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Publicado em 05/09/2025 - 14:18 / Clipado em 05/09/2025 - 14:18

Mídias sociais e a adultização infantil: como a exposição virtual roubou a infância


Especialistas alertam para os impactos do fenômeno, reacendendo discussões sobre o espaço da criança na sociedade digital

 

O recente debate sobre a exposição de crianças nas redes sociais acrescenta um capítulo delicado à história do tratamento da infância. A discussão ganhou fôlego após o youtuber Felca denunciar práticas de adultização infantil, escancarando casos em que crianças aparecem em situações e comportamentos incompatíveis com seu desenvolvimento, muitas vezes em troca de visualizações e lucro.

A preocupação, segundo especialistas, é que essas crianças estejam perdendo algo irrecuperável: a vivência plena da infância. “Estamos presenciando a volta ao tempo em que a criança era vista como um adulto em miniatura, perdendo seu espaço próprio de desenvolvimento”, alerta a psicanalista Yafit Laniado, consultora em relações familiares.

Para a psicologia do desenvolvimento, a infância é um período crucial para a formação da personalidade e da autoconfiança. "O trabalho da criança é brincar, experimentar e errar", afirma Laniado. Especialistas como o psicólogo suíço Jean Piaget, referência na área, defendem que cada fase tem necessidades específicas, sendo fundamental protegê-las de pressões e expectativas adultas prematuras.

  • a exposição precoce pode associar o valor pessoal ao número de curtidas e seguidores
  • a criança pode crescer dependente da aprovação alheia, o que compromete autoestima e saúde mental
  • há riscos de ansiedade, insegurança e dificuldades em desenvolver empatia e confiança

Segundo a abordagem do psicólogo Alfred Adler, cada criança precisa sentir-se amada incondicionalmente por seus responsáveis para se desenvolver com segurança emocional. Quando há cobrança excessiva por performance ou aparência, surgem sintomas como ansiedade e baixa autoestima. “A infância não pode ser substituída por likes nem deveria ser moeda de troca para os desejos dos adultos”, diz Laniado.

Se não houver conscientização, temem especialistas, a sociedade pode regredir nos avanços conquistados ao longo de décadas na compreensão e na proteção do universo infantil. Debates como este reacendem a importância de garantir espaços de afeto, brincadeira e acolhimento, longe das luzes e da pressão dos palcos digitais.

 

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