Publicado em 21/05/2025 - 08:05 / Clipado em 21/05/2025 - 08:05
Pelo menos 29 agressores de mulheres são presos este ano no ABC graças a rede de proteção
George Garcia
O aplicativo ANA, uma ferramenta de amparo para a mulher que foi vítima de violência, foi acionado mais de 100 vezes na região somente nos primeiros quatro meses deste ano. Os números de mulheres que são acompanhadas pelos programas de proteção e de prisões de agressores são crescentes no ABC, que teve pelo menos 29 agressores de mulheres presos só este ano. Nesta terça-feira (20/05) a prefeitura de Mauá anunciou que também vai usar o aplicativo para acompanhamento das mulheres com medidas protetivas.
Em Santo André, por exemplo, são 1.672 mulheres são acompanhadas, sendo que 357 entraram no programa esse ano. Em quatro meses de 2025, 15 agressores foram presos com o acionamento da rede de proteção em solo andreense.
Em outras cidades não é diferente. Em Ribeirão Pires o botão do pânico do aplicativo Ana foi acionado 30 vezes no ano passado e 18 vezes neste ano em menos de cinco meses de 2025.
A prefeitura de São Bernardo informou que considerando o acionamento do botão do pânico mais os chamados que chegam à central de atendimento via whatsapp, somam somente este ano 785 pedidos de socorro de mulheres. Foram efetuadas no período 12 prisões de agressores. A prefeitura não informou quantas mulheres são acompanhadas pelo programa. Em São Caetano dois homens foram presos neste ano, após o acionamento do botão do pânico. O sistema acompanha 39 mulheres na cidade.
Em Mauá onde o sistema ANA foi apresentado nesta terça-feira (20/05) as mulheres que já eram acompanhadas pela Guarda Municipal através do programa Viva Maria, poderão instalar o programa, assim como acontecerá com outras que ingressarem no programa de proteção. A vítima precisa acionar o botão apenas duas vezes para que um alarme seja disparado na Central de Operações da GCM. Imediatamente, duas viaturas mais próximas do local — identificado via GPS do celular da vítima — são deslocadas para atender à ocorrência. O chamado registra o local do acionamento, o endereço da vítima, fotos dela e do agressor, além de dados pessoais e informações sobre os boletins de ocorrência que motivaram a concessão da medida protetiva pela Justiça.
A secretária de Políticas Públicas para Mulheres de Mauá, Cida Maia falou do avanço com a utilização do aplicativo. “No primeiro trimestre do ano, registramos 81 medidas protetivas, que acompanhamos de perto, com rondas e atendimento na Rede Viva Maria. A partir deste lançamento, vamos buscar essas vítimas para que baixem o aplicativo e sejam orientadas sobre seu funcionamento. Pessoas com novas medidas já serão automaticamente incluídas no programa”, explicou.
Ferramentas
A delegada Renata Cruppi, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Diadema, considera que os aplicativos usados atualmente, tanto o ANA como o SP Mulher Segura, do governo do Estado, são ferramentas importantes que merecem uma avaliação dentro de algo muito maior que é a rede de proteção da mulher. “Os aplicativos são bem eficientes e funcionam muito bem. Com o botão do pânico elas conseguem acionar com facilidade, mas não podemos colocar toda a responsabilidade nos aplicativos, há necessidade de ter essa rede de apoio, que outras pessoas, que percebam a aproximação do agressor, avisem a mulher para que ela acione o botão com um pouco mais de tempo, porque pode acontecer dela ser surpreendida e não ter o tempo hábil para desbloquear o aparelho, ou o agressor tirar o aparelho dela”, aponta.
Para a delegada é importante que a mulher tenha, como telefones de emergência salvos no celular, o contato de pessoas próximas e de confiança, que podem ser acessados sem que o celular seja desbloqueado. “Acionando o aplicativo SP Mulher Segura uma viatura da Polícia Militar é acionada e chegará com mais agilidade e essa mulher terá uma redução dos seus riscos, mas importante dizer que, além dos aplicativos, ela precisa ter uma rede de apoio que ela possa acionar o mais rápido possível”, diz.
Quando a viatura chega até o local onde a mulher está e o indivíduo, alvo da medida protetiva, é encontrado no mesmo local ou nas imediações ele é levado para a delegacia, se não for encontrado é aberta uma investigação para apurar o descumprimento ou não da medida protetiva. Segundo Renata Cruppi, vários elementos são usados para ajudar o delegado a tomar a providência adequada. O acionamento do botão do pânico é um destes elementos, testemunhos e a alegação dos policiais que atenderam a ocorrência são outros. “O aplicativo é um meio de acionamento das forças de segurança, mas os policiais e testemunhas serão elementos chaves para que possamos autuar esse indivíduo, quer seja em flagrante ou prisão cautelar. Só o aplicativo, isoladamente, não vai surtir efeito de cerceamento de liberdade, mas é um caminho que vai contribuir para que ele seja autuado ou investigado”, completa a delegada.
Planejamento
Diadema não tem um sistema de botão de pânico para auxiliar mulheres vítimas de violência e que tenham medidas protetivas contra os agressores, mas a prefeitura já estuda um sistema para ser implantado, mas não ha prazos. “O atendimento é realizado de forma direta e emergencial por meio da Central de Operações da GCM (Guarda Civil Municipal), além de fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas das mulheres que optam por participar do programa. Esse acompanhamento inclui visitas periódicas às vítimas assistidas, bem como contato contínuo com a Central de Operações e ligações telefônicas realizadas pela equipe da patrulha. Entre as ações previstas, destaca-se a criação do aplicativo ‘Mulher Segura’ voltado à denúncia de situações de risco, especialmente em vias públicas, pontos de ônibus e no transporte coletivo. A prefeitura também pretende estabelecer parcerias com a Delegacia da Mulher e promover encontros, seminários e campanhas educativas para enfrentar e combater a violência, além de fortalecer a Casa Beth Lobo”, diz o paço diademense, em nota.
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Seção: Cidades