Publicado em 08/06/2025 - 06:50 / Clipado em 08/06/2025 - 06:50
São Caetano se consolida como centro do tênis de mesa no País
Fábio Júnior
Cidade ligada ao campeão mundial Hugo Calderano reúne estrelas, estrutura de primeira e tradição em conquistas

Considerada a ‘capital brasileira do tênis de mesa’, São Caetano se sobressai diante de todas as outras cidades em relação ao seu desenvolvimento e regularidade na formação de atletas para a modalidade, se firmando como o principal pólo da modalidade e impulsionando o crescimento no País. Há mais de 20 anos, o município é referência de metodologias e infraestrutura, interligando uma tradição vitoriosa com uma mentalidade vencedora.
Com apoio da CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa), São Caetano possui diversos atletas em atividade, atuando no mais alto nível pela Seleção Brasileira e conquistando títulos históricos, como o de Hugo Calderano, campeão da Copa do Mundo de Ténis de Mesa em 2025 e vice-campeão Mundial também este ano, se tornando a grande referência de uma geração de jovens esportistas.
Além de Calderano, São Caetano possui outros atletas de alta performance, como Bruna Alexandre (ouro nos Jogos Pan-Americanos e quatro bronzes na paralimpíada) e Laura Watanabe (campeã do TMB Platinum), além das irmãs Bruna e Giulia Takahashi (leia mais abaixo).
Francisco Arado de Armas, o Paco, cubano radicado no Brasil e que defendeu as cores da cidade entre 1997 e 1999, hoje trabalha como treinador e destaca a importância de São Caetano para o tênis de mesa brasileiro e o papel dos treinadores e clubes locais. “Acho que é um dos clubes que mais têm contribuído para o tênis de mesa do Brasil. Temos um grupo forte, no qual a maioria dos jovens tem um sonho. Temos espelhos que conseguiram ir para Jogos Olímpicos e resultados muito altos em nível internacional. Isso torna mais fácil o caminho para eles”, comentou Paco.
“A função do treinador não é só treinar ou ensinar a modalidade, mas também criar cidadãos e reeducar homens. Acho que esse investimento em material humano faz toda a diferença. É muito mais importante que as coisas físicas, como mesas, piso e iluminação”, destacou o ex-atleta.
Segundo Cazuo Matsumoto, mesa-tenista brasileiro que chegou a ser o número 45 do mundo em 2013 e vencedor de três medalhas de ouro no Campeonato Latino-Americano em 2009, a Prefeitura de São Caetano dá a sua contribuição em relação à estrutura, comissão técnica e a realização de campeonatos. Ele afirma que o Brasil já é uma potência mundial no esporte. “Hoje o Brasil é uma grande potência. Na América do Sul é a maior. Em qualquer lugar que você vá hoje, as pessoas veem o tênis de mesa do Brasil com outros olhos. Há uns dez anos, o pessoal falava: “Ah, é o Brasil”, diz. “Mas hoje não, o pessoal respeita um pouco mais”, finalizou.
A criação do PEC (Programa Esportivo Comunitário), projeto da Prefeitura de São Caetano, funciona como uma escolinha para o esporte – e também para outras modalidades. As pessoas da cidade podem usufruir de toda a estrutura. O projeto auxilia mais de 130 alunos, além de captar promessas para a modalidade. Uma delas é Rafael Suguimoto, 9 anos, que já desponta em campeonatos no cenário nacional. Ele é bicampeão brasileiro, campeão paulista e o sétimo colocado no ranking paulista.
Talento em dose dupla das Takahashi
Em meio à popularização do tênis de mesa no País, Bruna e Giulia Takahashi já são protagonistas no cenário internacional. Naturais de São Bernardo, as irmãs vêm acumulando conquistas importantes e ajudando a projetar no Brasil um esporte tradicionalmente dominado pelos jogadores asiáticos.
Conciliando técnica, disciplina, espírito competitivo e carisma, as atletas vieram de um ambiente familiar que sempre valorizou o esporte, e passaram a ser uma grande inspiração para os jovens. Bruna, 24 anos, afirmou que sempre se dedicou aos esportes. Praticou outras atividades, como natação, judô, ginástica, balé e badminton, mas acabou se interessando pelo tênis de mesa quando tinha apenas 8 anos, ficando impressionada pela rapidez e agilidade.
Durante a carreira, Bruna conquistou marcas importantes. Foi campeã da Copa Pan-Americana (2024 e 2025), medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos (2019 e 2023) e campeã do Campeonato Pan-Americano (2017, 2018, 2021 e 2022).
Já a irmã mais nova, Giulia, assistia algumas partidas apenas para acompanhar Bruna. Começou, então, a praticar o esporte apenas por brincadeira, o interesse foi crescendo e hoje o seu amor pela prática é imensurável. Ela tem como principais conquistas uma medalha de prata nos Jogos Pan-Americano (2023) e dois ouros no Campeonato Pan-Americano (2022 e 2024).
Agora, as irmãs buscam a classificação para os Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles, dedicando a maior parte do tempo em treinamentos físicos e na saúde mental.
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: São Caetano