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Publicado em 04/03/2026 - 10:10 / Clipado em 05/03/2026 - 10:10

Medtronic aposta em inovação, IA e parcerias para transformar a gestão da saúde no Brasil


Ao promover o Mind 360 e ampliar investimentos em educação, pesquisa e inteligência artificial, a Medtronic reforça sua estratégia de posicionar-se não apenas como fornecedora de dispositivos médicos, mas como parceira na transformação do sistema de saúde brasileiro e latino-americano.

 

Escrito por Claudiney Santos

 

A vice-presidente da Medtronic no Brasil, Gisela Bellinello, defende que a sustentabilidade do sistema de saúde passa, necessariamente, por colaboração, inovação e acesso. Em entrevista durante o evento Mind 360, que se encerou nesta quarta-feira em São Paulo, a executiva detalhou as iniciativas da empresa na área de gestão da saúde, os investimentos em tecnologia e o papel estratégico do Brasil dentro da operação global.

O Mind 360, segundo ela, foi concebido como um fórum latino-americano para reunir diferentes atores do ecossistema da saúde — hospitais, médicos, gestores públicos e privados, reguladores e indústria — em torno de uma agenda comum. “É uma discussão impactante sobre o que precisamos fazer como sistema para garantir sustentabilidade, assegurar que tecnologia e inovação cheguem ao paciente e entreguem melhores desfechos clínicos e resultados para o sistema como um todo”, afirmou.

Um dos pilares centrais do encontro é o debate regulatório. Para ela, é fundamental encontrar o equilíbrio entre a proteção do paciente e a agilidade na incorporação de novas tecnologias. “Precisamos garantir segurança, mas também evitar atrasos excessivos que impeçam a chegada de soluções inovadoras ao mercado”, disse.

Outro eixo relevante é a educação médica. Diante do avanço acelerado das tecnologias, a executiva ressalta que o treinamento dos profissionais é condição indispensável para que os dispositivos atinjam seu potencial máximo. Em 2025, somente no Brasil, foram realizados 1.280 eventos voltados à capacitação médica. Globalmente, o investimento em educação e treinamento somou US$ 8 milhões, com 1 milhão de médicos treinados no mundo — 50 mil deles na América Latina.

A Medtronic atua em quatro grandes divisões: cardiovascular, médico-cirúrgica, neurociências e diabetes. Cada uma concentra diferentes níveis de maturidade tecnológica, o que exige estratégias específicas de capacitação e introdução de produtos. “Investimos de forma contínua nas áreas em que há maior necessidade de atualização e onde novas soluções estão chegando”, explicou.

Com presença em 150 países e mais de 70 condições médicas tratadas por meio de seu portfólio, a companhia registra faturamento global de US$ 33,5 bilhões e investe cerca de US$ 2,5 bilhões anuais em pesquisa e desenvolvimento. O Brasil, segundo Gisela, ocupa posição estratégica nesse contexto. “É um país extremamente relevante pelo tamanho da população, pela complexidade e maturidade do sistema de saúde, que combina SUS e saúde suplementar”, destacou.

 

Prioridades

Atuando há mais de 50 anos no país, a Medtronic mantém duas fábricas no território nacional e um Centro de Excelência — o único da América Latina — voltado ao treinamento de profissionais de saúde de diversos países da região.

Entre as prioridades recentes está a área de neurociências. No fim do ano passado, a empresa lançou o Inceptiv, um neuromodulador indicado para o tratamento de dor crônica refratária. O dispositivo atua na medula espinhal e é voltado a pacientes que não responderam a terapias convencionais, como medicamentos e fisioterapia. A tecnologia foi desenvolvida com bateria de longa duração, reduzindo a necessidade de reoperações, e permite que o paciente, por exemplo, realize exames de ressonância magnética com maior segurança.

“Quando falamos de inovação, falamos também de jornada do paciente e de custo sistêmico. Se o dispositivo reduz reoperações e complicações, há ganho clínico e econômico”, afirmou.

Outra frente de destaque é a denervação renal, indicada para pacientes com hipertensão resistente ao tratamento medicamentoso. O procedimento, minimamente invasivo, atua nos nervos renais para reduzir a pressão arterial de forma duradoura. No Brasil, a implementação é recente e conta com parcerias com instituições como o Hospital Dante Pazzanese de Cardiologia, referência em cardiologia.

A geração de evidências clínicas locais é considerada estratégica. “É fundamental produzir dados no contexto da população brasileira, fortalecendo a medicina baseada em evidências e demonstrando valor frente às tecnologias existentes”, ressaltou.

 

Dados e IA

O uso de dados e inteligência artificial também integra a estratégia da companhia. Nos últimos anos, a empresa incorporou especialistas em IA às equipes de pesquisa e desenvolvimento, ampliando a capacidade de aplicar algoritmos em diagnósticos e planejamento cirúrgico.

Um exemplo é o sistema GI Genius, voltado à colonoscopia, que utiliza inteligência artificial para detectar pólipos em estágios iniciais com maior precisão, ampliando a capacidade de diagnóstico precoce do câncer colorretal. A solução ainda não está disponível no Brasil, mas integra o pipeline de lançamentos previstos.

Na área de cirurgia de coluna, a plataforma robótica Mazor combina planejamento pré-operatório com imagens tridimensionais do próprio paciente, permitindo maior precisão na colocação de parafusos e implantes. O sistema reduz riscos de complicações, necessidade de reoperações e exposição à radiação durante o procedimento, além de contribuir para menor tempo de internação e recuperação mais rápida.

Segundo Gisela, a incorporação de inteligência artificial e machine learning não se limita ao ganho técnico, mas também impacta eficiência e segurança. “Estamos falando de redução de erro, menos sangramento, menor risco de infecção hospitalar e retorno mais rápido do paciente às suas atividades”, afirmou.

 

Parcerias

As parcerias com hospitais e institutos de pesquisa são parte estruturante do modelo de negócios. A companhia mantém colaboração com instituições como o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital do Coração e diversas universidades, em projetos que vão desde pesquisa clínica até desenvolvimento de protocolos e geração de evidências.

Para a executiva, a gestão da saúde exige visão sistêmica e integração entre setores. “Somos uma organização global de grande porte, mas não fazemos nada sozinhos. A colaboração é essencial para garantir que inovação, acesso e sustentabilidade caminhem juntos”, concluiu.

 

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