Publicado em 15/04/2025 - 19:30 / Clipado em 15/04/2025 - 19:30
Cidade do ABC Paulista ameaça cassar mandato da única mulher na Câmara
São Caetano do Sul decidirá nesta terça-feira (15/4) se instaura comissão processante que pode resultar na cassação do mandato de Bruna Biondi, do PSOL
Bruno Hoffmann

A vereadora Bruna Biondi pode enfrentar um processo de cassação em São Caetano do Sul | Divulgação
A Câmara de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, decidirá na tarde desta terça-feira (15/4) se instaura uma comissão processante que pode resultar na cassação do mandato de Bruna Biondi (PSOL), a única vereadora mulher da Casa e parte da oposição ao prefeito Tite Campanella (PL).
Entre os 21 vereadores, apenas três formam a oposição ao atual chefe do Executivo municipal. Ela também foi a parlamentar mais bem votada nas eleições do ano passado.
O que aconteceu
O pedido de abertura do processo contra ela foi feito por César Oliva (PSD), líder da base aliada de Campanella, após Biondi criticar a concessão de título de cidadão sul-caetanense a Daniel Contro, diretor do colégio Liceu Jardim, de Santo André, acusado de racismo e LGBTfobia.
Em 2021, durante uma palestra, Contro disse que “ciganos, homossexuais, criminosos" atacam “valores tradicionais da família judaico-cristã”.
Com a repercussão, a instituição de ensino publicou uma nota em que garantiu que tem como ideário pedagógico “a tolerância e o respeito à diversidade de raça, crença, gênero e condição social" e que respeita "a pessoa e sua liberdade de escolha - uma das mais sagradas conquistas da civilização".
Lawfare
Segundo a assessoria da parlamentar, ela é vítima de uso de mecanismos legais como forma de perseguição e de mulheres na política, prática conhecida como law fire, já que o processo teria chegado dias depois de ela vencer na Justiça comum um colega da base governista por violência política de gênero.
Conforme publicado no Diário Oficial do Município na última sexta-feira (11/4), tanto Oliva quanto Biondi estão impedidos de participar da votação por serem partes diretamente envolvidas no processo. Suplentes dos dois parlamentares deverão ser convocados para ocupar seus lugares durante a sessão.
Ainda segundo a assessoria da parlamentar, método adotado, de abrir uma comissão processante com o afastamento da acusada e autor do pedido, é inédito na Câmara de São Caetano.
A Gazeta tentou entrar em contato com a Câmara Municipal de São Caetano do Sul, e está aberta para manifestações da Casa.
Veículo: Online -> Site -> Site Gazeta de S.Paulo
Seção: Política