essa forma de climatização envolve estudos e recursos financeiros.
“O processo de climatização está em fase de estudo e levantamento das atuais condições de todos os equipamentos de ventilação existentes nas unidades escolares, visando manutenção e reposição, se for o caso. A implantação do sistema de refrigeração com ar-condicionado está em fase de estudo e planejamento orçamentário, uma vez que, envolve a reforma das unidades e sua capacidade eletrovoltaica”, resume, em nota.
As prefeituras de São Bernardo e Mauá não responderam.
Desconforto
Para Lilian Carreira Mori, mãe de duas meninas que estudam em São Bernardo, uma em escola municipal e outra do Estado, a climatização é uma necessidade. Nas duas só há ventiladores. “Na escola da minha filha menor tem uma diretora muito boa, tem verba, a escola foi reformada. A minha outra estuda no primeiro ano do ensino médio, e lá é bem arrumado também o único problema é que no calor os ventiladores são poucos, nem é por falta de colocar, mas que alguns alunos destroem por vandalismo mesmo”, comenta.
A mãe diz que no frio não há muito mais o que fazer, senão mandar as crianças bem agasalhadas. Lilian admite que, às vezes, quando o frio é forte, ela tem dó de mandar as filhas para a escola. “Quando tá frio dá dó de mandar; a minha filha mais nova mesmo, vira e mexe está com o nariz ruim, cheguei a deixar de mandar ela uma vez para a escola porque é muito frio. Eu acho que o frio atrapalha mais que o calor né, a gente paga tantos impostos, o (conforto térmico) é um direito do cidadão”, completa.
Bruna, que é mãe de um menino de 11 anos, estudante de escola do Estado em Ribeirão Pires, diz que no frio as crianças sofrem muito, pois às vezes não vão para a escola com agasalhos suficientes. “Tendo um climatizador dentro de sala isso ajudaria muito as crianças. No calor um ar-condicionado ajudaria muito”, comenta.
‘Meia boca’
Eduardo Santana, que tem dois filhos matriculados em escola estadual do bairro Batistini, em São Bernardo, e concorda que o conforto térmico atrapalha o rendimento das crianças na escola, e o calor é pior que o frio. “Nesse ano tinha lá um ventilador ‘meia boca’ que quebrou. O ventilador não funcionou por um tempo, aí complicava naquele calor insuportável, mas depois arrumaram. Eu acho que o desconforto maior é no calor, pois as salas são lotadas e sem ventilação e nem sempre o ventilador funciona, no frio pelo menos eles vão mais agasalhados, mesmo assim a gente se preocupa porque as doenças respiratórias nessa época aumentam muito, meu filho tem rinite alérgica forte e sofre nessa época”, completa.
O médico pneumologista e colaborador do Gepraps (Grupo de Estudos e Pesquisa Respiratória) do Centro Universitário da Faculdade de Medicina do AB, Victor Hugo Martins, diz que o conforto térmico, também ajuda a reduzir a transmissão de doenças dentro da escola. “Climatização adequada e a ventilação em salas de aula são fatores importantes para reduzir a transmissão de vírus, incluindo o da Influenza, especialmente em dias frios quando as janelas tendem a ficar fechadas. Reforçar a distribuição de álcool em gel nas escolas, promover a higienização frequente das mãos e garantir uma boa ventilação ajudam a diminuir o risco de transmissão de doenças respiratórias entre os alunos e professores. Seria um momento adequado para adotar essas medidas preventivas”, sugere o pneumologista.
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário
Seção: Cidades