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Publicado em 02/06/2025 - 19:25 / Clipado em 02/06/2025 - 19:25

São Caetano e São Bernardo puxam o Grande ABC no Índice de Progresso Social 2025, mas região tropeça em igualdade de oportunidades


Ranking aponta avanço homogêneo em educação e infraestrutura, porém escancara déficit de inclusão social e segurança—sobretudo em Mauá e Rio Grande da Serra

 

 

 

São Caetano do Sul é a cidade mais bem avaliada da região do Grande ABC

Foto: Divulgação/PMSCS

Por Jornal Folha

O novo relatório do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2025 traça um retrato nuançado do Grande ABC paulista. Entre as sete cidades avaliadas, São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo despontam, ocupando as posições 46ª e 49ª, respectivamente, no universo de 5 570 municípios brasileiros. Na outra ponta, Rio Grande da Serra figura apenas no 1 489º lugar, enquanto Mauá cai para 1 027º.

Apesar das disparidades internas, o estudo revela um padrão comum: todas as cidades avançaram em educação básica, acesso à informação e saneamento, mas ainda patinam quando o assunto é oportunidades econômicas, participação política e segurança pública.

 

Líderes regionais: PIB alto e políticas consolidadas

Com um PIB per capita que ultrapassa R$ 91 mil, São Caetano sustenta a melhor nota geral (68,38) e obtém o único indicador totalmente verde em “Necessidades Humanas Básicas”. Já São Bernardo—cujo PIB per capita é de R$ 69 mil—segue de perto (68,34) e surpreende por liderar o pilar “Oportunidades” (51,13).

“A combinação de renda elevada, redes de saúde amadurecidas e investimento consistente em cultura e esporte explica o desempenho”, avalia a socióloga Maria Helena Prado, consultora de políticas públicas e ex-integrante da equipe técnica do IPS.

 

Educação e bem-estar: ponto forte coletivo

O Fundamento do Bem-estar, que agrega educação, informação e meio ambiente, registra média regional de 71,7 pontos. Todas as sete cidades aparecem em verde para “Acesso ao Conhecimento Básico”, reflexo de boas notas no IDEB do ensino fundamental e da expansão da rede 4G/5G. Até mesmo Rio Grande da Serra, penúltima colocada no pilar, ostenta 81,07 pontos em alfabetização e abandono escolar sob controle.

 

Desigualdade de oportunidades: o calcanhar de Aquiles

O alerta vermelho acende em “Oportunidades”, cuja média regional é de apenas 43,7. Mauá amarga a pior marca (37,20) e exibe o único ícone vermelho em “Direitos Individuais”—sinal de baixa presença de mulheres e negros nos espaços de poder, além de atraso na tramitação de ações judiciais.

Diadema, Santo André e Ribeirão Pires também estacionam em amarelo nesse quesito, evidenciando que renda maior não se converte automaticamente em igualdade de chances.

 

Segurança e saúde: riscos que atravessam fronteiras municipais

Outro ponto sensível é a Segurança Pessoal. Nenhuma cidade recebe selo verde em mortes violentas; homicídios de jovens e violência contra mulheres persistem em amarelo ou vermelho. A ingestão de alimentos ultraprocessados, monitorada no pilar Saúde, puxa para baixo as notas de toda a região e expõe novos desafios de saúde pública.

 

Recomendações do estudo

O time do IPS sugere três frentes prioritárias:

 

  • Incluir quem ficou de fora

 

  • Cotas e bolsas locais para mulheres, negros e indígenas em universidades e cargos públicos.

 

  • Incubadoras de empreendedorismo feminino e racial.

Reduzir a violência

  • Ampliação de patrulhas comunitárias e iluminação de áreas críticas.

Programas esportivos e culturais em bairros com maior taxa de homicídios.

Transformar qualidade educacional em salário alto

  • Acordos com parques tecnológicos para absorver egressos do ensino técnico.

  • Fomento à inovação e à economia criativa, sobretudo em São Caetano e São Bernardo, que já detêm infraestrutura.

 

O que esperar

O histórico do IPS mostra que municípios envolvidos em consórcios intermunicipais—caso do Grande ABC—têm maior capacidade de replicar boas práticas. Se as cidades líderes compartilharem know-how em gestão fiscal e políticas de inclusão, o fosso interno poderá encolher até 2030, prazo sugerido pelos autores do relatório para atingir metas mínimas de paridade de gênero e redução de homicídios.

Enquanto isso, o ranking de 2025 cumpre seu papel de “espelho” e aponta o caminho: os próximos saltos sociais virão, menos da expansão de infraestrutura, e mais da efetivação de direitos e oportunidades para quem ainda não as tem.

 

https://folhajornal.com.br/news/b7e8900d-0b5e-4b67-bc74-812e64c288d7

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Seção: Cidades