Publicado em 26/02/2025 - 20:25 / Clipado em 26/02/2025 - 20:25
Censo: Ensino superior avança, mas desigualdades permanecem
Parcela de brancos com graduação é mais que o dobro da fatia de pretos
Por Lucianne Carneiro e Rafael Rosas , Valor — Rio
A conclusão do ensino superior avança no país e a parcela da população de 25 anos ou mais com esse grau de instrução chegou a 18,4% em 2022, ante 6,8% em 2000. O aumento observado na média brasileira se repete entre regiões, Estados, cidades e na análise por cor ou raça, mas desigualdades nesses recortes permanecem.
Os dados são do estudo Censo 2022: Educação, dados preliminares da amostra, divulgado nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essas informações refletem as respostas dos questionários completos, que são aplicados a uma amostra da população no Censo Demográfico, que reflete o perfil da população como um todo.
“A evolução da parcela dos brasileiros com ensino superior completo foi considerável em todas regiões, mas as desigualdades regionais permanecem”, afirma o analista do IBGE Bruno Perez.
Na comparação entre 2000 e 2022, a fatia de pessoas com 25 anos ou mais com o curso superior completo na região Norte avançou de 3,3% para 14,4%. No Nordeste, essa fatia passou de 3,8% para 13%.
Na outra ponta, a proporção na região Centro-Oeste avançou de 7,1% em 2000 para 21,8% em 2022 e ultrapassou o Sudeste como região com maior parcela nesse nível de instrução. No Sudeste, o percentual era de 8,8% e subiu para 21%.
No ranking das unidades da federação, o grupo com ensino superior varia entre 11,1% no Maranhão e 37% no Distrito Federal. Na análise dos municípios com mais de 100 mil habitantes, a maior proporção foi observada em São Caetano do Sul (48,2%) enquanto a menor foi em Belford Roxo (5,7%), região metropolitana do Rio de Janeiro.
Perez explica que a cidade de São Caetano do Sul é “praticamente um bairro” da capital paulista e lidera rankings de diversos indicadores sociais. Assim como Belford Roxo, aponta, outros municípios em regiões metropolitanas do país exigem percentuais menores de população com ensino superior.
“Existe um padrão geográfico em que outras cidades na periferia de capitais, como Rio, São Paulo e Fortaleza, têm parcela menor de população com ensino superior. Profissionais como professores e enfermeiros, por exemplo, podem trabalhar nessas cidades, mas não morar ali”, nota.
Na análise por cor ou raça, a proporção da população preta com 25 anos ou mais de idade e nível superior completo cresceu mais de cinco vezes, ao passar de 2,1% em 2000 para 11,7% em 2022. Já a população parda com esse nível de ensino subiu de 2,4% em 2000 para 12,3% em 2022. Entre as pessoas brancas, o percentual subiu de 9,9% em 2000 para 25,8% em 2022.
Pelo último Censo Demográfico,portanto, a parcela das pessoas brancas com ensino superior completo (25,8%) ainda era mais que o dobro daquela de pessoas pretas.

Veículo: Online -> Site -> Site Valor Econômico - São Paulo/SP
Seção: Censo