Publicado em 04/02/2025 - 18:40 / Clipado em 04/02/2025 - 18:40
Cidade tem pior índice de calor do litoral de São Paulo devido a prédios altos e bloqueio da brisa do mar; saiba qual é
Município é afetado pelas chamadas ilhas de calor, o que tem provocado um grande desafio climático
Santos, uma das cidades mais procuradas por aposentados e conhecida pela sua qualidade de vida, enfrenta um grande desafio climático: o pior índice de ilhas de calor no litoral de São Paulo. De acordo com a plataforma Urbverde, a cidade obteve o coeficiente 83,3 – sendo 100 o limite máximo – refletindo a severidade do fenômeno que afeta a temperatura local.
A cidade, que é a mais populosa da Baixada Santista, sofre com uma combinação de fatores como a intensa atividade portuária, a grande concentração de edifícios altos que bloqueiam a brisa do mar e a geografia montanhosa. Esses elementos contribuem para um aumento de temperatura em diversas áreas.
A metodologia da Urbverde leva em consideração a intensidade das ilhas de calor, somando a diferença de temperatura com a área afetada e multiplicando pela quantidade de moradores mais vulneráveis, como crianças e idosos, que são mais sensíveis ao calor intenso.
A Verticalização e o uso do solo: principais fatores do aquecimento
Santos tem características urbanas que favorecem o surgimento das ilhas de calor. A cidade é conhecida por sua alta verticalização à beira-mar e pela grande quantidade de construções, que utilizam materiais como asfalto e concreto, que absorvem calor. Esses elementos aumentam a temperatura local, principalmente nas regiões mais densamente construídas. Atualmente, Santos é uma das três cidades do Brasil em que há mais apartamentos do que casas, ao lado de São Caetano do Sul e Balneário Camboriú.
Outro dado alarmante é o baixo percentual de cobertura vegetal, estimado em apenas 10%. A vegetação é crucial no combate ao aquecimento, já que, por meio da evapotranspiração, ajuda a reduzir as altas temperaturas.
Além disso, a cidade sofre com “ilhas internas” de calor, ou seja, áreas onde o calor é ainda mais intenso do que na média da cidade. A região portuária de Santos apresenta temperaturas mais elevadas devido ao impacto das atividades do porto e à obstrução da brisa marítima, intensificada pela construção de grandes edifícios.
Áreas críticas e os efeitos no bem-estar da população
Mesmo em bairros mais afluentes, como o Embaré, o fenômeno é notório. Nessas regiões, a falta de áreas verdes e a verticalização da orla intensificam a sensação de calor. Bairros como Vila Belmiro e Campo Grande também estão entre os mais afetados, especialmente nas proximidades de hospitais e áreas densamente urbanizadas.
A presença de uma população idosa significativa em Santos contribui para o agravamento do problema, já que pessoas com mais de 60 anos são mais vulneráveis ao calor excessivo. Dados do Censo 2022 apontam que mais de 25% da população da cidade tem 60 anos ou mais, o maior percentual da Baixada Santista.
Iniciativas para combater as Ilhas de calor
Para enfrentar o aumento das temperaturas e melhorar a qualidade de vida, a Prefeitura de Santos estabeleceu metas de arborização. A Administração Municipal planeja plantar 10 mil árvores até 2028, como parte do Plano de Ação Climática. A meta final é atingir 45 mil árvores na cidade, o que permitiria uma cobertura verde de 15 metros quadrados por habitante, um índice considerado ideal pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana.
A cidade também está investindo em “cinturões verdes”, que são corredores arborizados que ligam as áreas mais altas da cidade à orla. Estes cinturões, além de 214 praças e parques municipais, têm como objetivo aumentar a permeabilidade do solo e reduzir a absorção de calor.
Espaços públicos e ações de conscientização
A Secretaria de Meio Ambiente de Santos trabalha em projetos para transformar parte das áreas asfaltadas da cidade em espaços permeáveis. A meta é transformar ao menos 1% dessa área, ou seja, 70 mil metros quadrados – equivalente a dez campos de futebol – em áreas com jardins de chuva, calçadas verdes e outras soluções sustentáveis. No entanto, não há um prazo fixado para a conclusão desses projetos.
A Prefeitura também oferece apoio às populações mais vulneráveis, com iniciativas como o Programa Televida, que oferece assistência domiciliar para idosos, e as Vilas Criativas, centros de promoção da saúde e bem-estar para pessoas acima de 60 anos.
Além disso, a cidade tem investido em espaços públicos como fontes interativas e áreas arborizadas, principalmente nas 86 escolas municipais, que abrigam cerca de 1,8 mil árvores, ajudando a mitigar os efeitos das altas temperaturas no ambiente escolar.
Veículo: Online -> Site -> Site A Tribuna - Santos/SP