Publicado em 30/03/2026 - 09:50 / Clipado em 31/03/2026 - 09:50
Acordo deve aumentar acesso a tratamento contra câncer no SUS; entenda
Termo assinado pelo Ministério da Saúde estabelece compromisso para produção local de imunoterapia
Gabriela Maraccini, da CNN Brasil
Segundo estudo, dois ciclos de uma imunoterapia combinada, antes da cirurgia, aumenta a chance de cura em pacientes com melanoma • FatCamera/Getty Images
O Ministério da Saúde assinou com o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD na última quinta-feira (26) um termo de compromisso para o estabelecimento da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) da imunoterapia pembrolizumabe para pacientes em tratamento contra o câncer.
Esse acordo ampliará o acesso ao tratamento para pacientes oncológicos no SUS (Sistema Único de Saúde), aumentando, também, as opções terapêuticas contra o câncer para além da quimioterapia.
A imunoterapia permite que o próprio sistema de defesa do paciente reconheça as células cancerígenas e as combata, oferecendo aos pacientes respostas mais eficazes contra a doença com menos efeitos colaterais.
A expectativa é que, por meio do acordo, o medicamento atenda mais de 13 mil pessoas por ano em cinco indicações: câncer de colo de útero, esôfago, melanoma, mama triplo-negativo e pulmão. Juntos, esses tumores apresentam um impacto significativo no cenário oncológico brasileiro.
No caso do câncer de mama, o triplo-negativo é o subtipo mais agressivo, sendo mais comum em mulheres jovens - com menos de 40 anos - e negras. Já o câncer de colo de útero mata cerca de 20 mulheres diariamente no país, sendo o mais mortal até os 35 anos.
“Quando essas mulheres adoecem, há consequência direta no sustento e na dinâmica familiar, ampliando o efeito social da doença e causando um impacto significativo para o país”, explica Renan Ozyerli, VP e Diretor Geral da MSD Brasil.
Além disso, o melanoma metastático é o câncer de pele mais agressivo e responde por grande parte das mortes por câncer de pele. Já a maioria dos pacientes com câncer de esôfago é diagnosticada em estádio avançado, quando a letalidade é alta, mesmo com os tratamentos disponíveis no SUS.
"Estamos entusiasmados em adicionar um novo projeto de grande porte à nossa sólida parceria de longo prazo com o Instituto Butantan. O projeto vai levar nossa tecnologia de ponta com o objetivo de alcançar melhores desfechos para pacientes oncológicos no Brasil", afirma Ozyerli.
Com a assinatura do acordo, o pembrolizumabe será produzido em São Paulo, no parque fabril do Instituto Butantan, por meio de transferência de tecnologia com a MSD.
Após o acordo, a PDP prevê a transferência progressiva de tecnologia, incluindo etapas de fabricação, garantia da qualidade, qualificação de processos e capacitação técnica, com observância integral das exigências regulatórias aplicáveis. A transferência está prevista para ser concluída em até 10 anos.
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