Publicado em 09/09/2025 - 16:58 / Clipado em 09/09/2025 - 16:58
Juiz é Denunciado por Peculato e Organização Criminosa em Esquema na Vara Civil de Itapevi
A cidade de Itapevi volta ao centro das atenções após a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo (PGJ) denunciar o juiz de direito Peter Eckschmiedt, um escrevente técnico do tribunal e outras 12 pessoas pelos crimes de peculato e organização criminosa. A acusação aponta que o magistrado teria manipulado a distribuição de processos para se beneficiar financeiramente, chefiando um esquema que operava diretamente na 2ª Vara Civil de Itapevi, na Grande São Paulo.
A denúncia, oferecida nesta quarta-feira (3), detalha que o juiz manipulava o sistema para que ações caíssem em suas mãos ou de aliados, decretava arrestos indevidos de valores e, em seguida, os montantes eram movimentados em contas judiciais e retirados pela quadrilha. O escrevente técnico Luís Augusto Cardoso é apontado como seu “braço direito”, responsável por selecionar processos de interesse do grupo.
A gravidade do caso se confirmou em agosto do ano passado, quando uma operação conjunta da PGJ e da Polícia Militar apreendeu R$ 1,7 milhão em espécie escondidos no sótão da residência do juiz em Jundiaí. Entre os denunciados também está o perito Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre as vítimas do esquema, segundo a acusação, está o empresário e ex-piloto de Stock Car Alexandre Negrão, falecido em 2023.
Punições e Situação Atual
Em maio, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo já havia condenado Peter Eckschmiedt à aposentadoria compulsória, pena máxima prevista na Lei Orgânica da Magistratura (Lomam). Apesar do afastamento, o magistrado continuou recebendo salário. De acordo com o portal da transparência do TJ-SP, seu último vencimento líquido, em abril, chegou a R$ 143 mil. Atualmente, ele recebe valores proporcionais ao tempo de serviço.
O Que Dizem as Defesas
A defesa do juiz Peter Eckschmiedt afirmou que, por se tratar de processo sigiloso, só irá se manifestar nos autos, reforçando que o magistrado “nega veementemente os fatos que lhe foram imputados”. Já os advogados de Eduardo Tagliaferro classificaram a denúncia como “deplorável”, alegando falta de embasamento investigatório e afirmando que seu cliente nunca foi convocado para prestar esclarecimentos.
Origem da Investigação
O suposto esquema foi descoberto durante uma investigação da Delegacia de Roubo a Bancos do Deic, após um banco alertar sobre uma falsa procuração usada para saque em nome de uma idosa. O caso chegou à Corregedoria do TJ-SP, que identificou ao menos três execuções judiciais fraudulentas, levando ao afastamento do magistrado.
A denúncia reforça a gravidade dos crimes e reacende o debate sobre corrupção dentro do Judiciário, com Itapevi como palco central de um dos maiores escândalos recentes envolvendo a magistratura paulista.
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