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Publicado em 05/10/2025 - 09:54 / Clipado em 06/10/2025 - 09:54

Pai dedica a vida à ciência para salvar filho com câncer raro e muda o tratamento global da doença


Fernando investiu recursos próprios e criou iniciativa que mobiliza 28 cientistas e 16 laboratórios nos EUA, Canadá e Alemanha. Tratamento para a doença era o mesmo há 40 anos e trazia efeitos colaterais agressivos.

Por Redação g1, Fantástico

 

O que um pai é capaz de fazer para salvar a vida do seu filho? Para Fernando Goldzstein a resposta se tornou uma missão que o levou a transformar o tratamento de um câncer cerebral raro, que afeta crianças e adolescentes, no mundo. Ele não aceitou o prognóstico e, movido pelo desespero e pelo amor, fundou uma iniciativa que, em quatro anos, resultou em dois novos tratamentos experimentais aprovados nos Estados Unidos.

Fernando e a esposa, Bárbara, foram "nocauteados" em 2015, quando o filho mais velho, Frederico, foi diagnosticado com meduloblastoma aos 9 anos. Trata-se de um tumor maligno e agressivo, de crescimento rápido, que geralmente se origina no cerebelo e pode se espalhar para outras partes do sistema nervoso central.

"Nós nos sentimos sem chão. Foi uma situação muito desesperadora", lembra o pai. A mãe, Bárbara, conta que a notícia foi devastadora, mas o pensamento imediato foi "levantar a cabeça e começar a correr atrás e ver tudo o que pode ser feito". O medo da "ausência do abraço de Frederico" se tornou um pesadelo para a família.


O retorno da doença e a busca por inovação

O tratamento inicial de Frederico, que incluiu cirurgia no Brasil e quimio e radioterapia nos Estados Unidos, seguiu um protocolo que, segundo os especialistas, é o mesmo há 40 anos em todo o mundo. Embora eficaz em muitos casos, é classificado como um dos mais agressivos, com alta toxicidade e risco de sequelas permanentes, incluindo problemas cognitivos, hormonais, de audição e visão.

A luta se tornou mais intensa quando, após um período de aparente controle, o meduloblastoma voltou. Os médicos foram taxativos: o prognóstico não era bom e não havia o que fazer. "Eu quando recebi a notícia de que o tumor tinha voltado e que não tinha o que fazer, eu simplesmente não aceitei. Desistir do meu filho não era uma opção", afirma Fernando.


A criação da MBI e os novos tratamentos

Movido pelo amor, o pai gaúcho buscou ajuda de um dos maiores especialistas do mundo no tratamento de meduloblastoma, o Dr. Roger Packer, do Children's National Hospital de Washington. Fernando o questionou: "O que nós podemos fazer para mudar a realidade desse tumor?".

Dr. Packer sugeriu reunir os melhores laboratórios para trabalhar de forma "sinérgica". Fernando investiu recursos próprios e criou a MBI (Medulloblastoma Initiative), que mobiliza 28 cientistas e 16 laboratórios nos EUA, Canadá e Alemanha. A esperança era desenvolver terapias mais eficazes e menos tóxicas.

Em apenas quatro anos, a MBI alcançou um feito histórico: dois tratamentos experimentais foram aprovados pelo FDA, a agência reguladora de medicamentos dos EUA. Um deles usa as próprias células do corpo para atacar o tumor, e o outro reprograma o sistema imunológico do paciente.

Os tratamentos, focados em terapia personalizada para atacar apenas as células tumorais, já estão sendo testados em crianças nos EUA e prometem curar o meduloblastoma sem causar efeitos colaterais permanentes e severos.


Reflexo no Brasil e a esperança de cura

"Eu jamais podia imaginar que em quatro anos a gente pudesse chegar no ponto que a gente chegou, já com dois ensaios clínicos, dois tratamentos experimentais aprovados", celebra Fernando. Ele tem certeza: "Eu enxergo o meduloblastoma como sendo uma doença que não vai mais tirar a vida de nenhuma criança".
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A iniciativa de Fernando já beneficia o Brasil. A partir do ano que vem, cientistas do Hospital Albert Einstein receberão os resultados das pesquisas, abrindo a possibilidade de trazer a pesquisa clínica e "beneficiar os pacientes no Brasil com as descobertas que o MBI financia".

Frederico, hoje com 19 anos, está sem o tumor e continua em tratamento. Ele não pôde participar das novas terapias, mas seu amor pela natureza e a sensibilidade do seu olhar — capturado em fotografias feitas com o celular — refletem a beleza que o pai lutou para preservar. "A gente tem um caminho longo pela frente. Até que a gente realmente consiga chegar a um ponto onde nenhuma criança pereça dessa doença terrível", finaliza Fernando.

 

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