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Publicado em 21/01/2026 - 09:50 / Clipado em 22/01/2026 - 09:50

Estudo Reforça Eficácia da Vacina contra o HPV e Amplia Debate sobre Prevenção do Câncer


Nova evidência científica fortalece estratégias para ampliar a cobertura vacinal no Brasil

 

Fernando Maluf

 

Janeiro também é mês de conscientização e prevenção do câncer do colo do útero, uma oportunidade fundamental para falarmos sobre a vacinação contra o HPV, uma das estratégias mais eficazes que temos hoje para prevenir essa e outras doenças associadas ao vírus.

Quando falamos em vacina contra o HPV, é importante deixar claro que estamos falando, na prática, de uma vacina contra o câncer. O HPV é a principal causa do câncer do colo do útero e está associado também ao câncer de pênis, de vulva, do canal anal e a parte dos tumores de garganta. Proteger contra o HPV é, portanto, prevenir diversos tipos de câncer.

No Brasil, o câncer do colo do útero ainda é um grave problema de saúde pública. São mais de 17 mil novos casos por ano, um número alto quando comparamos com países que investiram fortemente em vacinação, como a Austrália, onde a doença caminha para a erradicação. Um dos nossos maiores desafios é a baixa cobertura vacinal, especialmente em algumas regiões do Norte e Nordeste.

Diante desse cenário, diversos estudos passaram a investigar se esquemas vacinais com menos doses poderiam manter a mesma eficácia, facilitando a adesão da população. Sabemos que muitas pessoas iniciam a vacinação, mas não retornam para completar o esquema. A primeira dose sempre foi considerada muito importante, e a grande pergunta era se ela, sozinha, já poderia oferecer uma proteção adequada.

Há poucas semanas, um estudo publicado no New England Journal of Medicine trouxe uma resposta bastante animadora. A pesquisa acompanhou cerca de 20 mil meninas entre 12 e 16 anos e comparou a eficácia de uma dose versus duas doses das vacinas bivalente e nonavalente contra o HPV. Os resultados mostraram que, independentemente do tipo de vacina, uma única dose foi tão eficaz quanto duas, com uma taxa de proteção de pelo menos 97% contra a infecção pelo vírus ao longo de cinco anos. Trata-se de um resultado robusto e extremamente relevante do ponto de vista de saúde pública.

Essas evidências reforçam decisões recentes adotadas no Brasil. O Ministério da Saúde ampliou a vacinação pelo SUS, permitindo que adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados anteriormente possam receber a vacina gratuitamente. Essa ampliação, somada às novas evidências científicas, representa uma oportunidade concreta de aumentar a cobertura vacinal no país.

Em um mês dedicado à prevenção do câncer do colo do útero, a mensagem é clara: vacinar meninos e meninas contra o HPV é uma das formas mais eficazes de prevenir o câncer. Aproveito para fazer um apelo aos pais, responsáveis e aos próprios jovens que ainda não se vacinaram: procurem uma unidade de saúde e garantam essa proteção. A vacinação salva vidas e é uma ferramenta essencial para mudarmos a história do câncer relacionado ao HPV no Brasil.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

 

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