Publicado em 25/03/2025 - 19:20 / Clipado em 25/03/2025 - 19:20
Estudo da USCS revela percepção do idoso sobre mudanças climáticas
George Garcia
Um estudo realizado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) revela que idoso conhece bem as mudanças climáticas, mas que precisa de informação sobre seus efeitos na saúde e sobre como contribuir para sustentabilidade. Coordenado por sete pesquisadores o estudo é parte da 31ª Carta de Conjuntura da USCS, lançada nesta terça-feira (25/03).
A pesquisa ouviu 115 homens e mulheres integrantes da Unisênior – Universidade Aberta da Terceira Idade da USCS – sendo a maioria deles (90,8%) maior de 60 anos, com presença majoritária de moradores de São Caetano (61,1%), mas também com pessoas que vivem em Santo André (18,9%), São Paulo (10%), São Bernardo (5,6%), Ribeirão Pires (3,3%) e Diadema (1,1%). Quanto ao nível de escolaridade 44% dos entrevistados têm curso superior o que demonstra alto nível de instrução. A amostra tem presença principalmente de mulheres, que correspondem a 88%.
Os pesquisadores da USCS apontam a maior vulnerabilidade dos idosos às mudanças climáticas, principalmente às ondas de calor. Praticamente todos os 115 entrevistados demonstram conhecer a situação; 99,1% deles já escutaram falar sobre as mudanças climáticas e reconhecem a ação humana como sua principal causa, porém a maioria relata não se sentir preparada para eventos climáticos. Também foram observadas práticas variáveis de hábitos sustentáveis e baixo conhecimento sobre ações de adaptação governamentais e comunitárias (82,6% desconheciam essas medidas).
Para o professor Daniel Vaz, coordenador do projeto “Fortalecimento de Capacidades para a Resiliência Local” na USCS, o resultado sobre o conhecimento dos idosos em relação às mudanças climáticas surpreendeu. “O idoso de hoje não é igual ao idoso do passado, hoje ele é mais informado, adoece menos e tem uma expectativa de vida mais alta. Isso aumenta a capacidade de enfrentar as mudanças. Mesmo assim esses números nos surpreenderam”, comenta.
“O idoso ocupa hoje um lugar de maior respeito na família que dialoga com ele e o impacto da informação (sobre sustentabilidade) é mais disseminado para outras faixas de idade”, diz o professor da USCS. Já quanto à aplicação do conhecimento na prática, ou seja, de uma atuação deste idoso em ações sustentáveis o resultado indica que ele precisa ainda de informação. “Em São Caetano, por exemplo, temos os ônibus gratuitos, que tem um aspecto de sustentabilidade quando a gente deixa o carro em casa para usar o transporte público, porém o idoso entendem essa situação mais como uma questão econômica do que sustentável. Outra coisa que afeta diretamente a vida do idoso, que é o preço dos alimentos, que o idoso precisa estar informado de que isso acontece por conta da produção, do clima, da falta de água”, comenta Vaz.
A pesquisa sobre mudanças climáticas com os idosos foi um desdobramento da primeira pesquisa feita no ano passado com público de outras idades. Segundo Daniel Vaz, essa pesquisa reunindo sustentabilidade e população idosa pode ser considerada inovadora. “Não tem outras pesquisas relacionadas a isso”, destaca. O professor diz ainda que mudanças já ocorreram na Unisênior da USCS à partir deste resultado, como a criação de um curso de artesanato usando materiais recicláveis.
O estudo conclui que, embora os idosos apresentem alto nível de consciência ambiental, é necessário fortalecer sua preparação e participação em estratégias de mitigação e adaptação climática, bem como melhorar a divulgação de políticas públicas nessa área. Para a professora Juliana Aparecida Boaretto, gestora do curso de graduação em fisioterapia da USCS e coordenadora da Unisênior, a comunicação do poder público pode ser mais dirigida aos idosos.
“A região tem uma ação diferenciada em ações voltadas para a sustentabilidade, mas falta uma comunicação mais esclarecedora. O ônibus gratuito ele (idoso) vê como uma questão mais econômica do que sustentável. O idoso já conhece a distribuição de sacolas para acondicionar o resíduo reciclável, mas as questões de sustentabilidade têm que ser mais aprofundadas, de uma forma mais aplicada na vida do idoso”, diz a fisioterapeuta.
Juliana diz que os idosos podem receber mais informações sobre os males do consumismo, sobre alimentação mais saudável. “Uma comunicação clara que fazça uma ponte entre o conhecimento e a ação, dá resultado uma vez que o idoso tem consciência de ações que impactam a sociedade. Quanto mais clareza, implicidade e objetividade essa informação chegar, e com exemplo palpáveis, melhor será o resultado. O idoso tem uma resistência em mudar de hábitos, mas isso é do ser humano de se manter na zona de conforto e isso vaise reforçando ao longo da vida e o idoso tem mais vivência, por isso a resistência maior. Importante ele saber que o clima o afeta e que ele pode viver, se proteger e proteger sua comunidade”, sustenta a professora.
A coordenadora da Unisênior diz que o tema está já na rotina dos idosos e é preciso só mais informação. “Eles comentam sobre qualidade do ar, das estações do ano que antes eram bem mais definidas, das temperaturas altas em pleno inverno, o ar seco e as inundações. Tudo isso faz com que o idoso sofra mais com doenças respiratórias e ele demora mais para se curar”, completa.
O professor Daniel Vaz concorda com a necessidade de informação. “Há uma necessidade de informação para esse público para que ele saiba que essa situação de mudanças climáticas não é temporária, isso é fundamental para que ele se proteja”, finaliza. Além de Juliana e Vaz, assinam a nota técnica da carta de conjuntura, Silbeth Arenas Cantillo, Miguel Ángel Navarro Domínguez, Flávio Lima Ramos, Lucas Almeida Oliveira dos Santos e Giovanna Fortunato.
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Seção: Educação