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 Portal G1

Publicado em 28/01/2026 - 10:14 / Clipado em 28/01/2026 - 10:14

'Amor ao primeiro toque': pais com deficiência visual acompanham gestação com impressão 3D no Rio


Moldes em 3D permitem inclusão para pais cegos durante a gravidez. 'O nariz não tem como… é total meu', brinca pai que, pela primeira vez, conseguiu acompanhar o pré-natal da mulher.

 

Por Fernanda Graell, Maria José Sanchez

 

Pais com deficiência visual agora podem “ver” o rosto do filho ainda durante a gestação. Um projeto desenvolvido no Rio de Janeiro transforma imagens de ultrassonografia em moldes impressos em 3D, permitindo que o bebê seja conhecido pelo toque antes mesmo do nascimento.

É o caso de Vanderson, que perdeu a visão aos 11 meses de vida. Pela primeira vez, ele conseguiu acompanhar de forma mais concreta o pré-natal da esposa, Mariana, ao tocar o molde do rosto do bebê.

“O nariz não tem como… é total meu”, brinca ele ao reconhecer traços familiares do filho Vinicius na impressão.

Para famílias como a dele, as mãos substituem os olhos nesse primeiro contato com o filho que ainda está na barriga. O projeto é realizado a partir de exames de imagem convencionais e busca ampliar a inclusão no acompanhamento da gravidez.

Segundo o ginecologista Heron Werner, da Dasa, a experiência vai além da descrição verbal feita durante o exame.

“Quando você narra para um paciente com deficiência visual, ele reconstrói na cabeça. Mas, no momento em que ele toca, fica diferente”, explica.

Além do rosto do bebê, o projeto também possibilita a reconstrução de todo o corpo do bebê, reconstituído na posição em que estava no exame. Para isso, a grávida passa por um exame de ressonância magnética.

Depois, o resultado do exame é trabalhado em laboratório, em um programa de computador.

"Nós usamos uma sequência que a gente chama sequência 3d, que me dá todos os cortes do bebê, trazemos esse arquivo para o laboratório, nós fazemos a reconstrução, ou seja, a segmentação da imagem e colocamos na impressora 3d. Posso fazer uma fusão dessas imagens, em alguns contextos, e gerar um modelo único", diz Werner.

O pai conta o que sentiu:

 

Parceria com a PUC-Rio

A iniciativa também envolve pesquisadores da PUC-Rio. Para o reitor da universidade, padre Anderson Antonio Pedroso, o projeto exemplifica como a pesquisa acadêmica pode ter impacto direto na vida das pessoas.

“Tudo o que a gente pesquisa precisa ser colocado a serviço da sociedade. Esse projeto realiza isso de maneira profunda, porque permite visualizar a vida e o cuidado com a vida”, afirma.

 

https://g1.globo.com/google/amp/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/01/27/amor-ao-primeiro-toque-pais-com-deficiencia-visual-acompanham-gestacao-com-impressao-3d-no-rio.ghtml

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