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 Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP

Publicado em 12/04/2025 - 08:13 / Clipado em 12/04/2025 - 08:13

Ele destruiu duas famílias, afirma mãe de jovem que morreu atropelada em São Caetano


Funeral de Isabelli e Isabela comoveu moradores; amigas inseparáveis foram sepultadas lado a lado nesta sexta-feira


Gabriel Gadelha
Especial para o Diário

 

O velório e sepultamento das jovens Isabela Priel Regis e Isabelli Helena de Lima Costa, ambas de 18 anos, emocionou familiares e amigos nesta sexta-feira (11), em São Caetano. As duas foram atropeladas e mortas por um carro em alta velocidade enquanto atravessavam uma faixa de pedestres, por volta das 23h da quarta-feira (9), na Avenida Goiás. Elas foram enterradas lado a lado no Cemitério da Saudade, também na cidade.

Isabela estava prestes a concluir um curso técnico em enfermagem e começaria um cursinho preparatório para medicina neste fim de semana. O sonho dela, segundo o pai, Marcos Antônio dos Santos Regis,era ser pediatra. “Ela era muito carinhosa com as crianças da família, com meu neto, com o sobrinho dela. Estamos arrasados com o que aconteceu”, disse.

Isabelli também estava dando os primeiros passos na vida adulta. Tinha conseguido o primeiro emprego e começaria a trabalhar na próxima segunda-feira (14). A mãe, Claudilene Helena de Lima, contou que a mudança para São Caetano foi feita justamente pensando em dar melhores oportunidades para a filha. “Vim morar em São Caetano, pagando aluguel, para dar uma vida melhor para minha filha, não para ver ela dentro de um caixão como eu vi hoje (ontem). Não era isso que eu queria para ela”, afirmou.

Segundo a Polícia Civil, as adolescentes foram atingidas por um Honda Civic que supostamente disputava um racha com outro carro, um GM Onix branco, de acordo com o depoimento de uma testemunha. O motorista do Civic, Brendo dos Santos Sampaio, 26 anos, acabou preso em flagrante e vai responder por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar. Ele fez o teste do bafômetro, mas o resultado deu negativo para o consumo de álcool.

Durante audiência de custódia realizada no dia seguinte ao acidente, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. O juiz responsável pela decisão destacou o “desrespeito e a falta de empatia com as outras pessoas, bem como o desprezo às regras sociais e de convivência”, considerando a gravidade da conduta e a necessidade de manter o acusado preso para garantir a ordem pública. No documento, o magistrado citou que o carro envolvido estaria modificado e trafegava em altíssima velocidade.

Para o pai de Isabela, a decisão representou um conforto em meio à dor. “A gente sabe que vão tentar habeas corpus, mas foi um alívio, sim. Dormimos um pouco mais tranquilos, sabendo que isso pode também servir de exemplo para os outros”, disse. Ele também se emocionou ao lembrar da amizade entre as meninas. “Elas trocavam roupas, dividiam contas, dormiam uma na casa da outra. Viviam a vida de adolescentes felizes.”

Com a voz embargada, Claudilene pediu justiça e criticou a possibilidade de o acusado ser solto, como já ocorreu em outros casos semelhantes no próprio município. “A gente quer é que ele continue preso. Porque aqui em São Caetano teve um caso na (Avenida) Kennedy. O motorista foi preso, mas já está solto. Não é isso que queremos. Ele destruiu duas famílias. Eu falo pela outra família também, com certeza: duas famílias foram destruídas”, afirmou ela.

O caso citado pela mãe de Isabelli é o de Geovanna Viana Lima, 19 anos, morta ao ser atropelada na Avenida Kennedy por Arthur Franklin Moita, 35, que estaria disputando um racha e estava embriagado no momento do acidente. O episódio ocorreu no dia 10 de maio de 2024.

DEFESA

De acordo com os advogados Francisco Ferreira e Thaís Vianna, que defendem o motorista preso, o caso “foi uma fatalidade”. Eles alegam que as vítimas, Isabela e Isabelli, atravessaram a via quando o semáforo ainda estava fechado para elas e que o estudante não as viu. “Ele prestou socorro no mesmo momento, não se evadindo do local. E o teste para embriaguez deu negativo”, completaram os defensores.

 

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