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Portal Estadão

Publicado em 23/02/2026 - 10:14 / Clipado em 23/02/2026 - 10:14

Inovação em saúde esbarra na falta de previsibilidade no Brasil


Segundo especialistas e empresas de saúde, entraves regulatórios e jurídicos afetam investimentos de longo prazo, pesquisas clínicas e o acesso dos pacientes a novos tratamentos

 

Por Novo Nordisk e Estadão Blue Studio

 

Inovar em saúde não é apenas desenvolver novas moléculas ou tecnologias. É garantir que o conhecimento científico consiga atravessar um caminho longo, complexo e incerto até chegar ao paciente. No Brasil, esse percurso ainda esbarra em entraves regulatórios e jurídicos que comprometem a previsibilidade necessária para sustentar investimentos de longo prazo em pesquisa e desenvolvimento. O resultado, alertam especialistas, é sentido na ponta: acesso tardio a inovações e menos oportunidades para pacientes participarem de pesquisas clínicas de última geração.

A discussão sobre previsibilidade regulatória tem ganhado espaço no debate público e no setor de saúde, à medida que empresas com atuação global avaliam o ambiente brasileiro para investimentos de longo prazo em ciência. Para a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, presente no País há décadas, o tema extrapola o setor farmacêutico e atinge todo o ecossistema de produção científica nacional.

 

Regras claras

Segundo Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Novo Nordisk Brasil, a inovação só prospera quando encontra um ambiente institucional sólido. “A inovação depende de um ecossistema que permita que ela floresça. Isso só acontece quando há previsibilidade e segurança em todas as etapas, tanto legislativas quanto jurídicas”, afirma. Para ele, o reconhecimento do Brasil como um ambiente confiável para investimento é decisivo para que projetos de pesquisa avancem.

Essa segurança, explica, não é abstrata. “Quando eu recebo um novo tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) ou consigo acessar um medicamento em uma farmácia, esse impacto positivo na qualidade de vida é resultado de decisões tomadas 15 ou 20 anos atrás, quando uma empresa acreditou na inovação no Brasil”, diz. Segundo ele, o processo começa na pesquisa clínica, passa por diversas etapas regulatórias e só se concretiza quando há proteção e estabilidade suficientes para sustentar o investimento.

 

Do laboratório ao cuidado

Do ponto de vista clínico, o impacto da falta de previsibilidade é ainda mais evidente. Priscilla Mattar, vice-presidente da Área Médica da Novo Nordisk Brasil, explica que desenvolver um medicamento é um processo longo, complexo e de alto risco. “De mais de 10 mil compostos com potencial terapêutico, apenas um atende a todos os critérios de eficácia e segurança”, afirma.

Segundo ela, a pesquisa clínica em humanos dura cerca de dez anos, e o caminho completo até que o medicamento chegue ao paciente pode levar até 15 anos. “É um processo que exige rigor absoluto, porque não podemos expor a população a riscos”, diz.

Dependemos da inovação para encontrar soluções cada vez melhores e melhorar a vida de milhares de brasileiros e brasileiras.

Priscilla Mattar, vice-presidente da Área Médica da Novo Nordisk Brasil

A previsibilidade regulatória, nesse contexto, é determinante para que esse ciclo continue. Priscilla cita o exemplo do diabetes tipo 2, que afeta cerca de 10% da população brasileira. “No passado, o foco era apenas reduzir o açúcar no sangue. Hoje, temos medicamentos que também reduzem o risco cardiovascular, que é a principal causa de morte desses pacientes”, afirma. “Esse avanço só foi possível graças à inovação contínua”, completa.

 

Acesso antecipado

Priscilla destaca que a pesquisa clínica permite que pacientes brasileiros tenham acesso antecipado a terapias inovadoras, muitas vezes anos antes de elas estarem disponíveis comercialmente. “Hoje, há pacientes no Brasil recebendo medicamentos que só chegarão ao mercado daqui a 10 ou 15 anos”, afirma.

Para ela, manter esse fluxo é essencial para que o País não fique restrito a polos tradicionais de inovação, como Europa e Estados Unidos. “Para que essa roda continue girando, o ambiente regulatório precisa ser robusto, com regras claras e previsíveis, garantindo que os investimentos sigam acontecendo também no Brasil”, diz.

De acordo com Priscilla, colocar a inovação no centro das decisões sobre saúde é uma escolha que impacta diretamente a vida das pessoas. “Como médica, o foco é sempre o paciente. A gente depende da inovação para encontrar soluções cada vez melhores e melhorar a vida de milhares de brasileiros e brasileiras”, defende.

 

https://www.estadao.com.br/saude/inovacao-em-saude-esbarra-na-falta-de-previsibilidade-no-brasil/

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