Publicado em 10/06/2025 - 19:30 / Clipado em 10/06/2025 - 19:30
USCS participa de expedição pelo rio Tietê para analisar a qualidade da água em diferentes pontos
Entre os dias 9 a 13 de junho, uma expedição científica vai percorrer o rio Tietê da nascente à foz, reunindo pesquisadores de diversas universidades e instituições para coletar dados sobre a qualidade da água, a presença de microplásticos, pesticidas, fármacos e o impacto da poluição nos ecossistemas aquáticos.
A iniciativa é da Fundação SOS Mata Atlântica realizada em parceria com cientistas e pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC), da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA/USP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), com integrantes do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos), coordenado pela profª. Marta Marcondes. O grupo, além de realizar coletas nos pontos do rio, realizará as análises das amostras no laboratório de Análise Ambiental da Universidade.
O objetivo é identificar os pontos mais críticos ao longo do curso do rio e contribuir com o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à recuperação da bacia hidrográfica. Além das análises físico-químicas e microbiológicas, também será investigada a emissão de gases de efeito estufa – como o CO₂, associado à degradação da matéria orgânica nos rios. A iniciativa busca compreender as relações entre poluição, uso do solo, ausência de saneamento e os efeitos cumulativos da degradação ambiental na bacia do Tietê.
“O monitoramento contínuo tem um papel essencial para engajar a sociedade e manter o tema da água limpa na agenda pública. Mas só isso não é suficiente. O que temos visto ao longo dos anos é que, sem políticas públicas bem estruturadas, investimentos em saneamento e fiscalização eficaz, a qualidade dos nossos rios segue estagnada ou em retrocesso. Com a expedição, unimos a força da sociedade civil ao conhecimento acadêmico para ampliar esse diagnóstico e pressionar por ações concretas que revertam esse cenário”, afirma o geógrafo Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da SOS Mata Atlântica.
A expedição passará por 15 municípios do estado de São Paulo ao longo de cinco dias, incluindo ações educativas e de comunicação ao longo do percurso. A jornada começa em Salesópolis, onde o rio nasce, e segue por Mogi das Cruzes e Guarulhos. Depois, vai a Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Salto e Anhembi. No terceiro dia, o percurso continua por Botucatu, Barra Bonita e Bariri. No quarto, estão previstos pontos de coleta em Ibitinga, Promissão e Avanhandava. Por fim, a expedição encerra o trajeto em Pereira Barreto e Itapura, já na foz do Tietê, totalizando cerca de 1.030 quilômetros de rio monitorados.
“A expedição ao rio Tietê será uma oportunidade para que possamos visualizar e entender quais são as reais contribuições de áreas muito adensadas, urbanizadas, como na Região Metropolitana de São Paulo; de áreas rurais, como temos ao longo do rio Tietê; e das áreas que são áreas protegidas. Além disso, teremos uma radiografia do que está acontecendo ao longo do rio Tietê, da sua nascente à sua foz, por uma série de análises que irão possibilitar esse reconhecimento da qualidade de água do nosso rio Tietê”, explica a docente da USCS.
Três décadas de compromisso com o Tietê
A relação da Fundação SOS Mata Atlântica com o rio Tietê é longa e simbólica. Em 1993, após o surgimento do “Projeto Tietê”, criado pelo governo estadual em resposta à pressão da sociedade por meio de um abaixo-assinado com mais de 1,2 milhão de assinaturas, a organização lançou um programa de monitoramento independente da qualidade da água: o Observando o Tietê. Três décadas depois, a iniciativa se expandiu e deu origem ao Observando os Rios, um dos maiores programas de ciência cidadã do país, que já mobilizou mais de 20 mil voluntários.
Utilizando uma metodologia própria para medir o Índice de Qualidade da Água (IQA), o programa acompanha, ano a ano, a chamada “mancha de poluição” do Tietê e promove engajamento comunitário em defesa da água limpa. A nova ação com universidades e centros de pesquisa, apresentada agora, inaugura uma frente complementar dentro dessa mesma causa, reforçando o compromisso histórico da SOS Mata Atlântica com a recuperação dos rios brasileiros.
“Há anos os trabalhos da SOS Mata Atlântica têm mostrado que a qualidade da água no Brasil depende de um esforço conjunto de monitoramento, educação ambiental e pressão por políticas públicas. Agora, ampliamos essa atuação em parceria com a comunidade científica”, completa Veronesi.
Os resultados da expedição serão compartilhados com a sociedade em 22 de setembro, Dia do Rio Tietê, e poderão contribuir para o planejamento da gestão hídrica em São Paulo.
Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica: A Fundação SOS Mata Atlântica é uma organização da sociedade civil brasileira sem fins lucrativos. Fundada em 1986, tem como missão inspirar a sociedade na defesa do bioma mais devastado do país. Atua para promover políticas públicas para conservar e restaurar a Mata Atlântica, trabalhando de maneira integrada as temáticas de água, biodiversidade e clima. Monitora a situação das florestas e ecossistemas associados, além de trabalhar para recuperar áreas já degradadas. Também defende e cria políticas públicas em prol do bioma. Essa causa beneficia diretamente mais de 70% da população brasileira, que vive na Mata Atlântica e depende dela para ter qualidade de vida.
Sobre o Projeto IPH/USCS: Coordenado pela docente e bióloga, Profª. Marta Angela Marcondes, o IPH/USCS (antes chamado “Grupo Biguá de Educação Ambiental”, um dos grupos de monitoramento do projeto Observando os Rios do Projeto SOS Mata Atlântica) iniciou suas atividades de pesquisa na USCS em 2002. De lá para cá, processos foram, e seguem sendo aprimorados, equipamentos de última geração passaram a fazer parte dos estudos, permitindo resultados cada vez mais detalhados que contribuem com informações para toda a sociedade. O Projeto IPH/USCS estuda os seguintes corpos hídricos: Billings, Pinheiros, Tietê, Tamanduateí, Ribeirão dos Meninos, Ribeirão dos Couros, Ribeirão do Soldado, Mogi Mirim e reservatório Guarapiranga, sendo o mais antigo o rio Tamanduateí (desde 2003) e o mais atual o rio Pinheiros (desde 2019). O Projeto também atende a demandas específicas para projetos da comunidade.
Veículo: Online -> Site -> Site Folha de São Caetano
Seção: São Caetano