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 Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP

Publicado em 13/04/2025 - 08:52 / Clipado em 13/04/2025 - 08:52

Tite organiza São Caetano para, só então, fazer entregas de impacto


No balanço dos 100 primeiros dias do liberal na Prefeitura, reintegração da cidade ao Consórcio Intermunicipal se torna principal destaque


Evaldo Novelini

 

 

Prefeito de São Caetano, Tite Campanella (PL) recebeu o repórter do Diário em seu gabinete no segundo piso do Palácio da Cerâmica, sede do Poder Executivo municipal, em uma quente manhã de fins de março, e, após as cordialidades de praxe, foi logo avisando ao visitante que não esperasse nenhuma informação bombástica sobre a razão do encontro, o balanço dos 100 primeiros dias de seu governo, alcançados em 10 de abril. O período, justificou o anfitrião, foi usado para entender a situação dos cofres públicos e reestruturar a administração.

“Não vou fazer nenhuma entrega grandiosa”, declarou Tite. “Estamos fazendo coisas para longo prazo”, completou. O freio de mão puxado no início da administração, argumentou o prefeito, é consequência direta da montanha de dívidas herdadas do antecessor, José Auricchio Júnior (PSD), do qual foi o candidato oficial no pleito de outubro.

Com R$ 825 milhões de contas a pagar, Tite focou em medidas de austeridade fiscal. A primeira delas foi contingenciar 12% do Orçamento deste ano, estimado em R$ 2,6 bilhões, visando uma economia entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões. Na sequência, determinou a revisão de todos os contratos fechados no ano passado por Auricchio.

Embora eleito sob a bênção do ex-prefeito, Tite iniciou a administração demonstrando independência. Logo de cara, baseado em diagnóstico de inviabilidade técnica e orçamentária, anunciou o sepultamento de um dos projetos mais caros a Auricchio, o Pronto Cardio, hospital cardíaco municipal de alta complexidade.

“Os custos envolvidos na manutenção do serviço, se viesse a ser concretizado, nem a cidade de São Caetano conseguiria assumir”, disse Tite, sobre os R$ 42 milhões anuais de custeio. “É um projeto inviável”, sentenciou.

Como o Pronto Cardio foi “inaugurado” por Auricchio sem condições de funcionar – faltava, inclusive, o sistema de abastecimento de energia –, Tite pediu 150 dias para apresentar uma alternativa viável para ocupar o prédio.

A informação sobre o futuro do Pronto Cardio deve vir acompanhada de outras duas entregas, estas sim consideradas grandiosas pelo prefeito: o Centro Educacional, Esportivo e Cultural do Bairro Mauá, com capacidade para 600 alunos, e o Complexo de Atenção à Pessoa com Deficiência, no bairro Santa Maria. “São para o finalzinho de abril, comecinho de maio”, estimou Tite.

A reorganização da administração passou também pela retomada de laços multilaterais que haviam sido rompidos pela gestão anterior. Nesta área, a maior conquista de Tite, que teve apoio inclusive da oposição na Câmara, foi recolocar a cidade no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. “Existem muitas coisas que a gente pode fazer em conjunto”, finalizou, citando projetos nas áreas da segurança, mobilidade e combate às enchentes.

‘Economia vai depender do carbono por mais 50 anos’

O processo de descarboniza-ção da economia global não preocupa o prefeito Tite Campanella (PL), de São Caetano, cujos cofres são abastecidos, em grande parte, por tributos oriundos de duas empresas que integram a cadeia de combustíveis fósseis. General Motors e Transpetro pagam anualmente de R$ 160 milhões a R$ 200 milhões ao erário municipal apenas em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

“Acho que ainda vamos depender durante muitos anos da economia de carbono e dos combustíveis fósseis. Não vejo como nos livrar dessas duas matrizes, pelo menos, nos próximos 50 anos”, responde Tite ao ser questionado sobre se a cidade está preparada para a transição energética que o mundo ensaia e pode comprometer a arrecadação de São Caetano.

O Brasil busca zerar as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) até 2050, substituindo os combustíveis fósseis por alternativas mais limpas, como a energia elétrica, mas Tite desconfia da viabilidade da meta estipulada pela União.

“Enfrentamos sérios gargalos de fornecimento de energia. Costumo brincar que se no meu prédio todo mundo tivesse veículo elétrico e ligasse ele na tomada para carregar ao mesmo tempo, não teríamos abastecimento de energia para isso”, ilustra o prefeito, lembrando que o Brasil optou pela economia de carbono ao abandonar, por exemplo, o programa de energia nuclear.

“Não vejo, em curto prazo, como vamos conseguir nos livrar do óleo, do petróleo, da gasolina. A cidade tem essa dependência, apesar de estarmos fazendo alguns movimentos em busca de alternativas. Mas ainda não está muito claro de que maneira São Caetano vai se inserir nesse processo e nesse contexto”, diz Tite.

Além da contar com a sede administrativa e o Centro Tecnológico da GM, na Avenida Goiás, onde faz Tracker, Spin e Montana, São Caetano tem o entreposto da Transpetro, no bairro Prosperidade, responsável por receber, armazenar e transferir combustível entre refinarias e distribuidoras.

 

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Seção: Política