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 Site Repórter Diário - Santo André/SP

Publicado em 19/01/2025 - 08:06 / Clipado em 19/01/2025 - 08:06

Dobra número de denúncias de violência contra população LGBT na região


POR REDAÇÃO

 

Os números da violência contra o público LGBTQIA+ aumentaram no ano passado no ABC. De acordo com o painel de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, em 2023 foram 306 violações de direitos e em 2024 o número saltou para 731, alta de 139%. Com isso ocorrem em média duas situações de violência contra essa população na região. Mas o número tende a ser ainda maior porque nem todas as denúncias chegam à plataforma e há casos nem sempre denunciados.

A estatística do ministério reúnem vários tipos de violência, física ou verbal. No ano passado Santo André teve o maior número de violações, 353. Diadema vem em segundo em número de violações que chegaram ao sistema do ministério, 148; em seguida vem São Bernardo, com 131; Mauá teve 88 registros de violações; Rio Grande da Serra teve nove violações denunciadas e São Caetano, duas.

Para o fundador e presidente da Casa Neon Cunha, entidade com sede em São Bernardo e que atende com serviços sociais e abrigo a população de gays, lésbicas, transsexuais e transgêneros, Paulo Araújo, os números refletem que a LGBTfobia continua a crescer, mas que também a informação sobre os canais de denúncia também está mais acessível. Segundo ele, houve avanços na área de atendimento social e saúde para este público em algumas cidades e isso pode ter influenciado os números, já que quanto mais informadas as pessoas estão, mais seguras estão para denunciar.

“A gente começa a perceber mais políticas públicas. A violência sempre esteve aí, mas hoje se tem mais mecanismos não só para denunciar, mas para identificar quem pratica. A polícia já está mais preparada para identificar e tipificar os crimes como LGBTfobia. Claro que ainda está muito longe do ideal, mas as pessoas estão mais conscientes e conseguindo chegar aos canais de denúncias”, analisa Araújo.

 

Políticas públicas

Ao relatar avanços na área de políticas públicas, Araújo cita a coordenadoria de Diversidades, de Diadema, criada em 2021, e do laboratório Dia Trans, um serviço de saúde focado no atendimento desta população. Citou também o laboratório de saúde Trans, no Poupatempo da Saúde de Santo André; o Ambulatório de Saúde Trans, de São Caetano; iniciativas de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra com o Conselho LGBT e o Festival da Diversidade, mas lamentou também a ausência de ações em Mauá e São Bernardo.

“A gente vê avanços na política, mas também vê o quanto ainda não estamos seguros. Em São Paulo, o vereador mais votado do País protocolou vários projetos anti trans, portanto ainda temos de combater essa narrativa ultraconservadora que inviabilizam muitas pautas nossas”, lamenta.
Paulo Araújo e fundador e presidente da Casa Neon Cunha, entidade que dá amparo psicológico, social e abrigo a população LGBT em situação de rua. (Foto: Reprodução)

 

Propostas conservadoras

Paulo Araújo se refere ao vereador Lucas Pavanato (PL), vereador que recebeu 161 mil votos. Bolsonarista, o parlamentar se elegeu com base em propostas conservadoras e estreou com vários projetos que atingem diretamente a população LGBT. Uma delas impede que pessoas trans participem de competições esportivas em categorias que não correspondam às de seu sexo de nascimento; outro projeto prevê que hospitais e clínicas sejam proibidos de financiar ou realizar tratamentos hormonais e cirurgias de designação sexual em menores de 18 anos; e ainda outro cita o termo “Criança Trans não existe” em que o parlamentar diz que a criança deve chegar à maioridade para definir sua sexualidade.

Outro projeto polêmico do liberal paulistano se refere ao uso de banheiros pela população trans. O projeto diz que o sexo de nascimento deve ser o único critério para acesso de pessoas a banheiros e vestiários em escolas, espaços públicos, estabelecimentos comerciais e ambientes de trabalho. Com isso, uma mulher trans não poderia usar um banheiro feminino, como um homem trans não usuaria o masculino. Os projetos ainda precisam passar pelas comissões da Câmara de São Paulo, debate político, votação e, se aprovados, vão para o prefeito Ricardo Nunes (MDB) sancionar ou vetar a medida.

Sobre a nova gestão nas cidades do ABC que trocaram de prefeito e projeto político, Paulo Araújo espera que não haja retrocesso sobre o que já foi conquistado. “Umas prefeituras avançaram, outras não, eu estou esperando que a gente continue a avançar”, completa.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3569303/dobra-numero-de-denuncias-de-violencia-contra-populacao-lgbt-na-regiao/

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Seção: Cidades