Publicado em 30/09/2026 - 11:20 / Clipado em 30/09/2026 - 11:20
CREA-RJ, CAU/RJ e Coppe lançam carta com propostas para engenharia e infraestrutura do Estado do Rio
Documento será encaminhado a candidatos ao governo e ao Senado e reúne propostas para prevenção de desastres climáticos, recuperação de infraestrutura e planejamento urbano
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ) e a Coppe/UFRJ lançaram, nesta segunda-feira (28), uma carta-compromisso com propostas para o desenvolvimento da engenharia, da arquitetura e da infraestrutura pública do Estado do Rio de Janeiro. O documento será encaminhado a candidatos ao governo estadual e ao Senado.
A carta reúne medidas voltadas ao fortalecimento da capacidade técnica do poder público, à prevenção de enchentes e deslizamentos, à recuperação de estruturas existentes e à retomada do planejamento de longo prazo. Entre as propostas está a criação de estruturas estaduais inspiradas em órgãos existentes no município do Rio de Janeiro, como a Rio Águas e a Geo-Rio.
A iniciativa foi articulada pelo presidente do CREA-RJ, engenheiro Miguel Fernández, e apresentada em solenidade realizada na Coppe/UFRJ, no campus da universidade. Segundo os organizadores, a proposta busca estabelecer uma agenda permanente para a engenharia e a arquitetura públicas, independentemente das mudanças de governo.
“Acabamos de assinar uma carta inédita que une o CREA do Rio de Janeiro, o CAU/RJ e a Coppe/UFRJ, traçando uma visão de longo prazo para o desenvolvimento do setor tecnológico, da Engenharia e da Arquitetura públicas do nosso estado”, afirmou Fernández.
Fortalecimento da estrutura técnica do Estado
A proposta está dividida em três eixos. O primeiro trata da capacidade do Estado de planejar e executar obras e políticas públicas.
Entre as medidas está o fortalecimento do Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura (IEEA), que, segundo o documento, deveria exercer nas áreas técnicas uma função permanente semelhante à desempenhada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) no campo jurídico. A carta também defende planos de carreira e programas de formação continuada para os profissionais.
Outro ponto é a ocupação de posições estratégicas em órgãos estaduais ligados à atividade-fim por profissionais com qualificação técnica. O documento cita, entre outros, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), a Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (EMOP-RJ), a Cedae, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (Cehab) e agências reguladoras.
Para enfrentar os impactos de eventos climáticos extremos, as entidades propõem ainda a criação de dois órgãos estaduais: o “RJ Águas”, destinado a ações de drenagem e controle de cheias, e o “GEO-RJ”, voltado à contenção e gestão de encostas vulneráveis.
Obras e projetos considerados estratégicos
O segundo eixo da carta reúne projetos de infraestrutura considerados estruturantes para o desenvolvimento econômico, a mobilidade e a sustentabilidade do estado.
Na área de transportes, o documento inclui entre as prioridades a implantação da Linha 3 do Metrô, a revitalização e o reforço da segurança da malha ferroviária, a implantação da ferrovia EF-118 e a construção de um Anel Rodoviário da BR-101 em Campos dos Goytacazes.
Na área urbana e habitacional, a carta defende que projetos de engenharia e arquitetura sejam incorporados antes da ocupação de áreas irregulares. A proposta prevê programas permanentes de habitação de interesse social acompanhados de infraestrutura.
O documento também propõe medidas relacionadas ao saneamento, como a ampliação e criação de redundância no abastecimento de água da Região Metropolitana, a implantação de sistemas de captação em tempo seco e a eliminação dos lixões.
Recuperação preventiva da infraestrutura
O terceiro eixo é voltado à manutenção e recuperação de estruturas já existentes. A proposta parte do princípio de que a prevenção de falhas deve receber prioridade em relação às intervenções realizadas apenas depois da ocorrência de problemas.
A carta chama atenção para o envelhecimento e a obsolescência de estruturas consideradas essenciais e cita como exemplos o Sistema de Transposição de Santa Cecília e os sistemas de sinalização ferroviária.
Para tratar desse tema, CREA-RJ, CAU/RJ e Coppe defendem a criação de uma Secretaria Estadual de Recuperação de Infraestrutura. A pasta teria como atribuições inventariar, monitorar e recuperar estruturas públicas, como pontes, viadutos, túneis, emissários e adutoras.
Segundo Miguel Fernández, a proposta pretende oferecer aos próximos governantes uma agenda técnica de longo prazo.
“É uma carta que propõe um norte para o nosso próximo governante, para que ele possa, através dela, traçar as melhores tomadas de decisão para trazer um ambiente de desenvolvimento econômico, social e ambiental do Rio de Janeiro”, afirmou.
Planejamento como eixo das políticas públicas
Para o presidente do CAU/RJ, arquiteto e urbanista Sydney Menezes, um dos principais pontos da iniciativa é a retomada do planejamento como instrumento das políticas públicas estaduais.
“A carta objetiva trazer reflexões e propostas concretas de escopo técnico intervencionista no espaço público territorial para o futuro governador do Estado do Rio de Janeiro”, disse Menezes.
Segundo ele, a proposta também busca aproximar instituições técnicas e governos na formulação e execução de políticas públicas.
“A mensagem é muito clara e objetiva: governador, ouça os profissionais, as instituições públicas, as instituições técnicas, para ajudar no êxito, no sucesso e no resultado de governo para atender a qualidade de vida das pessoas”, afirmou.
Coppe oferece apoio técnico e científico
A diretora da Coppe/UFRJ, engenheira Suzana Kahn Ribeiro, destacou a capacidade de universidades e centros de pesquisa de contribuir para a formulação de soluções para o estado.
Segundo Suzana, a parceria entre instituições de ensino, pesquisa e entidades profissionais pode contribuir para um modelo de desenvolvimento baseado em inovação, infraestrutura e adaptação às mudanças climáticas.
“Estamos nos unindo em prol do desenvolvimento do Rio. A gente acredita que o governo do estado tem uma capacidade muito grande para construir esse futuro, com mais inovação e oportunidades, além de mais qualidade de vida para toda a nossa população”, afirmou.
Ela também defendeu investimentos em infraestrutura resiliente e preparação para novas tecnologias.
Para as três instituições, a carta-compromisso pretende servir como referência para a discussão sobre as prioridades do próximo governo estadual, especialmente nas áreas de engenharia, arquitetura, infraestrutura, mobilidade, saneamento, habitação e prevenção de riscos climáticos.
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