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Publicado em 28/04/2026 - 09:50 / Clipado em 29/04/2026 - 09:50

Radiologia cresce, mas sem saber quanto lucra e culpa convênios, aponta pesquisa da Pixeon


Estudo mostra que 60% das instituições cresceram em 2025, mas 55% ainda não conhecem seus próprios custos

 

escrito por Redação

 

O setor de radiologia no Brasil vive um momento de crescimento, mas ainda enfrenta fragilidades estruturais na gestão. Dados do Monitor Nacional de Eficiência Pixeon mostram que 60% das instituições registraram aumento de faturamento em 2025. Apesar disso, 55% não conhecem com precisão os custos dos procedimentos que realizam, uma lacuna que limita a capacidade de análise financeira e tomada de decisão. O levantamento foi realizado pela Pixeon com 89 instituições de todo o país.

O estudo também revela um padrão entre as instituições que mais cresceram: maior maturidade de gestão. Entre elas, 54% controlam indicadores de desempenho como SLA, 63% possuem rastreabilidade completa dos processos e 46% conhecem os custos de todos os procedimentos. Os números são significativamente superiores aos observados entre instituições com menor desempenho, indicando uma relação direta entre controle operacional e crescimento.

A falta de visibilidade sobre custos ajuda a explicar outro dado observado no setor. 43% apontam o baixo repasse de convênios como principal barreira ao crescimento. No entanto, sem domínio sobre custos e margens, torna-se difícil mensurar com precisão o impacto financeiro desses contratos e separar pressão de mercado de ineficiências internas.

Na prática, isso significa que muitas instituições operam sem saber quais exames são mais rentáveis, quais geram prejuízo ou qual deveria ser o valor mínimo para manter a sustentabilidade da operação. A falta de dados estruturados também limita a capacidade de negociação com convênios e dificulta a construção de estratégias de precificação mais eficientes.

Para Iomani Engelmann, co-CEO da Pixeon, o cenário revela uma inversão de prioridades na gestão. “Existe uma tendência de atribuir o problema ao ambiente externo, como o valor pago pelos convênios, mas muitas vezes a instituição não tem dados suficientes para sustentar essa análise. Sem clareza sobre custos e margens, fica difícil separar o que é pressão de mercado do que é ineficiência interna”, garante.

Segundo ele, o crescimento do setor tende a ser cada vez mais condicionado à capacidade de gestão. “Os dados mostram que as instituições que crescem são justamente aquelas que têm mais controle sobre a operação. Não é só uma questão de demanda, mas de como a instituição se organiza para capturar esse crescimento. Sem gestão orientada por dados, o crescimento pode acontecer, mas não necessariamente se traduz em resultado”, afirma Engelmann.

O estudo indica que, à medida que o setor avança, a discussão sobre eficiência deixa de estar apenas na expansão de volume e passa a envolver sustentabilidade econômica. Nesse contexto, a capacidade de transformar dados em decisão tende a se tornar um diferencial competitivo, especialmente em um ambiente de margens pressionadas e maior exigência por eficiência.

 

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