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Publicado em 22/02/2026 - 10:50 / Clipado em 23/02/2026 - 10:50

Exames de imagem antecipam o diagnóstico da doença de Alzheimer e orientam tratamento


Future Health

 

Fevereiro é um mês com duas cores simbolizando a conscientização sobre doenças: o laranja, já tratado aqui, para alertar sobre a leucemia, e o roxo, abordando três condições crônicas sem cura: lúpus, fibromialgia e doença de Alzheimer. A ideia é incentivar o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, reforçando a importância do cuidado e da qualidade de vida dos pacientes.

Neste contexto, mais de 55 milhões de pessoas no mundo vivem com algum tipo de demência, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e uma de suas principais formas é a doença de Alzheimer, doença neurodegenerativa de causa multifatorial que se manifesta pela perda progressiva da memória e de outras funções cognitivas. O diagnóstico precoce é fundamental para retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Para desacelerar os sintomas, o diagnóstico e o monitoramento da doença de Alzheimer na sua fase inicial é essencial. 

Portanto, os exames de imagem são fundamentais para um diagnóstico correto, segundo Heitor Naoki Sado, médico nuclear e radiologista do Centro de Medicina Nuclear do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (INRAD-HCFMUSP).

“Entre os principais exames do cérebro estão a ressonância magnética e a PET (tomografia por emissão de pósitrons) com o análogo da glicose e com marcadores de amiloide”, explica o especialista. 

Estes exames servem para avaliar se há atrofia de regiões responsáveis pela memória (como o hipocampo), se há menor consumo de glicose em regiões com dano de neurônios (cíngulo posterior e regiões temporoparietais, por exemplo), e também para identificar presença ou não de placas de peptídeo beta-amiloide no córtex cerebral.

“Quando placas se formam entre os neurônios, interrompem a comunicação sináptica e ativam inflamações, resultando em morte celular. O acúmulo de placas é uma das principais características da doença de Alzheimer”, esclarece Sado.

Segundo o médico, os exames de imagem ganham relevância no diagnóstico precoce da doença de Alzheimer, tanto porque os medicamentos atuais apenas retardam a progressão da doença como porque possibilitam o tratamento antes de a doença se manifestar clinicamente. Além disso, os exames de imagem contribuem para o desenvolvimento de novos tratamentos.

 

Síndrome de Down e Alzheimer

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), sediado no Instituto de Radiologia, demonstrou que indivíduos com Síndrome de Down

apresentam maior grau de inflamação cerebral em comparação com pessoas sem a síndrome – e que essa inflamação está diretamente relacionada à deposição das placas beta-amiloides. Para isso, foi utilizado a imagem PET com radiofármacos específicos para mapear processos inflamatórios no cérebro. O trabalho é liderado pela Profa. Dra. Daniele de Paula Faria, do Centro de Medicina Nuclear.

“Pessoas com Síndrome de Down têm um risco significativamente maior de desenvolver a Doença de Alzheimer, sendo que a maioria que atinge a sétima década de vida apresenta a condição. O que nosso estudo demonstra é que a neuroinflamação é um processo precoce, que pode vir antes da formação das placas amiloides. Essa descoberta possibilita uma nova perspectiva de tratamento”, afirma.

De acordo com a especialista, se for possível modular ou retardar essa resposta inflamatória, podemos ter um impacto significativo na prevenção da Doença de Alzheimer. “Vale não apenas na população com Síndrome de Down, mas também na população em geral, uma vez que a neuroinflamação tem sido cada vez mais reconhecida como um processo ligado a diversas patologias neurodegenerativas”, conclui a pesquisadora.

 

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