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Portal Folha de S. Paulo

Publicado em 15/12/2025 - 09:54 / Clipado em 15/12/2025 - 09:54

Johnson & Johnson deve pagar US$ 40 mi a pacientes dos EUA com câncer após uso de talco, decide júri


  • Empresa nega que casos da doença estejam relacionados ao produto e diz que recorrerá da decisão
  • Duas mulheres alegam que o talco fabricado pela companhia é responsável por câncer de ovário

 

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Um júri da Califórnia, nos EUA, determinou que a Johnson & Johnson pague uma indenização de US$ 40 milhões (R$ 216,56 milhões) a duas mulheres que alegam que o talco fabricado pela companhia é responsável pelos seus casos de câncer de ovário. A empresa disse que irá recorrer da decisão.

Os jurados da corte superior de Los Angeles determinaram que Monica Kent tem direito a US$ 18 milhões (R$ 97,43 milhões), e Deborah Schultz e seu marido a US$ 22 milhões (R$ 119,08 milhões), após argumentos de que a Johnson & Johnson sabia havia anos que seus produtos à base de talco eram perigosos, mas não alertou os consumidores.

Erik Haas, vice-presidente mundial de contencioso da Johnson & Johnson, disse em um comunicado que a empresa planeja "apelar imediatamente desta decisão e espera prevalecer, como geralmente fazemos com veredictos adversos aberrantes".

Um porta-voz dos autores da ação não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito pela agência de notícias Reuters.

 

CONHEÇA O CASO

Kent foi diagnosticada com câncer de ovário em 2014, segundo registros judiciais. Schultz teve o tumor maligno constatado em 2018. Ambas as mulheres são residentes da Califórnia que dizem ter usado por 40 anos o talco para bebês da Johnson & Johnson após o banho.

Seus tratamentos para câncer de ovário envolveram grandes cirurgias e dezenas de sessões de quimioterapia, conforme testemunharam no julgamento.

Nos argumentos finais que a Reuters assistiu na Courtroom View Network, Andy Birchfield, advogado das mulheres, disse ao júri que a empresa sabia desde a década de 1960 que o produto poderia causar câncer.

"Absolutamente eles sabiam, eles sabiam e estavam fazendo tudo o que podiam para esconder, para enterrar a verdade sobre os perigos", afirmou Birchfield.

Allison Brown, advogada da Johnson & Johnson, apontou que as únicas pessoas a dizer a Kent e Schultz que seus cânceres foram causados pelo talco foram seus advogados, já que a suposta conexão não é respaldada por nenhuma autoridade de saúde importante dos EUA e não há estudo que mostre que o talco pode migrar da parte de fora do corpo para os órgãos reprodutivos.

"Eles não têm as evidências neste caso, e esperam que você não se importe", alegou Brown ao júri.

 

MILHARES DE PROCESSOS

A Johnson & Johnson enfrenta processos de mais de 67 mil demandantes que dizem ter sido diagnosticados com câncer após usar seu talco para bebês e outros produtos de talco, segundo documentos judiciais. Já o jornal The New York Times informa que são mais de 90 mil reivindicações judiciais.

A empresa afirmou que seus produtos são seguros, não contêm amianto e não causam câncer.

Em maio de 2020, a Johnson & Johnson anunciou que deixaria de vender o talco Johnson's Baby nos Estados Unidos e no Canadá, alegando que a mudança fazia parte de uma ampla reavaliação de seu portfólio de produtos em meio à pandemia, passando a ser à base de amido de milho.

A suspensão aconteceu na sequência de uma série de litígios envolvendo a segurança do produto.

Nos processos judiciais, os consumidores alegam que os produtos à base de talco da empresa foram contaminados com amianto, um conhecido agente cancerígeno.

A J&J afirmou, em 2019, que em suas análises não encontrou o material cancerígeno em seus talcos. No entanto, testes conduzidos pela agência federal de saúde dos Estados Unidos (a Food and Drug Administration) constaram que havia vestígios de amianto nos produtos da marca.

A companhia tentou resolver o litígio por meio de falência, uma proposta que foi rejeitada três vezes por tribunais federais, mais recentemente em abril. As falências haviam suspendido a maioria dos processos. Os casos de Brown e Kent são os primeiros a ir a julgamento desde que a última tentativa rejeitada de Chapter 11 (equivalente à recuperação judicial).

No final de março deste ano, um juiz federal de falências em Houston (EUA) rejeitou o pedido da Johnson & Johnson para aprovar um acordo de US$ 9 bilhões com dezenas de milhares de pessoas que processam a empresa por alegações de que os produtos causaram câncer.

 

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/12/johnson-johnson-deve-pagar-us-40-mi-a-pacientes-com-cancer-apos-uso-de-talco-decide-juri.shtml

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