Publicado em 13/01/2026 - 09:50 / Clipado em 13/01/2026 - 09:50
Agrotóxicos e câncer: o que você precisa saber
Relação entre exposição a agrotóxicos e câncer é reconhecida pela ciência e exige atenção a riscos e formas de prevenção
Fernando Maluf
A associação entre agrotóxicos e câncer ainda desperta dúvidas, controvérsias e, muitas vezes, informações desencontradas. Mas do ponto de vista científico, essa relação é bem estabelecida na literatura médica e merece ser tratada com clareza, sem alarmismo, mas também sem minimização.
O tema ganha relevância especial no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país ocupa, desde 2008, a posição de maior consumidor mundial de agrotóxicos, impulsionado pelo crescimento do agronegócio. Em âmbito global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 20 mil mortes por ano estejam associadas à exposição a essas substâncias.
Proteger a Pele É Proteger a Saúde
Os agrotóxicos são amplamente utilizados em diversos países, em intensidades diferentes, com o objetivo de proteger lavouras, controlar pragas e prolongar a vida útil de frutas, verduras e legumes. O problema não está apenas no uso em si, mas no tipo de substância empregada, na forma de aplicação e no nível de exposição ao longo do tempo.
Do ponto de vista oncológico, já se sabe que determinados agrotóxicos estão associados a um maior risco de desenvolvimento de câncer, especialmente em contextos de exposição prolongada ou inadequada.
Como os agrotóxicos podem induzir o câncer
Existem diferentes mecanismos biológicos envolvidos nessa relação. Alguns agrotóxicos podem provocar lesões no DNA de células normais, que podem entrar em um processo de transformação progressiva e formar um tumor maligno.
Outra forma é a estimulação excessiva da produção de radicais livres, substâncias que causam irritação e dano celular. Esse estresse oxidativo favorece alterações estruturais e funcionais nas células, podendo induzir a formação de câncer.
Além disso, certos agrotóxicos podem interferir no sistema imunológico e nos mecanismos de comunicação celular, reduzindo a capacidade do organismo de identificar e eliminar células alteradas em estágios iniciais.
É importante destacar: nem todos os agrotóxicos apresentam o mesmo nível de risco. Existem substâncias mais agressivas e outras menos, mas a relação entre exposição e potencial carcinogênico está claramente documentada.
Quem está mais exposto
O risco não é igual para todos.
Para o consumidor final, a exposição tende a ser relativamente baixa, desde que alguns cuidados básicos sejam adotados no dia a dia. Já para trabalhadores rurais, especialmente aqueles que manipulam agrotóxicos sem equipamentos de proteção individual adequados, o risco é significativamente maior.
Há também um risco intermediário para populações que vivem próximas a áreas com uso intensivo dessas substâncias, onde a exposição pode ocorrer por vias ambientais, como água, solo e ar.
O que pode ser feito para reduzir a exposição
Algumas medidas simples ajudam a reduzir essa exposição:
- Lavagem cuidadosa de frutas, verduras e legumes em água corrente contribui para a remoção de resíduos presentes na superfície dos alimentos.
- O uso de bucha ou escovinha exclusiva para hortaliças também auxilia na retirada de sujeiras e resíduos superficiais.
- O uso de solução com bicarbonato de sódio pode auxiliar na remoção de parte dos resíduos superficiais de agrotóxicos, especialmente aqueles presentes na casca de frutas e hortaliças.
- Dar preferência a alimentos da estação, que costumam receber menor carga de agrotóxicos.
- Optar, sempre que possível, por alimentos orgânicos.
Essas medidas não eliminam completamente o risco, mas ajudam a reduzi-lo de forma significativa no contexto do consumo cotidiano.
*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.
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https://forbes.com.br/colunas/2026/01/agrotoxicos-e-cancer-o-que-voce-precisa-saber/
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