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Publicado em 28/04/2026 - 10:12 / Clipado em 29/04/2026 - 10:12

Médica tetraplégica com ELA volta a falar e dar aulas com ajuda de IA


Professora da Unifesp Maria Inês Quintana usa tecnologia para retomar aulas e atendimentos

 

Da redação

 

A psiquiatra e professora da Universidade Federal de São Paulo, Maria Inês Quintana, de 55 anos, tenta reconstruir sua rotina profissional após perder a fala e os movimentos do corpo por causa da esclerose lateral amiotrófica. Com ajuda da inteligência artificial, ela passou a utilizar um avatar digital que reproduz sua imagem e voz para voltar a dar aulas e, futuramente, atender pacientes.

A história foi relatada em entrevista ao jornal Estadão.

Diagnosticada em 2023, quando estava no auge da carreira acadêmica, Inês teve uma progressão rápida da doença. Em cerca de seis meses, perdeu completamente os movimentos e precisou passar por uma traqueostomia para respirar. Apesar da limitação física severa, sua capacidade cognitiva permanece preservada — característica comum em pacientes com ELA.

A impossibilidade de se comunicar foi um dos maiores impactos para a médica, referência no tratamento de transtornos de personalidade. A solução começou a surgir a partir de uma iniciativa do fisioterapeuta Roberto Dias, que utilizou áudios e vídeos antigos para recriar digitalmente a voz e a imagem da paciente.

Hoje, Inês se comunica por meio de um dispositivo de rastreamento ocular, o Tobii, que permite escrever textos com o movimento dos olhos. Foi assim que ela conseguiu preparar o conteúdo de uma aula recentemente apresentada com o auxílio do avatar. “A primeira vez que vi meu avatar, chorei feito bebê”, relatou.

A tecnologia evoluiu para um projeto de pesquisa mais amplo, batizado de ExtensIA, que busca criar “extensões digitais” da médica. A iniciativa envolve a Faculdade Unimed, a Fundação Unimed e a startup WorkAI.

O projeto prevê três frentes principais: o avatar palestrante — já em funcionamento —, um sistema de apoio para atividades administrativas e acadêmicas, e um modelo mais avançado, ainda em desenvolvimento, capaz de interagir em tempo real com pacientes e alunos.

Essa última etapa é considerada a mais complexa, pois envolve treinar algoritmos com a produção científica da médica e protocolos clínicos da psiquiatria. A proposta é que o avatar funcione como um assistente clínico supervisionado, capaz de conduzir atendimentos com base no conhecimento acumulado por Inês ao longo de décadas.

Além do impacto profissional, a tecnologia tem efeito direto na qualidade de vida. Pacientes com ELA em estágio avançado costumam depender de cuidados integrais, com custos elevados e limitações severas de autonomia. A possibilidade de retomar atividades intelectuais e profissionais é vista como uma forma de preservar a dignidade.

A expectativa dos envolvidos é que o modelo possa, no futuro, ser replicado para outros pacientes com doenças neuromusculares graves. A equipe já foi procurada por pessoas em situações semelhantes, interessadas em recuperar a capacidade de comunicação e permanência no mercado de trabalho.

Enquanto aguarda o avanço do avatar em tempo real para retomar atendimentos regulares, Inês segue ativa em aulas, palestras e projetos de pesquisa. “Poder continuar minha vida profissional é sanidade mental”, afirmou.

*Com informações do Estadão.

 

https://www.band.com.br/saude/noticias/medica-tetraplegica-com-ela-volta-a-falar-e-dar-aulas-com-ajuda-de-ia-202604281214

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