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Portal Estadão

Publicado em 18/12/2025 - 09:55 / Clipado em 18/12/2025 - 09:55

O que o maior congresso de obesidade do mundo destacou sobre o elo entre câncer e excesso de peso?


Na Obesity Week, especialistas reforçaram como a obesidade influencia o risco de câncer colorretal e mostraram por que cuidar do peso e do microbioma pode ajudar na prevenção e no tratamento


Por Andrea Pereira
 

A cada nova edição, a Obesity Week (o maior congresso do mundo dedicado ao estudo da obesidade) amplia o olhar sobre como o excesso de peso repercute em diferentes aspectos da saúde. Neste ano, no evento realizado há algumas semanas, uma das mesas mais aguardadas discutiu a conexão entre obesidade e câncer, com foco no câncer colorretal. O tema ganha relevância também no Brasil, onde esse tipo de tumor figura entre os mais incidentes, ocupando as primeiras posições tanto entre homens quanto entre mulheres.

Os especialistas destacaram que a obesidade exerce influência direta no risco de desenvolvimento do câncer colorretal. Um dos pontos mais abordados foi a alteração estrutural da mucosa intestinal provocada pelo excesso de gordura corporal. Essa mudança cria um ambiente propício para a proliferação celular desordenada, abrindo caminho para o surgimento do tumor.

Além disso, o estado metabólico característico da obesidade, com níveis elevados de insulina, leptina e um quadro persistente de inflamação, alimenta ainda mais esse processo. Esses fatores, combinados, contribuem para um organismo mais vulnerável ao desenvolvimento do câncer.

Outro aspecto central da mesa foi o papel do microbioma intestinal, conjunto de bactérias que compõem a flora do intestino. Pesquisas apresentadas reforçam que esse ambiente sofre forte influência da prática de atividade física. Em pacientes com obesidade, promover o movimento diário ajuda não apenas na perda de peso, mas também na melhoria da qualidade da microbiota. Uma flora mais diversa e rica em bactérias benéficas está associada a menor inflamação, melhor funcionamento do sistema imunológico e maior capacidade do organismo de responder ao tratamento oncológico.

Esse é um ponto fundamental: ao estimular uma microbiota mais equilibrada, a atividade física regular contribui não só para reduzir o risco de câncer, mas também para favorecer um melhor prognóstico em quem já enfrenta a doença.

A mensagem principal que permeou toda a discussão da Obesity Week é clara: a obesidade favorece condições internas que estimulam o desenvolvimento do câncer colorretal. Em contrapartida, tratar esse excesso de peso traz benefícios que vão muito além da balança. Envolve melhorar o metabolismo, fortalecer o sistema imunológico e cultivar um microbioma intestinal mais saudável, fatores que podem contribuir tanto para a prevenção quanto para melhores respostas ao tratamento.
 

Portanto, cuidar do peso é também uma estratégia de proteção contra o câncer. E, ao incorporar hábitos como alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico, abre-se caminho para uma vida com mais saúde e menos riscos.

 

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