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Publicado em 27/05/2025 - 18:40 / Clipado em 27/05/2025 - 18:40

Casos de dengue caem 48% no ABC, mas especialistas alertam: risco continua


Pedro França 

 

Os casos de dengue caíram 48% no ABC entre janeiro e abril de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento foi feito com base nos dados oficiais de Ribeirão Pires, Santo André, São Bernardo e Rio Grande da Serra que contabilizaram 15,4 mil casos em 2024, contra pouco mais de 8 mil até este momento neste ano. Diadema, Mauá e São Caetano não responderam à reportagem, mas dados estaduais mostram que a doença ainda exige atenção.

A queda ocorre no rastro da entrada da vacina contra a doença no Sistema Único de Saúde (SUS), aplicada inicialmente em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos — justamente o grupo com maior número de hospitalizações por dengue nos últimos anos.

Entre os municípios que apresentaram queda, São Bernardo se destaca com a maior redução absoluta: foram 6.482 casos nos primeiros quatro meses de 2024 contra 1.461 em 2025, uma diminuição de 77,5%. O número de mortes também caiu, de nove óbitos em 2024 para dois em 2025. A cidade tem adotado tecnologia de ponta no combate ao mosquito Aedes aegypti, como o uso de drones e nebulizadores, além de realizar visitas diárias a imóveis. Mais de 312 mil vistorias foram realizadas desde janeiro.

Outro destaque é Ribeirão Pires, que registrou queda de 81% nos casos: foram 602 infecções no ano passado (387 autóctones e 215 importadas), com um óbito, contra apenas 115 registros neste ano, sem nenhuma morte. A cidade utiliza 900 armadilhas Biovec In2Care para capturar e eliminar o mosquito, além de promover ações educativas e bloqueios constantes em áreas de risco.

Mesmo sem dados completos de 2024, Rio Grande da Serra manteve números baixos em 2025: foram apenas seis confirmações entre janeiro e abril, sendo cinco importadas e apenas uma autóctone. A cidade reforçou campanhas educativas e intensificou as vistorias domiciliares.

Santo André também apresentou queda significativa. Foram 8.377 casos confirmados entre janeiro e abril de 2024 contra 2.658 no mesmo período de 2025, o que representa uma redução de 68,3%. Neste ano, foram registrados 1.535 casos autóctones e 123 importados, enquanto no ano anterior eram 8.064 autóctones e 313 importados. Os óbitos também diminuíram, passando de cinco para apenas um em 2025. A cidade atua com ações permanentes de prevenção, como visitas casa a casa, eliminação de criadouros, tratamento de larvas em locais estratégicos (cemitérios, recicladoras, terrenos baldios), além de ações educativas em escolas, parques e vias movimentadas. Também há uma Brigada contra o Aedes formada por mais de 260 órgãos e 780 brigadistas.

Embora as prefeituras de Diadema, Mauá e São Caetano não tenham respondido à reportagem, os dados estaduais mostram 2.054 casos autóctones em Diadema, 1.211 em Mauá e 529 em São Caetano apenas nos quatro primeiros meses de 2025.

Apesar da queda expressiva na região, especialistas reforçam que a população deve manter os cuidados, mesmo com a chegada do inverno. O infectologista Juvêncio Furtado, do Centro Universitário FMABC, explica que, com o aquecimento global, há aumento na eclosão dos ovos do mosquito mesmo nas estações mais frias, o que pode gerar novos surtos. Já a parasitologista Alaíde Mader Braga Vidal, também da FMABC, destaca que o Aedes aegypti se prolifera em ambientes quentes e úmidos, e que é necessário manter a prevenção o ano todo.

As orientações seguem as mesmas: cobrir tonéis e caixas d’água, manter calhas limpas, guardar garrafas com a boca para baixo, manter lixeiras bem tampadas, usar telas nos ralos, lavar semanalmente pratos de vasos de plantas ou eliminá-los, higienizar os potes de água dos animais e esvaziar bandejas de geladeiras.

Além da dengue, o Aedes aegypti transmite chikungunya e zika. A dengue costuma causar febre alta, dores no corpo, dor atrás dos olhos e erupções na pele. A chikungunya provoca febre e fortes dores nas articulações, enquanto a zika é caracterizada por febre leve, manchas no corpo e mal-estar. Ao notar qualquer sintoma, é fundamental procurar atendimento médico.

 

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Seção: Cidades