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Publicado em 25/05/2025 - 07:57 / Clipado em 25/05/2025 - 07:57

Ribeirão Pires e Santo André lideram em instalação de radares no ABC


Henrique Araújo

 

O número de radares eletrônicos aumentou em dois municípios do ABC entre 2024 e 2025. Ribeirão Pires foi a cidade com o maior salto, de 8 para 14 dispositivos fixos, enquanto Santo André ampliou de 67 para 76 o total de equipamentos. Na contramão, Diadema e São Bernardo tiveram redução na estrutura de fiscalização. Rio Grande da Serra permanece sem nenhum radar instalado.

Em Ribeirão Pires, a estrutura quase dobrou em um ano. Atualmente, são 14 equipamentos fixos, divididos entre 7 que fiscalizam velocidade e avanço de sinal, um apenas avanço, 3 lombadas eletrônicas e 3 que monitoram velocidade. Além do reforço tecnológico, o município intensifica as ações educativas com apoio da Guarda Civil Municipal e de agentes de trânsito, que atuam nas vias e nas escolas, com atividades lúdicas voltadas à conscientização desde a infância.

Santo André ampliou a estrutura em nove pontos, total de 76 equipamentos fixos em 2025. De acordo com a Prefeitura, 19 radares monitoram excesso de velocidade, 9 acumulam essa função com a de avanço de sinal vermelho e 43 atuam exclusivamente no avanço de semáforo. A cidade adota ações integradas de prevenção, com destaque para a instalação da Faixa Azul para motociclistas, já implantada em vias como a avenida Prestes Maia e a avenida Dom Jorge Marcos de Oliveira. Operações educativas, distribuição de materiais informativos e cursos de direção defensiva complementam as medidas.

Em Diadema, houve redução de 42 para 37 equipamentos de fiscalização no último ano. Atualmente, o município mantém 16 radares de velocidade, 20 de semáforo vermelho com velocidade e uma lombada eletrônica. Apesar da diminuição, a cidade mantém agenda de educação no trânsito, com atividades em escolas, vias públicas e terminais de ônibus. Neste Maio Amarelo, a campanha “Desacelere Seu bem maior é a vida” leva intervenções teatrais, jogos e oficinas lúdicas aos espaços públicos.

Sem radares móveis

São Bernardo também apresentou leve redução, de 160 para 154 radares fixos. Todos os equipamentos são estáticos, já que o município não utiliza radares móveis. Do total atual, 41 fiscalizam velocidade, 53 registram avanço de sinal vermelho, 19 acumulam ambas as funções e 41 atuam em monitoramentos específicos, como altura, faixa exclusiva de ônibus e ações educativas. Seis desses são voltados exclusivamente à orientação da população. A cidade segue com campanhas de conscientização, com foco na humanização do trânsito.

Por fim, Rio Grande da Serra confirma que continua sem qualquer tipo de radar eletrônico instalado, não sendo possível, portanto, atender a demandas relacionadas à fiscalização automatizada. A segurança no trânsito é feita presencialmente por agentes municipais.

As prefeituras de São Caetano e Mauá não responderam até o fechamento da reportagem.

Reclamações em São Caetano

Assim como já reportado pelo RD, o ABC recebe reclamações sobre pontos de radares que geram desconfiança na população. Em São Caetano, por exemplo, motoristas afirmaram no começo de maio serem multados injustamente por avanço de sinal em diversos pontos da cidade. O principal alvo das reclamações foi o radar instalado no cruzamento da rua Baraldi com a rua Manoel Coelho, no Centro, onde condutores relatam ter sido autuados mesmo após atravessarem o semáforo ainda aberto.

Um dos motoristas (que preferiu não se identificar) informou que entrou com recurso após ser multado nesse local, mas teve o pedido negado. Afirma que cruzou o semáforo no verde e que o sinal mudou para amarelo durante a conversão para a rua Manoel Coelho. Ainda assim, recebeu multa.

Já Anderson Cordeiro, de 30 anos, diz que não possui histórico de infrações por avanço de sinal na cidade, e que sofreu a primeira infração na região. “Fiquei desconfiado, pois tinha certeza de que não avancei o farol. Agora, com esses relatos, vejo que a multa pode ter sido injusta.”

O cruzamento entre as ruas Augusto de Toledo e João Pessoa também foi citado como problemático. Quem trafega pela João Pessoa no sentido Estação encontra uma faixa de pedestres, seguida por um espaço onde cabe um carro antes do cruzamento. Mesmo parados nesse ponto, sem ultrapassar o farol vermelho ou invadir a faixa, motoristas relatam ter sido multados. “Fiquei exatamente no espaço antes do farol, sem cruzar o sinal e sem ocupar a faixa de pedestres, e fui multado duas vezes. É uma pegadinha”, afirma Cordeiro.

A Prefeitura de São Caetano informa em nota que a Semob (Secretaria de Mobilidade Urbana) realiza mensalmente a verificação do funcionamento dos radares instalados na cidade.

Educação e tecnologia

Para Ednilson França Santos, representante do Departamento de Mobilidade Urbana de Ribeirão Pires, o avanço tecnológico dos radares representa um importante aliado na fiscalização, mas não substitui o papel da educação no trânsito. Santos destaca que os dispositivos mais modernos detectam infrações a até 100 metros de distância, com câmeras de alta resolução integradas a sistemas de inteligência artificial. “Hoje, já existem radares que identificam o uso de celular ao volante com muito mais precisão”, explica.

Além da função punitiva, o especialista ressalta que essas ferramentas também colaboram com a segurança pública, ao identificar veículos com pendências legais ou registros de furto e adaptar a operação ao fluxo do tráfego em tempo real. No entanto, segundo ele, a mudança de comportamento ainda é o principal objetivo. “Campanhas educativas exercem papel essencial na conscientização e na transformação da conduta dos usuários”, afirma.

 

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Seção: Cidades