Publicado em 01/06/2025 - 06:28 / Clipado em 01/06/2025 - 06:28
Contra o Alzheimer, São Caetano aposta em Jardim Terapêutico
Atividades gratuitas estimulam a interação social em busca do resgate de memórias e da recuperação cognitiva de idosos atendidos na cidade
Lays Bento

Quando a memória falhava e os pacientes sequer queriam sair de casa, quem não se conformava era a psicóloga Márcia Neves, há 21 anos por trás do atendimento nos Cises (Centros Integrados de Saúde e Educação) da Prefeitura de São Caetano. O quadro tem sido outro, segundo ela, a partir do lançamento do Jardim Terapêutico – projeto que investe no plantio de ervas e jogos como forma de impedir os avanços do Alzheimer e demência nos idosos da cidade.
De acordo com dados divulgados pelo Diário no começo do ano, os atendimentos ambulatoriais ao Alzheimer cresceram no Grande ABC em 78% de 2023 para o ano passado, segundo a Secretaria de Saúde do Estado. A incidência mobilizou a Comtid (Coordenadoria Municipal da Terceira Idade) que, durante três meses, pensou soluções junto a voluntários da Art Sênior e da UFABC (Universidade Federal do ABC).
Na iniciativa, o primeiro grupo se tornou responsável pela confecção de artefatos artesanais que estimulam a cognição da terceira idade. Já o Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica Acadêmico doou e realizou o plantio de mudas na horta do Cise Dr. Moacyr Rodrigues (bairro Santa Paula) – onde opera o projeto-piloto da ação. “Estamos na quarta sessão. A ideia é que a gente encerre no décimo encontro. Esta primeira leva será direcionada a cursos dos outros Cises. A seguir repetiremos o processo”, explica Márcia.
Segundo ela, os integrantes chegam por indicação das UBSs (Unidades Básicas de Sáude) e Caps (Centros de Atenção Psicossocial), após falta de resultados em psicoterapias convencionais. Em fomento alternativo, a coordenadora do Jardim Terapêutico, Adriana Martins, destacou que até pacientes de 91 anos têm apresentado resultados.
MEMÓRIA AFETIVA
Maria da Conceição Leite Rossi, 83 anos, coleciona orquídeas em casa e adorou a proposta de cultivar no Jardim Terapêutico itens diferentes como manjericão, babosa, hortelã, pimenta, mastruz, lavanda, alho e cânfora no espaço. “Aqui é um tratamento de prevenção também (ela é diagnosticada com Alzheimer). A gente passa a guardar mais coisas boas. Já trabalhei em tudo nesta vida, inclusive, empregada doméstica, mas só aqui aprendi que uma troca amorosa em referência ao trabalho dos voluntários) é que é realmente produtiva”, opina, em consonância com Arminda da Conceição, 77. “Quem cuida da gente é o melhor daqui. Saímos leves”, complementa.
O sentimento é partilhado por Rubens Benedito Maurício, 80. Ex-metalúrgico, ele foi indicado para participação no Jardim após uma piora no quadro de depressão que desenvolveu na terceira idade. “Parece que agora a minha mente começa a ficar bem. Acredito que este contato, em torno da horta circular, faz a gente ir evoluindo”, destaca.
Luzia Togianetti, 79, é acompanhada pelo marido para as sessões devido os quadros de demência. “Isto se tornou minha atividade favorita depois de ir para a praça com meu esposo (Luiz Togianetti, 83) fazer exercício perto de casa. Gosto de tudo aqui, porque cada detalhe tem feito a gente feliz”, ressalta.
Geraldo Alves Oliveira, 71, destacou ao Diário sua oportunidade de evoluir no espaço. “Memória, principalmente. Mas as amizades aqui também são um ganho. Isto me motivou a continuar também meu estudo de idiomas (no ano passado, ele aprendeu alemão e francês, após a fluência em espanhol; este ano deve retomar o italiano)”, finaliza o operário aposentado.
https://www.dgabc.com.br/Noticia/4237185/contra-o-alzheimer-sao-caetano-aposta-em-jardim-terapeutico
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: Setecidades