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 Portal G1

Publicado em 26/03/2026 - 10:12 / Clipado em 27/03/2026 - 10:12

Cirurgia robótica revoluciona tratamento do câncer de próstata no Maranhão


Tecnologia permite cirurgias precisas e recuperação rápida. O método já é realidade na rede privada do Maranhão e há expectativa de chegar em breve ao SUS

 

Por Sérgio Moura Urologia e Cirurgia Robótica

 

A cirurgia robótica tem transformado o tratamento de doenças urológicas, especialmente o câncer de próstata, ao oferecer procedimentos mais precisos, com menos sequelas e melhor recuperação para os pacientes. Por conta disso, o método tem ganhado cada vez mais espaço na medicina moderna.

Segundo o urologista e cirurgião robótico Dr. Sérgio Moura, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a tecnologia representa um dos maiores avanços recentes da medicina, principalmente por proporcionar melhores resultados funcionais e uma recuperação mais rápida.

Na urologia, a cirurgia robótica é amplamente utilizada no tratamento de diversas condições, como câncer de próstata, câncer de rim, tumores de bexiga e outras doenças do trato urinário. No Maranhão, o procedimento representa um avanço importante na medicina local, especialmente na área da uro-oncologia.

Em São Luís, a cirurgia robótica já atingiu um marco expressivo, com mais de mil procedimentos realizados, sendo a maior parte deles na área da urologia. Esse volume reforça a consolidação da tecnologia no estado e posiciona a capital como um dos principais polos da região Norte e Nordeste nessa área.

Atualmente, o Maranhão conta com duas plataformas robóticas em funcionamento, ambas na rede privada, o que tem permitido a expansão progressiva do acesso ao método.

 

Benefícios da cirurgia robótica

O procedimento é realizado por meio de pequenas incisões, por onde são inseridos instrumentos acoplados a braços robóticos. A técnica permite ao cirurgião realizar intervenções complexas com alta precisão e menor impacto cirúrgico.

Durante a cirurgia, o médico controla os movimentos a partir de um console, com visão tridimensional ampliada e filtros que reduzem tremores. Essa tecnologia possibilita movimentos mais refinados e precisos, contribuindo para a preservação de estruturas importantes, como nervos e vasos sanguíneos.

De acordo com o especialista, os principais benefícios incluem menor perda de sangue, redução do risco de complicações, menos dor no pós-operatório e uma recuperação significativamente mais rápida, permitindo que muitos pacientes retomem suas atividades em poucos dias.

“Antigamente, a cirurgia de próstata era aberta, com um corte grande do umbigo para baixo. O paciente sangrava mais, ficava mais dias internado e tinha mais dor. Depois avançamos para a laparoscopia, com pequenos cortes, mas com instrumentos retos. Já na cirurgia robótica, utilizamos pinças articuladas, com movimentos muito mais precisos”, explica o médico.

O urologista destaca ainda que a tecnologia contribui para melhores resultados funcionais, reduzindo o risco de incontinência urinária e preservando a função erétil.

“Com a cirurgia robótica, conseguimos retirar a próstata de forma mais precisa, preservando estruturas importantes. Isso reduz o risco de incontinência urinária e melhora os resultados relacionados à função erétil, que são grandes preocupações dos pacientes”, afirma.

Apesar do avanço tecnológico, o médico reforça que a experiência do cirurgião continua sendo determinante para o sucesso do procedimento.

“O robô é uma ferramenta extraordinária, mas quem realiza a cirurgia é o médico. É como na Fórmula 1: não basta ter o melhor carro, é preciso um grande piloto para vencer a corrida. Na medicina, isso significa experiência, treinamento e precisão”, destaca.

 

Diagnóstico precoce ainda é desafio

Apesar dos avanços no tratamento, o diagnóstico precoce do câncer de próstata ainda é um dos maiores desafios na área da uro-oncologia.

O rastreamento é feito principalmente por meio do exame de sangue PSA e do toque retal. Quando a doença é identificada em fases iniciais, as chances de cura são significativamente maiores.

“Os pacientes que realizam acompanhamento anual costumam descobrir a doença em estágio inicial, com grandes chances de cura. Já aqueles que adiam a consulta muitas vezes chegam com a doença avançada”, alerta o especialista.

Homens a partir dos 50 anos ou a partir dos 45 anos em casos com histórico familiar, devem procurar avaliação urológica regular.

 

Avanço nacional e expectativa para o SUS

O avanço da cirurgia robótica no Brasil ganhou um marco importante no segundo semestre de 2025, quando a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) emitiu parecer favorável à incorporação da prostatectomia radical assistida por robô no SUS, com base em evidências científicas.

Para o Dr. Sérgio Moura, essa decisão representa um passo fundamental para ampliar o acesso da população a tratamentos mais modernos.

“Atualmente, essa tecnologia ainda está concentrada na rede privada, mas vivemos uma expectativa real de expansão para o sistema público de saúde nos próximos anos”, destaca.

A tendência é que, com o avanço das políticas públicas e a entrada de novas plataformas no mercado, os custos diminuam progressivamente, permitindo maior acesso da população.

“É uma questão de justiça social. Se temos o melhor tratamento disponível, precisamos garantir que ele chegue a todos os pacientes, independentemente do sistema de saúde”, conclui.

CRM - MA 6809 | RQE - 3220

 

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