Publicado em 04/12/2025 - 15:18 / Clipado em 04/12/2025 - 15:18
Itapevi em destaque: três policiais do BAEP são presos suspeitos de execução durante abordagem
A cidade de Itapevi voltou aos holofotes do noticiário nacional após a prisão de três policiais militares do 5º BAEP, decretada nesta quarta-feira (3) pela 1ª Vara Criminal de Itapevi, conforme revelou o G1. Os agentes são suspeitos de executar Sydnei Sequim Júnior durante uma abordagem ocorrida em outubro deste ano. Segundo a investigação, a vítima estava desarmada, e as imagens mostram indícios de manipulação da cena.
Os militares subtenente M. M. S e os cabos R. S. O e G. G. R. foram encaminhados ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. A decisão judicial afirma que há fortes elementos que contradizem a versão apresentada pelos policiais.
A abordagem, registrada por uma câmera de segurança e analisada junto às imagens das câmeras corporais, mostra Sydnei erguendo as mãos no momento em que é surpreendido pela viatura policial. Três segundos depois, os primeiros dois disparos são ouvidos. Ao todo, quatro tiros atingem a vítima — inclusive quando ela já estava caída no chão.
Na decisão, o juiz destaca trecho do laudo técnico:
“Sydnei demonstra um sobressalto e, de imediato, levanta as mãos. Após alguns segundos, ele as abaixa para a lateral do corpo e, ainda segurando o celular, aparenta tentar levantar a blusa pelas laterais. Neste exato momento, diversos disparos são ouvidos e Sydney é baleado, caindo imediatamente… Em seguida, mais tiros são feitos contra Sydney, que já estava no chão.”
Esse registro foi determinante para afastar a alegação dos policiais de que o homem teria tentado sacar uma arma durante a abordagem.
Indícios de Manipulação da Cena do Crime
As imagens das Câmeras Operacionais Portáteis (COP) dos PMs levaram a Justiça e o Ministério Público a identificarem possível tentativa de encobrir a real dinâmica do ocorrido.
Segundo a decisão:
O cabo G. G. R aparece com uma pistola na mão.
Ele agacha ao lado da vítima já morta.
Encosta a arma na mão de Sydnei, dando indício de tentativa de forjar reação.
Depois, desmunicia a pistola e guarda o objeto.
O Inquérito Policial Militar detalha passo a passo o momento em que o policial manipula o braço e a mão da vítima, reforçando a suspeita de encenação.
SSP Se Pronuncia e PM Afirma Rigor Contra Desvios
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que:
A Corregedoria da Polícia Militar solicitou a prisão preventiva.
A PM instaurou procedimento para investigar a ocorrência.
“A PM não compactua com desvios de conduta e pune com rigor todos os casos dessa natureza”, disse a pasta.
Defesa dos Policiais Contesta Prisão
Em nota, os advogados R. S e M. R, que defendem dois dos policiais, afirmaram ter recebido a notícia da prisão com “perplexidade”. A defesa sustenta que:
Os agentes teriam agido em legítima defesa.
Sydnei estaria armado e teria tentado sacar o armamento.
A abordagem “foi filmada, não deixando dúvida sobre a legalidade da ação”.
Não há fatos concretos que justifiquem a prisão temporária.
A TV Globo ainda busca posicionamento da defesa do cabo G.
Caso Repercute em Todo o País e Coloca Itapevi em Foco
O episódio, descrito pelo G1 como um dos casos mais graves investigados recentemente no estado, coloca Itapevi no centro do debate nacional sobre:
uso excessivo da força,
transparência nas ações policiais,
conduta de agentes públicos,
e a necessidade de rigor na fiscalização das abordagens.
As investigações seguem em andamento pela Justiça e pela Corregedoria da Polícia Militar.
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