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 Site Repórter Diário - Santo André/SP

Publicado em 29/03/2025 - 07:54 / Clipado em 29/03/2025 - 07:54

Sindicato atribui redução de pessoal aos acidentes no Polo Petroquímico


POR REDAÇÃO

 

Emissão de resíduos às vezes manifestado como pó preto, outras como pó branco, ruído alto de alívio de pressão nas tubulações, clarões durante a noite e odores, essa é a realidade de quem mora no entorno do Polo Petroquímico de Capuava, que fica na divisa entre os municípios de Santo André, Mauá e São Paulo. Inquérito epidemiológico realizado em 2023, durante a realização da CPI da Poluição Petroquímica, realizada pela Câmara de São Paulo, não trouxe conclusões de que problemas de saúde que afetam a população do entorno teriam de fato.

Origem nas empresas do Polo, porém, só a Braskem, a maior empresa do conglomerado industrial, foi multada 13 vezes nos últimos cinco anos. Em 2023 uma explosão durante manutenção em um tanque da empresa matou dois operários e o Sindicato dos Químicos do ABC aponta a redução no número de funcionários como uma das causas da emissão de poluentes fora dos padrões e acidentes.

“Tenho 40 anos de atuação no polo e antes não ocorriam acidentes como acontecem agora. A comunidade do entorno sofre com o barulho de vapor que acontece quando tem algum distúrbio no sistema e ele precisa ser aliviado da pressão. Antes se a empresa tinha dez funcionários para cuidar da manutenção, hoje tem três, sendo que dois são inexperientes. Quando acontece alguma coisa a empresa culpa o trabalhador”, explica o diretor do sindicato e coordenador da área do Polo Petroquímico, Joel Santana de Souza. “Estamos trabalhando para montar um comitê para pressiona a empresa, mas ela reage com uma caça às bruxas, cortando cabeças e isso não ajuda na empregabilidade”, completa o sindicalista.

Nas Câmaras de vereadores das três cidades há repercussões. Além da CPI da Câmara paulistana, em Santo André, as reclamações não param de chegar. Segundo o vereador Ricardo Alvarez (PSol) os problemas que chegam à Casa relacionados ao Polo são rotineiros. “Temos recebido, em especial pelos grupos de Whatsapp, fotos e reclamações de clarões e odor. Está do mesmo jeito, as reclamações se repetem, é o de sempre”, relata o parlamentar.

Apesar das reclamações chegando em fluxo constante, o vereador descarta uma CPI, como fez o Legislativo paulistano. “Não existe a menor chance disso (CPI). O Polo é um agrupamento de empresas diverso e heterogêneo, cujas ações são desarticuladas e individualizadas. Há um passivo histórico que exige investimentos para mitigar os efeitos na saúde e no meio ambiente, mas isso exigiria uma ação conjunta da sociedade e do poder públicos, especialmente das três prefeituras que o englobam. Este contexto cria dificuldades na busca de soluções”, completa Alvarez.

O presidente da Câmara de Mauá, vereador Júnior Getúlio (PT) diz que na Casa não há novos questionamentos ou reclamações sobre a Braskem ou outras empresas do Polo Petroquímico. “A gente sabe que tem problemas, mas não chegou nada de novo na Câmara. Se tivesse eu não teria problemas em falar. O que é fato e é uma discussão bem antiga é a do pagamento dos royalties do petróleo, que são recolhidos em São Caetano e não em Mauá, mas essa é uma discussão antiga”, resume.

Segundo a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) a Braskem foi alvo de 13 multas em cinco anos, uma delas foi referente ao acidente que matou os dois operários em 22 de junho de 2023. “Em 2024, a Braskem (unidades distintas) recebeu duas multas, uma de R$ 265 mil, por emissão de fumaça preta; e outra, de R$ 339 mil, também por fumaça preta. Neste ano, foi emitida uma multa à empresa (fumaça preta), de R$ 148 mil.  Por ocasião do acidente, foi aplicada uma multa no valor de R$ 308 mil. Nos últimos cinco anos, foram impostas 13 multas à empresa: uma foi cancelada; sete foram pagas; quatro encontram-se em fase de análise de recurso; e uma tem vencimento em abril próximo”, informou a companhia, em nota.

A Braskem, em nota, diz que segue padrões rigorosos de segurança tanto para os trabalhadores e comunidade local como para o meio ambiente. “A Braskem segue rigorosos padrões de saúde, segurança e meio ambiente, em conformidade com a legislação vigente e com as melhores práticas da indústria petroquímica nacional e internacional. A companhia mantém um canal aberto com a comunidade por meio de programas, como o ‘Formando Laços’, seu programa de visitas, que, somente em 2024, recebeu mais de 3 mil pessoas. Contamos também, com uma agente de campo dedicada a manter um contato rotineiro com a comunidade, facilitando a interação, esclarecendo questionamentos e identificando novas oportunidades de atuação. Ao tomar conhecimento de qualquer reclamação, a companhia investiga o ocorrido e adota as medidas necessárias”, informa a empresa, em nota.

 

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Seção: Cidades